Resolução de problemas pode ser mais simples – Guia para pensar fora da caixa

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Uma das habilidades mais importantes para qualquer indivíduo é a sua capacidade de resolver problemas.

Pensa só:

Todos os dias temos que resolver algum tipo de problema. De coisas simples, como limpar a casa, a questões complexas, como desafios no trabalho.

Quem consegue achar boas soluções com rapidez normalmente avança melhor na vida em direção aos seus objetivos e também ajuda as pessoas ao seu redor a progredirem também.

Já quem tende empacar nos problemas normalmente fica preso nos mesmos dilemas, dificuldades e necessidades.

Algo bacana sobre resolver problemas é que não necessariamente é a prática que leva à perfeição. O que realmente nos faz sermos melhores nessa arte é a capacidade de desconstruir nossos preconceitos e ideias.

Quanto mais “pensamos fora da caixa”, mais soluções interessantes encontramos para os problemas.

Pensando nisso tudo, quero nesse artigo te apresentar alguns questionamentos que pode fazer para trabalhar a habilidade de resolver problemas.

Entendendo os problemas

A primeira etapa do processo de resolução de um problema é a compreensão do problema.

Parece óbvio, mas incrivelmente não é nem perto de óbvio.

Entendemos os problemas através:

  • percepção
  • sentidos (visão, audição, etc)
  • preconceitos
  • informações disponíveis
  • desejos (conscientes ou não)
  • cultura

Poucos problemas são absolutos e não dependem de uma interpretação. Até muitos problemas matemáticos são relativos ou podem ser solucionados de diversas maneiras.

Por isso, a primeira real lição sobre resolução de problemas é:

Todo problema pode ser solucionado de diversas maneiras.

Generalizamos com o “todo” para simplificar e nos dar um norte mental. Para ilustrar, vamos com um exemplo.

Exemplo:

Você está em um grupo de trabalho e observa um colega falando grosseiramente com o outro. Essa situação gera um desconforto no grupo e agora você tem que resolver esse problema.

Primeiro, é necessário tentar compreender o problema reconhecendo nossas limitações. Vamos tentar passar pelos pontos acima:

  • percepção – acreditamos que há um desconforto gerado pela discussão de dois membros do grupo.
  • sentidos (visão, audição, etc) – ouvimos e vimos a maneira com que um falou com outro.
  • preconceitos – quem falou grosseiramente é um extremista político, então há um preconceito de que esse tipo de pessoa é mais estourada.
  • informações disponíveis – eu sabia que quem foi repreendido não entregou sua parte do trabalho.
  • desejos (conscientes ou não) – por não gostar tanto da pessoa que foi grossa, gostaria de não a apoiar.
  • cultura – na minha cultura, o ambiente de trabalho não é lugar para discussões desse tipo e sim de respeito mútuo.

Com essas informações claras, eu posso decidir se devo agir pelo impulso ou de uma maneira que realmente vai solucionar o problema.

Ao agir pelo impulso, poderia dar a voz ao desejo de repreender a pessoa grossa com mais grosseria alimentada por não gostar muito dela e por ela ser extremista.

Uma ação assim só iria piorar a situação e, consequentemente, não solucionar o problema.

As alternativas para solucionar o problema naturalmente são mais difíceis e vão envolver um pouco mais de consideração.

O que nos leva à segunda lição: Matriz de resolução de problemas.

Vou explicar sobre ela abaixo e continuo o exemplo em seguida. Mas antes precisamos avançar um pouco na compreensão dos problemas.

Exemplo 2:

Um outro exemplo interessante é o problema dos 9 pontos.

Considerando a imagem abaixo, seu objetivo é arrumar um jeito de desenhar apenas 4 linhas retas e passar por todos os pontos.

O problema dos 9 pontos

Conseguiu? Agora tente fazer o exercício utilizando apenas 3 linhas retas.

Conseguiu novamente? E agora o desafio final é pensar um jeito de passar por todos os pontos com apenas 1 linha reta.

Se você está pronto, role para ver a solução.

Utilizando 4 e 3 linhas retas, respectivamente:

Créditos: Creativity Boost

Para resolver com 4 linhas retas, temos nossa primeira concepção desafiada que é o espaço que podemos utilizar. Somos forçados a realmente ‘pensar fora da caixa’ que são os 9 pontos para completar.

Já para a solução de 3 linhas retas, desafiamos nossa interpretação de que a linha deve passar pelo centro do ponto e não por qualquer pedaço do ponto.

