O Puerpério, o cansaço e o amor

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No último artigo eu comentei como foi o parto do Ravi e agora quero comentar um pouco sobre os dois primeiros meses dessa aventura de ser pai pela primeira vez.

Antes do neném nascer eu e minha companheira, Amanda, procuramos nos informar de tudo que poderia acontecer antes, durante e depois do parto.

Fizemos cursos, lemos livros, assistimos documentários e acompanhamos produtores de conteúdo nas redes sociais que legitimamos.

Para ser justo, quando eu falo “nós” eu não implico que fizemos tudo juntos ou na mesma proporção. A Amanda acabou se envolvendo um tanto a mais e alguns dias meu objetivo era no pelo menos ler tudo que ela me mandava.

Mas bem, com certeza foi – e ainda está sendo – um momento de grandes aprendizados e quebras de paradigmas.

Nesse breve artigo quero comentar um pouco sobre algumas lições que tive na prática que bateram bem com a teoria aprendida para esses dois primeiros meses.

Observação: Estou mencionando o puerpério aqui como um momento que a mulher passa mas que, naturalmente, nós homens também participamos. Participamos não com as dificuldades físicas ou mentais desse período, mas como parceiros da mulher e pais do filho; ambos que precisam de apoio e atenção.

O Puerpério

Para começar, o puerpério é um momento muito delicado para a família inteira. Ele não tem momento de começar ou de terminar. Pode não ter nenhuma alteração na mulher, pode gerar apenar um “baby blues”, pode virar uma depressão ou até problemas ainda mais complicados.

Não há julgamentos e só a mulher pode entender seu estado.

O nosso papel como homem é compreender que vamos ter que fazer nosso melhor para segurar o que acontecer. Afinal, dentre as três pessoas presentes, somos a única parte que não está sob efeito de mudanças hormonais drásticas, debilitações físicas ou…é um bebê.

Isso não significa que temos que ser uma rocha e “engolir o choro”, mas sim que precisamos também respeitar que nossa contribuição no momento é essa e que temos que buscar também apoio em outras pessoas para que possamos estar no nosso melhor para a família.

Nesses dois primeiros meses desde o nascimento do Ravi, vivenciamos momentos de maior impaciência, tristeza, faltas de confiança e desesperos momentâneos.

Nada disso é fácil e é o tipo de coisa que normalmente é escondida entre as fotos bonitinhas do Instagram.

Alguns casais vão viver isso de forma mais leve e rápida. Outros terão reais dificuldades por longos períodos de tempo.

A falta de liberdade

Apesar do puerpério em si ser algo da mulher, esse período inicial de se tornar pai também teve um impacto em mim grande psicologicamente.

Logo nas primeiras semanas parece que dá uma vontade de voltar a como era antes. Fazia os planos de trabalhos que precisaria realizar nos dias seguintes e me decepcionava porque só consegui finalizar uma fração do planejado.

Sempre fui um árduo praticante de exercício físico, mas rapidamente descobri que não conseguia mais encaixar nem algumas flexões no meu dia.

Desde o início minha intenção foi ser um pai presente e igualmente responsável pela criança.

Talvez por isso, me deparei com certos momentos de tristeza e desespero ao entender que a vida agora é outra e o peso dessa responsabilidade não é tão leve.

Felizmente, eu e a Amanda já temos o hábito de conversar sobre nossos sentimentos, frustrações e alegrias com muita clareza e objetividade. Então raramente deixamos algum tipo de questão não resolvida ou implicitamente entendida.

Com isso, pudemos trabalhar tanto as minhas dificuldades quanto as delas nesse momento e nos apoiar para seguir mais tranquilos. A responsabilidade ser dividida é importante pois sempre temos a confiança de que o outro está fazendo o seu melhor.

Mesmo que não tanto no início, mas depois paramos de julgar o outro e realmente confiar cada vez mais.

Cansaço

Olha, eu já fui daqueles “startupeiros” que acham que trabalhar 20h por dia é normal e necessário para o sucesso e realmente passei um tempo em ritmos absurdos de pouco sono e muito trabalho.

Mas…nada se compara ao nível de cansaço que senti. Em especial no primeiro mês.

É um tal de dorme, acorda, dorme, acorda que me quebrou. Junta isso a dor nas costas, frustração no trabalho e dificuldade até de comer, o resultado não é tão agradável.

Perdi as contas dos dias que só fui fazer a primeira refeição às 9h da noite.

Eu e a Amanda, diga-se de passagem.

Naturalmente, estamos vivendo um momento delicado no mundo com a pandemia, então não pudemos ter ajuda nenhuma.

Um dia não é suficiente para cuidar do neném, arrumar a casa, trabalhar e ainda dormir em algum momento.

Felizmente, chegamos depois a um acordo de revezamento de sono que foi um grande alívio.

Como a Amanda acorda facilmente com os resmungos do Ravi, eu deixava ela sozinha no quarto e ficava com o Ravi. Fazia ele dormir e colocava no bercinho perto de mim.

Assim que ele acordava eu trocava fralda e levava pra a Amanda dar de mamá. Depois só pegava e repetia o processo. Assim ela só acordava para a tarefa de amamentação e já voltada pro sono.

Dava umas 6 da manhã eu ia dormir e ela assumia. Aí eu dormia direto até umas 2 da tarde.

Funcionou muito bem!

As recomendações são que nenéns não devem dormir sozinhos até pelo menso 6 meses de vida, então assim garantimos que ele não fica sozinho, mas que possamos dormir mais tranquilos.

Cada dia é um novo aprendizado nessa esfera e agora mesmo já estamos testando outros tipos de revezamento. Depois conto o resultado.

Amor

Ao falar tudo isso acima parece que ter filho é uma parada desesperadora né?

Mas tem algo que eu não acreditava que seria possível, mas é totalmente verdade:

Um olhar ou um sorrisinho desse serzinho faz tudo valer a pena.

É incrível.

O amor pode ser algo que vem “à primeira vista”, mas também pode ser algo construído com o tempo.

Não vou dizer que assim que ele saiu da barriga da Amanda eu já era completamente louco por ele ou nada assim. Seria mentira.

Eu senti algo diferente, mas foi com o cuidado todo dia, o carinho e o tempo que esse amor cresce e fica cada vez mais forte.

Já perdi a conta de vezes que fico ali só olhando para ele dormindo admirando. Ou então quando pega no colo e dá um sorrisinho banguela. Parece que bate direto no coração.

Se há pouco tempo eu já pensava “é só um filho e pronto, cabou”, agora já fico empolgado pensando na possibilidade de mais.

É clichê, mas é clichê por uma razão mesmo.

Cada dia é uma aventura diferente e tem me forçado a ser mais incisivo em minhas prioridades.

Se antes eu “perdia” tempo assistindo bobeira no YouTube, agora não consigo mais pois entendo que há coisas mais importantes para fazer, nem que seja dormir.

E isso eu acho muito positivo já que era uma batalha contra a procrastinação que é difícil de superar.

Vamos ver como os próximos episódios dessa saga acontecem. Tem vários aspectos dessa jornada que quero compartilhar aqui. Vacinas, ensino bilíngue, rotinas, atividades e várias outras coisas. Espero que goste e que também possa comentar aí com suas impressões e sugestões de assuntos.

Divirta-se!

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