Uma missão para capturar imagens impressionantes do Sol recebe seus primeiros testes
Confira a vibrante primeira foto do PUNCH, uma missão da NASA que já está a mil com algumas imagens incríveis do Sol.
PUNCH — sigla para Polarímetro para Unificar a Coroa e a Heliosfera — foi lançado em órbita terrestre baixa no mês passado e já capturou suas primeiras imagens, dando início a um período promissor de descobertas científicas.
A missão é composta por quatro satélites que orbitam entre si, formando uma constelação. Esses instrumentos, do tamanho de uma mala, juntos formam um detector de clima espacial com 12.900 quilômetros de largura. O objetivo do PUNCH é observar como a coroa solar se transforma em vento solar, ou seja, nas partículas energeticamente carregadas emitidas pelo Sol que geram auroras na Terra.
Após algumas semanas organizando seus equipamentos, os quatro satélites já começaram a capturar imagens. “Todos os quatro instrumentos estão funcionando conforme o planejado”, afirmou Craig DeForest, investigador principal da missão, em comunicado do Southwest Research Institute. “Estamos entusiasmados para finalizar o comissionamento orbital e colocar essas câmeras para trabalhar em conjunto.”
As câmeras do PUNCH — seu coronógrafo e imagiadores — foram projetadas para observar as extremidades mais tênues da coroa solar e do vento solar, características difíceis de detectar devido ao intenso brilho do Sol.
O vento solar se expande a mais de 1,61 milhão de quilômetros por hora e suas características brilham com menos de 0,1% da luz da Via Láctea. No processo de captura de imagens, o PUNCH precisa eliminar a luz de estrelas distantes, o brilho refletido pela poeira interplanetária e o ruído digital padrão.
Além disso, os motores-foguete do PUNCH, do tamanho de copos de shot e movidos a água, são surpreendentes. Esse pequeno impulso — equivalente a dois centímetros por segundo — é suficiente para manter a constelação em órbita estável. “O PUNCH é a primeira missão espacial a utilizar esse tipo de motor, que emprega um propelente seguro, inerte e não tóxico”, explicou DeForest. “Essa segurança e estabilidade compensam a complexidade adicional dos propulsores em comparação com os motores convencionais movidos a hidrazina.”
Esse é apenas o prelúdio do grande espetáculo do PUNCH. As espaçonaves estão passando por um período de comissionamento de 90 dias, e a missão científica terá início somente em junho. Entretanto, esses primeiros passos são fundamentais para garantir que o PUNCH filtre adequadamente toda a luz que, de outra forma, poderia comprometer a observação do vento solar. O suave brilho na imagem inicial — a primeira luz dessa espaçonave promissora — resulta do reflexo sobre partículas de poeira que circulam ao redor do Sol.
Ao auxiliar os pesquisadores na preparação para o vento solar e tempestades solares, o PUNCH se torna crucial. Esses eventos podem interferir em equipamentos eletrônicos na Terra, inclusive na rede elétrica, exigindo que os cientistas se mantenham atualizados sobre as dinâmicas mais recentes da superfície do nosso astro.
