Para saber quanto cobrar por edição de vídeo, multiplique o seu valor hora pelas horas que aquele tipo de vídeo realmente consome e confira o resultado com a faixa do mercado. Com um valor hora de R$ 60, um vídeo de YouTube de 10 a 15 minutos que leva 5 horas de edição sai por R$ 300, e um corte vertical de 1 hora sai por R$ 60, que você arredonda para o seu mínimo por pedido.
Como referência, a tabela 2026 do FreelaSemCrise aponta de R$ 200 a R$ 3.000 por vídeo, ou de R$ 60 a R$ 180 por hora, com edição simples de até 5 minutos entre R$ 200 e R$ 600. Abaixo eu mostro a conta completa, uma tabela por tipo de vídeo (Reels, YouTube, live, podcast), como montar pacote mensal, o que muda para iniciante e o que precisa estar escrito no orçamento para a edição não virar trabalho de graça.
Por que o minuto do vídeo final engana
A pergunta mais comum é “quanto cobrar por vídeo de 1 minuto”. O problema é que um minuto de vídeo pronto pode levar meia hora ou uma tarde inteira. O que define o seu tempo é:
- Quanto material bruto você recebe. Cortar 1 minuto de uma live de 2 horas exige assistir e escolher o trecho antes de editar.
- O nível de acabamento: corte seco e legenda automática revisada é uma coisa, lettering animado, zoom em cada frase e motion graphics é outra.
- Quantas rodadas de ajuste o cliente tem.
- O que vem junto: thumbnail, trilha, correção de cor, legenda em outro idioma, versões para cada rede.
Por isso o preço de edição de vídeo que funciona é cobrado por entrega e calculado por hora. O cliente compra “um vídeo” ou “o pacote do mês”. Você precisa saber quantas horas tem dentro de cada um.
Passo 1: calcule o seu valor hora
Some quanto você precisa faturar por mês: a renda que quer tirar, os custos do trabalho (computador, software de edição, armazenamento, internet, banco de músicas), os impostos do seu regime e uma reserva para mês fraco e férias. Divida pelas horas que você consegue vender, que são bem menos do que as horas trabalhadas, porque prospecção, reunião e organização de arquivos não entram na conta do cliente.
Valor hora = faturamento necessário ÷ horas vendáveis.
No exemplo deste guia: R$ 6.000 de faturamento necessário e 100 horas vendáveis por mês dão R$ 60 por hora. A conta detalhada, com planilha, está no guia de como calcular valor hora freelancer.
Passo 2: cronometre cada tipo de vídeo
Esse é o passo que separa preço de chute. Durante duas ou três semanas, anote quanto tempo cada entrega leva do download do material até o arquivo final, incluindo a rodada de ajuste. Separe por tipo, porque o tempo muda muito de um formato para outro.
| Tipo de vídeo | O que costuma incluir | Seu tempo médio |
|---|---|---|
| Corte vertical de 30 a 60 s a partir de vídeo longo | escolher o trecho, cortar, enquadrar, legenda | ___ h |
| Reels gravado pelo cliente, até 90 s | cortes, legenda, trilha, lettering | ___ h |
| YouTube de 10 a 15 min, só a pessoa falando | cortes secos, zooms, lettering, trilha | ___ h |
| YouTube de 20 min com motion graphics | tudo acima mais animações e telas | ___ h |
| Live ou webinar de 1 a 2 h | limpeza, cortes de pausas, vinheta, capítulos | ___ h |
Depois de algumas semanas você tem o seu custo real por formato. É ele que vira preço.
Passo 3: transforme horas em preço por vídeo
Exemplo com números ilustrativos e valor hora de R$ 60. Troque pelos seus tempos.
| Tipo de vídeo | Horas no exemplo | Preço (horas × R$ 60) | Faixa do mercado (FreelaSemCrise 2026) |
|---|---|---|---|
| Corte vertical de 30 a 60 s | 1 h | R$ 60 | entra no mínimo por pedido |
| Reels até 90 s com lettering | 1,5 h | R$ 90 | entra no mínimo por pedido |
| YouTube 10 a 15 min, só fala | 5 h | R$ 300 | R$ 300 a R$ 700 |
| YouTube 20 min com motion | 12 h | R$ 720 | R$ 700 a R$ 1.800 |
| Live ou webinar de 1 a 2 h | 10 h | R$ 600 | R$ 800 a R$ 2.500 |
Repare na última linha. O cálculo deu R$ 600 e o mercado paga a partir de R$ 800. Quando isso acontece, o mais provável é que você esteja subestimando horas (assistir duas horas de material já consome duas horas) ou esquecendo um custo. Refaça o cronômetro antes de baixar o preço.
