O livro A Guerra da Arte, de Steven Pressfield, é uma leitura relativamente rápida e cheia de empurrões para nos tirar da procrastinação. De acordo com o autor, todos nós enfrentamos a chamada ‘resistência‘, que é exatamente essa força que nos impede de conquistar nossos objetivos e sonhos.

Nessa análise e resumo, vou passar pelos principais tópicos do livro e comentar um pouco sobre minha percepção pessoal do assunto.

A Resistência

Você já teve algum sonho ambicioso mas hesitou em agir para alcançá-lo? Talvez você quis escrever um livro ou começar uma startup inovadora, mas um certo sentimento te firmou num estado de inação? Esse sentimento é a resistência. É a força que nos eternamente nos priva de alcançar nossos sonhos e concluir aquilo que desejamos.

Qualquer coisa nova em nossas rotinas que nos tira do que consideramos como habitual é naturalmente acompanhado pela resistência.

Ela é uma força negativa e sempre se opõe a mudanças ou qualquer novidade.

Por exemplo, se você sente um chamado para começar um novo negócio, a resistência será a voz que surge para te dizer que deve continuar em seu trabalho atual e não tomar riscos em projetos que podem não dar certo. Se você deseja iniciar uma nova dieta, a resistência será a voz que te diz: “Posso sempre começar amanhã se hoje não der”.

O sentimento da resistência é perfeitamente normal. Ele é impessoal, universal e afeta todos nós. Aliás, a resistência não discrimina nem por interesse. Sentiremos a resistência se quisermos fazer algo para nós mesmos – como uma dieta – ou para ajudar os outros – como fazer caridade.

Precisamos aceitar que a resistência é natural e parar de pensar que ela nos escolhe pessoalmente.

De fato, a resistência afeta até pessoas com mais experiência que nós. Por exemplo, o ator Henry Fonda, mesmo em sua idade mais avançada, vomitava antes de toda performance que ia dar. Ser um ator consagrado não o privou de sentir medo toda vez que entrava no palco.

A resistência também pode se manifestar de várias maneiras. Medo de falhar, autoquestionamentos ou mesmo pela procrastinação. No entanto, nós podemos aprender como derrotar a resistência ao sempre mudar o foco para nossos sonhos e objetivos e nos comprometendo com nosso trabalho.

Desafiar a resistência é um processo natural e necessário para essa jornada.

Resistência nos atrapalha, mas podemos também usá-la

Há algo na sua vida que você sente que deveria fazer? Talvez escrever histórias ou criar um produto? Esse é o seu chamado:

Sua grande paixão que satisfaz a fome de sua alma.

Em geral, vivemos duas vidas diferentes, a vivida e a não vivida. Vivemos no dia-a-dia em nossa vida regular, mas temos outra vida não vivida, onde nossos sonhos continuam não realizados.

Por que você está aguardando o futuro para trabalhar em direção aos seus sonhos? Provavelmente porque você sente medo ou dúvida de si mesmo(a), ambos formas da resistência. A resistência nos priva de realizar nossos sonhos não vividos.

Por exemplo, se você sonha em se tornar um(a) autor(a), sentirá medo – talvez um medo da rejeição do público, editoras ou mesmo de não alcançar suas próprias expectativas. Esse medo pode te parar antes mesmo de começar a escrever.

Então, ao contrário de deixar a resistência lhe parar, devemos aproveitá-la. Está tudo bem sentir dúvidas ou medo pois essas emoções indicam que realmente nos importamos com esse sonho ou objetivo.

Você não ficaria com medo de falhar em algo que não fosse apaixonado(a) profundamente. O medo é um ótimo indicador de que seu sonho é importante o suficiente para ser buscado.

Mesmo pessoas bem-sucedidas sentem medo. Isso é ilustrado pelo sentimento muitas vezes expressado por atores de Hollywood. Muitos atores comentam que escolhem seus papeis baseados no medo que sentem, pois é um indicativo de que sentem uma paixão por aquela atuação.

Por isso, assim como os atores, podemos usar o medo para nos motivar em vez de sermos controlados por ele.

O profissional

Como você está buscando seus sonhos? Você tenta espremer algumas horinhas aqui e ali na sua semana? Se sim, esse é um erro. O jeito que deveríamos buscar pensar que estamos o tempo todo trabalhando nos nossos sonhos. Ficarmos imersos nessa busca, como um trabalho integral.

