VoiceRun capta US$ 5,5 milhões para construir fábrica de agentes de voz

Nicholas Leonard e Derek Caneja queriam desenvolver agentes de voz com inteligência artificial, mas ao colocar a mão na massa perceberam que muitas dessas soluções apresentavam falhas de design. Enquanto algumas eram desenvolvidas com ferramentas no-code – o que acelerava a entrega para produção, mas comprometia a qualidade – outras eram criadas por empresas que dispunham de tempo e recursos para investir meses na construção de ferramentas especializadas. Segundo Leonard, desenvolvedores e empresas precisavam de uma alternativa, além da percepção de que o futuro do software seria “codificado, validado e otimizado por agentes de codificação”.

Esses dois insights, aliados a uma percepção histórica, inspiraram a criação do VoiceRun, conforme destacou Leonard, CEO da empresa, enquanto Derek Caneja atua como CTO.

No ano passado, eles lançaram a plataforma VoiceRun, que permite a desenvolvedores e assistentes de codificação lançar e expandir agentes de voz. Atualmente, muitas dessas plataformas low-code permitem que o usuário crie agentes por meio de diagramas visuais, onde fluxos de conversação são gerenciados por cliques e prompts inseridos em caixas definem o comportamento do agente – um método que pode ser difícil de controlar. Já o VoiceRun possibilita que os usuários programem exatamente como desejam que seus agentes se comportem, oferecendo maior flexibilidade na criação do produto. Leonard explica que “o código é a linguagem nativa dos agentes de codificação” e que esses farão um trabalho muito melhor operando em código do que em uma interface visual.

Além disso, enquanto as interfaces visuais oferecem opções limitadas de configuração – por exemplo, adicionar um dialeto diferente pode ser complicado se a funcionalidade não estiver prevista – a programação permite resolver essas necessidades de forma simples, contando com uma infinidade de exemplos para tarefas específicas que a interface visual não suporta.

Durante um evento realizado em San Francisco, entre 13 e 15 de outubro de 2026, o VoiceRun também demonstrou recursos como testes A/B e a implantação instantânea com apenas um clique. A plataforma é direcionada a desenvolvedores corporativos, auxiliando empresas a incorporar inteligência artificial em serviços como atendimento ao cliente ou a lançar produtos baseados em voz, como o caso de uma empresa de tecnologia para restaurantes que está desenvolvendo um concierge telefônico com IA para reservas.

A empresa anunciou, na última quarta-feira, o fechamento de uma rodada seed de investimento de US$ 5,5 milhões, liderada pela Flybridge Capital.

O setor de agentes de inteligência artificial vive alta competitividade. No ano passado, startups da área captaram bilhões de dólares, parte dos muitos recursos investidos em empresas de IA. Leonard afirma que o VoiceRun se posiciona entre dois extremos do mercado. De um lado, existem os construtores de voz no-code, que possibilitam a criação rápida de demonstrações; do outro, ferramentas mais sofisticadas – que oferecem total controle aos desenvolvedores. O VoiceRun se posiciona como uma solução intermediária, oferecendo infraestrutura global de voz e um ciclo de vida orientado por avaliações, ao mesmo tempo em que mantém o controle do código da lógica de negócio e dos dados nas mãos do cliente.

“A principal diferença é que estamos fechando o ciclo para o desenvolvimento completo de agentes de codificação. Esperamos que os desenvolvedores supervisionem esses agentes que escrevem código, realizam testes, implantam e sugerem melhorias”, afirma Leonard.

Em última análise, Leonard espera que o produto auxilie os desenvolvedores na criação de ferramentas capazes de tornar os agentes de voz mais funcionais, ajudando as pessoas a se sentirem mais confortáveis com a automação por voz. Atualmente, muitos clientes sentem alívio quando um ser humano atende, pois as soluções de voz automatizadas ainda se mostram frágeis e ineficazes.

Uma pesquisa realizada no ano passado mostrou que três quartos dos entrevistados preferem falar com um humano em questões de atendimento ao cliente. Leonard deseja mudar essa percepção, ressaltando que “agentes humanos hoje têm suas próprias limitações”, como barreiras linguísticas e a sensação de julgamento.

Ele conclui: “Houve excelentes carros antes do Modelo T, mas os veículos só se tornaram populares com a linha de montagem. Existem ótimos agentes de voz hoje, mas eles não serão onipresentes até que a fábrica de agentes de voz seja construída. O VoiceRun é essa fábrica.”