Na quinta-feira, a Windsurf, uma startup que desenvolve populares ferramentas de inteligência artificial para engenheiros de software, anunciou o lançamento de sua primeira família de modelos de IA voltados para a engenharia de software, ou SWE-1, para abreviar. A empresa afirma ter treinado sua nova família de modelos de IA — SWE-1, SWE-1-lite e SWE-1-mini — para otimizar todo o processo de engenharia de software, não se limitando apenas à codificação.

Esse lançamento pode surpreender alguns, já que, segundo informações, a OpenAI teria fechado um acordo de US$ 3 bilhões para adquirir a Windsurf. Contudo, a apresentação desses modelos indica que a startup está buscando expandir suas atividades, passando a desenvolver não apenas aplicações, mas também os próprios modelos de inteligência artificial que as alimentam.

De acordo com a Windsurf, o SWE-1, o maior e mais robusto modelo do conjunto, apresenta desempenho competitivo com outros modelos de renome, alcançando resultados comparáveis aos do Claude 3.5 Sonnet, GPT-4.1 e Gemini 2.5 Pro em testes internos de programação. Apesar disso, o SWE-1 ainda fica atrás dos modelos de ponta, como o Claude 3.7 Sonnet, em funções relacionadas à engenharia de software.

A Windsurf informa que os modelos SWE-1-lite e SWE-1-mini estarão disponíveis para todos os usuários em sua plataforma, sejam eles gratuitos ou pagos. Já o modelo completo, SWE-1, ficará restrito aos usuários pagantes. Embora os preços do SWE-1 ainda não tenham sido anunciados, a empresa destaca que seu custo operacional é inferior ao de modelos concorrentes como o Claude 3.5 Sonnet.

A startup se destaca por oferecer ferramentas que permitem aos engenheiros de software escrever e editar código por meio de conversas com um chatbot de IA, prática conhecida como vibe coding. Entre as outras startups que atuam nesse segmento, podem ser citadas a Cursor, considerada a maior do ramo, e a Lovable. Tradicionalmente, muitas dessas empresas, incluindo a Windsurf, têm dependido de modelos de IA desenvolvidos pela OpenAI, Anthropic e Google para alimentar suas soluções.

Em um vídeo que anunciou os novos modelos SWE, Nicholas Moy, chefe de Pesquisa da Windsurf, destacou os esforços da empresa para diferenciar sua abordagem. Segundo ele, “os modelos de fronteira de hoje são otimizados para a codificação e avançaram massivamente nos últimos anos, mas isso não é suficiente para nós. Codificação não é engenharia de software.”

A Windsurf ressalta, em seu blog, que apesar de outros modelos serem eficientes na escrita de código, estes geralmente não conseguem transitar entre múltiplas interfaces — como terminais, ambientes de desenvolvimento (IDEs) e a internet — como os programadores fazem. Para superar essa limitação, o SWE-1 foi treinado com um novo modelo de dados e uma “receita de treinamento que encapsula estados incompletos, tarefas de longa duração e múltiplas superfícies”.

A startup descreve o SWE-1 como sua “prova de conceito inicial”, sugerindo que novos modelos de inteligência artificial poderão ser lançados no futuro.