O contrário também vale. Se a sua conta ficar muito acima do teto da faixa, o caminho é cortar escopo ou buscar clientes maiores, não trabalhar mais rápido sem fim.
Defina um mínimo por pedido
Vídeo curto avulso tem custo fixo que não aparece no cronômetro: entender o pedido, baixar o material, conversar, exportar, mandar, cobrar. Por isso eu sugiro um mínimo por pedido equivalente a 2 ou 3 horas suas. No exemplo, algo entre R$ 120 e R$ 180, mesmo que o corte em si leve uma hora. Quem quer corte barato compra pacote.
Quanto cobrar por edição de vídeo para Reels e vídeos curtos
Vídeo curto é onde o preço por unidade mais engana. Um Reels de 40 segundos parece pouco trabalho, mas se ele exige escolher o melhor trecho de uma gravação longa, legendar palavra por palavra e ajustar o enquadramento para vertical, a hora vai embora.
Três jeitos de cobrar vídeo curto sem perder dinheiro:
- Avulso, sempre com o mínimo por pedido.
- Em lote: “8 cortes de um mesmo episódio de podcast” sai mais barato por corte, porque você assiste o material uma vez só.
- Em pacote mensal, com número fixo de vídeos e prazo de entrega por semana.
Um argumento que ajuda na venda: desde 15 de outubro de 2024, vídeos verticais ou quadrados de até três minutos enviados ao YouTube contam como Shorts, segundo a ajuda do YouTube. O mesmo corte serve para Reels, TikTok e Shorts. Você pode oferecer a versão para as três redes como extra, cobrando só o tempo de exportar e ajustar a legenda.
Quanto cobrar por edição de vídeo para YouTube
Para vídeo longo, o que mais pesa é o ritmo que o canal quer. Um canal de aula com corte seco e lettering simples é bem mais rápido de editar do que um canal de entretenimento com efeito sonoro e zoom a cada frase. Antes de passar o preço, peça dois vídeos de referência que o cliente gosta e estime o tempo pelo mais trabalhoso.
Na tabela do FreelaSemCrise para YouTube, a edição simples de um vídeo de 10 a 15 minutos fica entre R$ 300 e R$ 700, a edição com motion graphics de um vídeo de 20 minutos entre R$ 700 e R$ 1.800, e um editor dedicado com 8 a 12 vídeos por mês entre R$ 3.000 e R$ 7.000 mensais. Use esses números para conferir a sua conta, não para substituir a conta.
Itens que o cliente de YouTube costuma pedir e que precisam ter preço próprio ou estar no pacote:
- Thumbnail.
- Capítulos na descrição.
- Cortes do vídeo longo para Shorts.
- Trilha. Se o vídeo é só para o YouTube, a Biblioteca de áudio do YouTube Studio tem faixas e efeitos livres de royalties, mas é um recurso exclusivo do YouTube Studio. Para outras redes, confira a licença da música ou repasse o custo do banco de trilhas no orçamento.
Pacote mensal: a conta que fecha o mês
Cliente que publica toda semana prefere saber quanto custa o mês. Exemplo com R$ 60 por hora:
| Item | Horas |
|---|---|
| 4 vídeos de YouTube de 10 a 15 min (5 h cada) | 20 h |
| 12 cortes verticais tirados desses vídeos (1 h cada) | 12 h |
| Reunião, organização de arquivos e ajustes | 2 h |
| Total | 34 h |
| Preço (34 h × R$ 60) | R$ 2.040, arredonde para R$ 2.100 |
Agora confira se a agenda fecha. Com 100 horas vendáveis, cabem dois pacotes desses e ainda sobram 32 horas para avulsos. Dois pacotes dão R$ 4.200. Para chegar aos R$ 6.000 do exemplo, você precisa de cerca de R$ 1.800 em avulsos nas horas restantes, ou de um terceiro cliente menor. Essa checagem mostra antes de fechar contrato se o preço sustenta o mês inteiro.
