Visa investe na Replit para impulsionar pagamentos agenticos para desenvolvedores
A Visa anunciou um investimento não divulgado na plataforma de codificação com inteligência artificial, Replit. As duas empresas estão avaliando como integrar os produtos de pagamento da Visa à Replit, permitindo que os desenvolvedores – e os agentes de IA que eles criam – aceitem pagamentos diretamente dos clientes, sem necessidade de sair da plataforma.
A Visa informou que mais de 1.000 de seus funcionários já utilizam a Replit para prototipagem e desenvolvimento. Como parte dessa parceria, as empresas estão explorando de que modo os desenvolvedores na Replit poderão utilizar a suíte de pagamentos com tecnologia de IA da Visa, chamada Visa Intelligent Commerce, além do Visa Trusted Agent Protocol – um sistema que possibilita aos agentes de IA se identificarem de maneira segura, compartilhando informações sobre suas intenções e detalhes relevantes dos clientes, para que os pagamentos efetuados possam ser verificados e tenham confiabilidade. Todos esses projetos ainda estão em fase exploratória, e nenhum produto conjunto foi anunciado formalmente.
O investimento reflete uma corrida mais ampla para estabelecer a infraestrutura dos chamados pagamentos agenticos – um cenário em que agentes de IA compram e vendem em nome dos usuários. Além da Replit e da Visa, outras empresas de tecnologia também estão avançando rapidamente nesse setor. A plataforma de investimentos de varejo Robinhood agora deseja que os usuários utilizem agentes para negociar, enquanto o Google almeja que sejam implementados agentes para compras.
“Nos últimos meses, nossa presença no mercado corporativo tem crescido, e a entrada da Visa reforça nossa missão de tornar a codificação acessível a todos de maneira segura e robusta”, declarou Amjad Masad, CEO e fundador da Replit, em comunicado.
A Replit também está lançando um acesso corporativo self-service, que permite a empresas assinarem contratos de até US$ 200 mil sem a necessidade de contato com um vendedor. Essa modalidade conta com conformidade e controles de nível empresarial, incluindo SSO (single sign-on), que possibilita que os funcionários acessem diversas ferramentas com um único conjunto de credenciais, além de registros de auditoria e permissões avançadas.
“A contínua adição de clientes e parceiros no segmento empresarial, juntamente com nosso novo programa self-service, nos aproxima de um mundo onde qualquer equipe pode transformar uma ideia em um software pronto para produção de forma rápida e segura”, acrescentou Masad.
Com o aumento da demanda por plataformas de “vibe-coding”, as avaliações de startups como Replit, Cursor e Lovable dispararam, assim como o interesse dos investidores. Em setembro do ano passado, a Replit alcançou uma avaliação de US$ 3 bilhões. Seis meses depois, em março, a empresa levantou US$ 400 milhões em uma Série D, liderada pela Georgian Partners, atingindo uma avaliação de US$ 9 bilhões – triplicando seu valor em menos de seis meses.
Em maio, durante um evento em San Francisco, Masad ressaltou que a taxa de cancelamento da Replit é muito baixa e que os clientes permanecem fidelizados. “O churn é muito, muito baixo, e a retenção líquida é incrivelmente alta – chegando a 300% em alguns casos. O que realmente ouvimos dos clientes é que, quando os engenheiros ficam nervosos e tentam reconstruir um aplicativo utilizando uma pilha própria, muitas vezes acabam piorando a situação. Assim que as empresas se familiarizam com todo o ecossistema da Replit – especialmente quando configuramos um ambiente single-tenant para elas – os aplicativos permanecem na plataforma”, afirmou.
