Quem Escreveu Esse Título? Talvez um Robô.

A inteligência artificial revolucionou as redações, despertando uma profunda reflexão na indústria sobre seu potencial e suas armadilhas. Ferramentas desenvolvidas por empresas como OpenAI e Google têm sido amplamente adotadas pelas organizações jornalísticas ao redor do mundo para otimizar processos que antes demandavam horas de trabalho, como filtrar grandes volumes de informações, localizar fontes e até mesmo sugerir manchetes.

Ryan Sabalow, repórter da CalMatters, percebeu algo inusitado ao iniciar suas coberturas dos legisladores californianos em 2023. Os políticos frequentemente faziam discursos apaixonados contra projetos de lei, mas, em seguida, evitavam votar. Essa prática despertou sua curiosidade sobre com que frequência os legisladores evitavam decisões difíceis e qual seria o impacto disso na legislação do estado.

No passado, essas indagações levavam Sabalow a percorrer salas de arquivos ou a analisar minuciosamente planilhas de dados. Com o surgimento da era da inteligência artificial generativa, bastava fazer uma consulta ao sistema. Ele e sua equipe recorreram à ferramenta Digital Democracy, que monitorava cada palavra proferida nas sessões legislativas da Califórnia, além de registrar todas as doações e votos. Essa investigação resultou tanto em um artigo aprofundado quanto em um segmento premiado pela Emmy, revelando que parlamentares democratas impediram a aprovação de um conhecido projeto de lei sobre fentanil ao, simplesmente, abster-se de votar.

A inteligência artificial vem transformando a forma de coletar e disseminar informações, alterando o cotidiano dos profissionais de jornalismo. Diversas publicações tradicionais têm explorado o uso da IA para a elaboração de artigos completos, utilizando a tecnologia para criar rascunhos que posteriormente são refinados por jornalistas.