Por último temos o desafio para 1 linha:

solução do problema dos 9 pontos - pensar fora da caixa

Aqui já precisamos agregar os dois conceitos aprendidos anteriormente com o de 4 e 3 linhas e aumentar nossa visão para um plano tridimensional. Com uma leva angulatura, você consegue passar uma linha reta pelos três pontos na esfera.

Outra maneira de resolver com 1 linha também é a solução do origami:

solução do problema dos 9 pontos com origami - pensar fora da caixa

Não é dito nas instruções qual é o tipo de manipulação que podemos fazer com os pontos, então conseguimos abstrair cada vez mais para resolver o problema.

Esse clássico desafio nos faz pensar fora da caixa e mexe muito com os mesmo itens acima.

  • percepção – Acreditamos que a solução está dentro do espaço que inicialmente vemos, os 9 pontos e que eles são pontinhos e não bolas que podemos passar em várias partes a linha.
  • sentidos (visão, audição, etc) – Nossa visão está focada no quadrado.
  • preconceitos – Não pensamos que a solução pode envolver alterar o formato ou o plano bidimensional dos pontos.
  • informações disponíveis – temos apenas os pontos à nossa frente e as instruções.
  • desejos (conscientes ou não) – por saber que é um desafio, queremos resolvê-lo de forma criativa.
  • cultura – compreendemos as noções de geometria que aprendemos na escola.

Agora, avançamos para aprofundar o conhecimento sobre os problemas.

Classificando o problema

Ao identificar o problema e compreender que há algo além dos nossos pensamentos e sentimentos iniciais, podemos nos fazer algumas rápidas perguntas para classificar aquele prolema antes de decidir por um curso de ação.

O problema é importante ou não?

Esse problema é importante para mim, para as pessoas ao meu redor ou para alguém ou alguma instituição que eu me importe? Ou quem sabe é um problema que lida com algo que acredito ou defendo?

Caso a resposta seja sim, talvez valha a pena realmente buscar tomar uma ação para tentar resolvê-la. Porém, se for algo que está distante de mim, não se relaciona com nenhuma causa que defendo e não vai impactar ninguém substancialmente, então talvez seja melhor simplesmente ignorá-lo.

Exemplo:

  • Importante: O clima no trabalho está tenso por uma briga entre colegas.
  • Não importante: O café do trabalho não é tão gostoso quanto na minha casa.

Obviamente, a noção do que é importante ou não é diferente para cada um e não há necessidade de julgamentos do que é importante para cada um.

Eu consigo resolver o problema? Ou o problema está ao meu alcance para resolver?

Algo que é bem importante de nos perguntarmos logo no início é se nós conseguimos resolver o problema.

Essa questão vai muito de como nos sentimos no momento, pois há certos problemas que podemos achar que não conseguimos resolver mas no fundo temos a capacidade; e vice-versa.

Aqui a resposta vai muito mais da nossa disposição e do quão longe estamos dispostos a ir para resolver o problema.

Exemplo:

  • Ao alcance: Pagar o conserto do carro de alguém cujo carro foi batido.
  • Fora de alcance: Achar a cura para uma doença.

Vala a pena atacar esse problema de frente ou de ladinho?

Eu gosto muito desse tópico pois, na minha opinião, a grande diferença entre empacados e pessoas que sempre solucionam problemas está exatamente aqui.

Quando olhamos para um determinado problema, podemos pensar que sua solução está em bater de frente. Por exemplo, vemos muito em discussões políticas o embate direto. Sejam por votos ou por ideologias, sempre é um contra o outro diretamente buscando entender qual é a melhor solução para um problema.

No entanto, talvez nesses casos seja melhor olhar de ladinho para o problema e entender outras variáveis presentes naquela situação que podem resolver o problema por outra via que não a direta.

Exemplo:

Em um embate entre políticos sobre como solucionar o problema do que deve ou não deve ser ensinado para as crianças nas escolas.

  • De frente: Apoiar políticos que tem a visão que deseja sobre o assunto. Quem sabe até virar político e lutar pelas ideias e propondo medidas para que a sua perspectiva seja aceita.
  • De ladinho: Aproveita que as crianças estão assistindo muito YouTube e cria um canal voltado para elas que devagar e sublinearmente vai ensinando o que deseja.

Novamente, não estou colocando nenhuma análise de certo ou errado. Cada um vai ter o seu senso de ética, moral, etc para lidar com as situações e esse tema pode vir em outro artigo.