Você pode ser bastante criativo(a) em saber utilizar seu tempo de busca pelo seus sonhos, mesmo ainda tendo um trabalho regular. Por exemplo, Quentin Tarantino não foi para a universidade de cinama, mas trabalhou em uma loja de aluguel de filmes. Ele assistia filmes no trabalho e usava o seu ‘tempo livre’ para dirigir pequenos projetos. Uma vez, um de seus projetos foi destruído pelo fogo, mas em vez de se sentir como uma falha ele entendeu que mesmo que não tivesse completado o filme, o projeto ainda o ensinou mais do que qualquer universidade de cinema teria.

Uma pessoa como o Tarantino, que é dedicada e não desiste facilmente, é um exemplo de “profissional“. O seu comprometimento com seu ofício é a prova.

Você pode transferir suas habilidades e conhecimentos do seu trabalho do dia-a-dia para a busca de seus sonhos, mesmo que sejam em âmbitos diferentes. A autodisciplina é fundamental, mas se temos a capacidade de aguentar um dia de trabalho em um emprego que não gostamos, também devemos ter a capacidade de aproveitar cada momento livre para nos dedicar aos nossos objetivos.

Considere o autor Somerset Maugham, que uma vez foi questionado sobre sua rotina:

“Eu apenas escrevo quando estou inspirado. Felizmente, estou inspirado toda manhã às 9h”.

Essa é uma importante verdade sobre os profissionais: eles não esperam a inspiração, mas trabalham duro todos os dias.

Ser um profissional é se conhecer

Todo mundo sente medo dúvidas sobre a própria capacidade em alguns momentos. Isso é normal. E como não podemos eliminar essas emoções negativas, precisamos aprender a combatê-las.

Uma forma efetiva para isso é expandir o autoconhecimento juntamente com a clareza daquilo que acreditamos ser nossos objetivos e sonhos.

Pensando nisso, uma forma para aprender mais sobre nós mesmos é começar com nossas limitações. Não devemos ter a expectativa de fazer tudo sozinhos, então entender onde precisamos de ajuda vai facilitar encontrar as pessoas certas para nos acompanhar na jornada. Em especial, nos juntar com outros profissionais.

Profissionais podem, e devem, pedir ajuda. Saber o que delegar para quem, quando e como. Somente com o auxilio de outros teremos a capacidade de nos desenvolver em nossas próprias habilidades e ofícios.

Organização é a chave

Uma ferramenta muito importante também no caminho para derrotar a resistência é termos uma boa organização. Com organização e autodisciplina conseguimos formar nossas rotinas para que nos ajudem a concluir nossos objetivos.

Devemos focar no processo do trabalho e não ficar imaginando como será o resultado final. É aquilo que temos controle. Ao ter esse foco a resistência enfraquece.

Algo que também devemos ter em mente é que o processo é lento e precisamos ter paciência. Em vez de desistirmos quando cruzamos com problemas, podemos treinar para ver eles como desafios e pensar como vencê-los.

Oprah Winfrey é um ótimo exemplo de uma profissional que venceu os desafios. Em um momento de sua carreira, poucas pessoas tinham expectativa que um programa com uma mulher negra como protagonista iria ter sucesso. Em especial um programa que focava em falar de questões pessoais e emoções com seus convidados – algo que era incomum na época. No entanto, em alguns meses ele se tornou o programa mais visto nas manhãs dos Estados Unidos e ajudou dar espaço para pautas importantes que eram pouco discutidas, como obesidade de bullying.

Em vez de retrair ao enfrentar os críticos, Oprah usou essas críticas como motivação para trabalhar mais duro, como uma verdadeira profissional deve fazer.

Conclusão

Seja lá qual for seu sonho ou objetivo na vida, provavelmente você enfrentará a resistência. Essa força que nos coloca pra baixo, com medo e facilita a procrastinação.

Se desejamos ser bem-sucedidos em nossas buscas, precisamos primeiro entender como derrotar a resistência e é exatamente isso que faz desse livro uma importante leitura para quem está no caminho do autoconhecimento.

Eu li esse livro há uns anos, mas frequentemente me vejo voltando em alguns dos ensinamentos para voltar o foco para aquilo que realmente importa na vida e não me deixar levar por paralizações de medo ou dúvida.

Desde que estejamos movendo em direção aos nossos objetivos, mesmo que lentamente, estamos vencendo a resistência.

Divirta-se!