Com três ou quatro clientes de pacote, fica difícil saber de cabeça quanto cada um rende por hora trabalhada e quanto da receita depende de um cliente só. Foi para enxergar isso que eu criei o Revenue Planet: ele mostra os seus clientes como um mundo, com o tamanho de cada um proporcional à receita.
Quanto cobrar por edição de vídeo sendo iniciante
Começar cobrando menos é normal. Começar cobrando abaixo do seu custo é o que quebra o freelancer em seis meses. Para quem está no primeiro cliente:
- Faça a conta do valor hora mesmo assim. Ela é o seu piso.
- Você ainda é mais lento, então não repasse todas as horas ao cliente. Reduza o escopo (menos efeitos, legenda mais simples) e mantenha o valor hora.
- Combine um preço de entrada com prazo e reajuste escritos na proposta: “valor de lançamento nos dois primeiros meses, depois R$ X”.
- Não edite de graça para “ganhar portfólio” com cliente real. Para portfólio, use material público do seu nicho e deixe claro que é uma peça de demonstração.
Se o problema ainda é achar o primeiro cliente, o guia de como conseguir clientes para edição de vídeo mostra onde procurar e o que mandar na primeira mensagem.
O que escrever no orçamento de edição
A maior parte do prejuízo em edição vem de escopo solto, não de preço baixo. Antes de começar, deixe por escrito:
- Duração máxima do material bruto e do vídeo final.
- Nível de edição, com um vídeo de referência.
- Número de rodadas de ajuste incluídas (uma ou duas) e o preço da rodada extra, cobrada por hora.
- Prazo de entrega contado a partir do recebimento de todo o material.
- Taxa de urgência para entrega em menos de 48 horas. Eu cobraria pelo menos 50% a mais, porque urgência empurra outro cliente.
- O que está fora: captação, roteiro, thumbnail, legenda em outro idioma, arquivo de projeto aberto.
- Quem paga trilha e banco de imagens.
- Forma de pagamento: avulso adiantado ou 50% na aprovação do orçamento; pacote no começo do mês.
O modelo de proposta para freelancer do blog dá a estrutura da proposta, e o modelo de contrato freelancer cobre ajustes, atraso e encerramento. Se você também cuida das redes do cliente, o guia de quanto cobrar social media usa a mesma lógica para posts e pacotes.
Erros comuns na hora de cobrar edição
- Cobrar pelo minuto final. Um minuto pode levar 30 minutos ou 4 horas.
- Deixar ajustes ilimitados. A terceira rodada costuma custar mais que a primeira edição.
- Copiar o preço de outro editor sem saber quantas horas ele leva.
- Esquecer o tempo de assistir o material bruto, que em live e podcast é a maior parte do trabalho.
- Nunca reajustar. Coloque no contrato um reajuste anual, e avise o cliente com 30 dias de antecedência.
Perguntas frequentes
Quanto cobrar por um vídeo de 1 minuto?
Depende do tempo que ele leva, não da duração. Cronometre a edição, multiplique pelo seu valor hora e aplique o seu mínimo por pedido. Um minuto com corte e legenda é bem mais barato que um minuto com motion graphics.
Quanto cobrar por edição de vídeo simples?
A referência de mercado do FreelaSemCrise para edição simples de até 5 minutos (corte e trilha) é de R$ 200 a R$ 600. Use a sua conta de horas e veja onde ela cai dentro dessa faixa.
É melhor cobrar por hora ou por vídeo?
Calcule por hora e venda por vídeo ou por pacote. O cliente entende melhor um preço fechado por entrega, e você continua protegido porque sabe quantas horas tem dentro dele.
Quanto cobrar por edição de vídeo para YouTube por mês?
Some as horas dos vídeos longos, dos cortes e da gestão do mês e multiplique pelo valor hora. Como conferência, o FreelaSemCrise aponta de R$ 3.000 a R$ 7.000 por mês para um editor dedicado com 8 a 12 vídeos.
Devo cobrar pela captação junto com a edição?
Cobre separado. Captação tem deslocamento, equipamento e diária, e o cliente pode querer só uma das duas coisas. Duas linhas no orçamento deixam isso claro.
Próximo passo
Faça a conta do valor hora hoje e cronometre os próximos cinco vídeos que você editar. Quando os clientes de pacote começarem a se acumular, o Revenue Planet mostra quem paga quanto e onde a sua receita mora.
Eu falo de trabalho solo, IA e produtividade toda semana no Instagram, no TikTok e no YouTube.