Quem é impactado pelo problema?

Uma consideração que pode te ajudar a pensar sobre o problema é quem está envolvido em sua resolução ou no problema por si só. Quem é influenciado pelo problema, quem causou o problema, quem perceber algo se você o solucionar.

A compreensão disso pode, inclusive, te ajudar a pensar se o problema é ou não importante.

Exemplo:

  • Só você: Dor no dente
  • Sua família: Perda do emprego

Qual a urgência desse problema?

Um outro fator relevante a se questionar é sobre a urgência do problema. O problema em questão precisa ser resolvido imediatamente ou há um certo tempo para decidir?

Nesse caso, a grande questão a ser avaliada é a profundidade que podemos ir em nossas análises para tomar a melhor decisão e encontrar uma boa solução.

Às vezes precisamos lidar com uma situação imediatamente e temos pouco tempo para pensar e, por isso, pode ser difícil achar uma boa solução. Acabamos tendo que fazer o nosso melhor naquele momento.

Outras vezes, temos todo o tempo do mundo e conseguimos considerar todas as possíveis variáveis com calma.

Exemplo:

  • Urgente: Uma panela pegou fogo em casa enquanto cozinhava.
  • Pouco urgente: Você não está gostando do trabalho e está querendo trocar de profissão.

Matriz de resolução de problemas

Após compreender um pouco mais sobre o problema e nos distanciar dos preconceitos e percepções absolutas para resolvê-lo, precisamos de uma forma não tendenciosa de análise.

Para isso temos a matriz de resolução de problemas. É uma maneiras de considerarmos possíveis resultados das nossas soluções para os problemas que estamos enfrentando.

Quando temos tempo e o problema é bastante complicado, podemos usar gráficos, listas e outras maneiras de representar essa matriz. No entanto, muitas vezes temos que tomar uma decisão quase imediata e essa matriz vem mais como um rápido direcionamento na nossa cabeça.

A situação não importa tanto, desde que busquemos achar as soluções cada vez mais criativamente.

Cada caso requer a consideração de variáveis diferentes, mas quero te dar um direcionamento inicial para considerar o tipo de problema que está enfrentando.

Para criar sua matriz, pode desenhar uma tabela num papel ou mesmo usar o Google Spreadsheets. A estrutura segue o seguinte:

Estrutura para resolver problemas

Nas colunas, indique as considerações que achar pertinente sobre seu problema. Nas linhas, preencha como suas possíveis soluções afetarão os pontos levantados.

Saber quais são as considerações é uma das tarefas mais difíceis, mas é algo que envolve empatia e, talvez, treino. Nossas ações influenciam os outros e buscar entender onde elas influenciarão é um desafio constante.

Mesmo depois de muito tempo fazendo isso, ainda assim vamos acabar deixando de considerar pontos importantes. E estará tudo bem desde que aprendemos e passamos a ser ainda mais atentos depois.

Por exemplo, na nossa história da briga entre dois colegas de trabalho, poderíamos ter o seguinte:

Matriz de resolução de problemas

Escolha da solução

Agora que já temos opções de ações a se tomar e possíveis resultados na influência dos âmbitos que resolvemos avaliar, está na hora de pensar em qual delas escolher.

E aqui estamos lidando com coisas um pouco mais abstratas e possivelmente com sentimentos difíceis de lidar.

Se escolhermos o caminho errado, vamos nos arrepender? Será que há outros fatores que serão influenciados pelas minhas decisões que não pensei? E se minha ação fazer alguém se sentir mal?

Com relação a isso, o principal é confiar e entender que a decisão foi tomada com base no melhor que pudemos fazer com as informações e nível de consciência que tínhamos.

E para confiar e estar tranquilo com a decisão, precisamos assumir a responsabilidade por ela com coragem.

Então há dois fatores que acredito serem importantes na hora de realmente tomar a decisão.

Qual a confiança na solução?

Primeiro vem a racionalidade. É entender o quão confiante estamos com a solução pensada ao analisar os dados, matrizes e por aí vai.

Escolhemos o curso de ação que mais confiamos.

Isso é importante pois, como comentei acima, para assumirmos a responsabilidade pela escolha com firmeza é preciso ter confiança na solução.

Qual é a intuição que tenho?

Em segundo lugar vem o fator que realmente deve decidir: a intuição.

O mais abstrato de todo o texto é o mais importante pois é a intuição que consegue avaliar toda a situação e todas as variáveis e nos dar um curso mais provável de ação.

Nosso cérebro vem de milhares de anos de evolução e/ou desenvolvimento e algo que realmente nos protegeu de perigos e situações ruins foi nossa capacidade de perceber o que fazer através da intuição.

Por ser algo mais instintivo, ela pode ir até de encontro da razão. No entanto, em especial depois de toda a análise e compreensão dos pontos relacionados com o problema, a intuição estará afiada para nos guiar.

Humildade

Algo importante que muitos bons ‘resolvedores de problemas’ compreendem é que temos que ser humildes para aprender.

Vamos errar. É um fato.

No entanto, errar é a forma mais efetiva de aprender SE estamos abertos para reconhecer o erro e melhorar.

Se uma solução de um problema que escolhemos não foi boa, está tudo bem pedir desculpas, refletir e buscar melhorar.

Quanto mais vezes reconhecemos como podemos melhorar…bom…melhor ficamos e mais facilmente resolvemos problemas com soluções criativas e bem estruturadas.

Outros fatores que influenciam na resolução de problemas

Naturalmente, existem uma infinidade de fatores que vão influenciar nossa capacidade de resolver um problema. Então vou abordar alguns importantes abaixo.

Outras pessoas tentando solucionar / competidores

Algo que pode influenciar na sua solução é o fato de haver mais pessoas tentando a solucionar. Esse caso é especial para ambientes que há competição, por exemplo.

Empresas de inovação, laboratórios médicos e esportes são ambientes que estão o tempo inteiro buscando resolver problemas.

Ter outras instituições ou indivíduos na mesma busca que nós tem efeitos tanto positivos quanto negativos na nossa capacidade de resolvê-los com criatividade e efetividade.

Essa pressão pode ser tanto um catalizador de energia para ir ainda além na busca e motivação. Mas também pode ser uma pressão que nos faz não analisar com paciência os diversos pontos envolvidos.

Exemplo:

Uma indústria farmacêutica pode se sentir pressionada pela competição para lançar uma solução para tratar uma determinada doença.

Como o tempo é chave no lançamento, pode ser que a solução não esteja devidamente isolada e acaba contendo um número de efeitos colaterais alto. No entanto, é a própria competição que os possibilitou sair na frente e lançar no mercado antes.

Estado mental

Nosso estado mental influencia imensamente na nossa capacidade de resolver problemas bem. Quanto mais calmos, concentrados e focados estamos, melhor conseguimos avaliar as situações e propôr boas soluções.

Já quando estamos abalados emocionalmente, irritados, tristes e por aí vai, nossa capacidade está comprometida e podemos acabar agindo por impulso.

Obviamente, meditar com frequência e constância, dormir bem e fazer exercícios são fatores que vão ajudar muito aqui.

Estímulos variados

Uma definição que gosto muito de inovação é que inovação acontece quando duas ideias distintas se encontram.

Quanto mais estímulos de estudos, experiências, conversas, sentimentos e observações, mais temos conexões, criatividade, ideias e, naturalmente, capacidade de solucionar bem os problemas.

O contrário é facilmente observado. Quando apenas se entende um lado da história, como frequentemente é o caso de absolutistas políticos, percebemos que não há propostas de resolução de problemas de maneira criativa e em geral envolve o embate direto, sem muito questionamento sobre os afetados e sem pensar se é a melhor solução.

Resumo

Para simplificar nosso texto, acredito que temos a seguinte sequência para pensarmos na resolução de problemas:

  1. Entender o problema
  2. Classificar o problema
  3. Considerar as ações possíveis
  4. Escolher a melhor ação
  5. Assumir a escolha

Cada etapa é fundamental para que possamos encontrar melhores soluções para os problemas da nossa vida.

Sejam os problemas simples ou complexos, essa estrutura poderá te ajudar a encontrar formas mais efetivas e rápidas de solucionar seus problemas.

Um problema simples pode ser como parar uma alergia que está tendo em casa. De um lado você pode resolver indo ao médico, trocando os produtos de limpeza ou mesmo removendo objetos antigos.

Já um problema complexo pode ser como acabar com a corrupção no país. E as soluções podem variar de investigações policiais e processos a golpes anarquistas.

De qualquer maneira, tenho confiança que esse processo poderá ajudar na busca por um caminho bom a se seguir.

O que achou desse guia? O que acha que pode ser acrescentado? Houve algum ponto que não ficou claro ou não gostou? Me conta nos comentários.

Divirta-se!

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