E-mail – Reflexão da semana #05. Enviado em 19 de Março de 2019.

Olá, tudo bem?

Não posso deixar de começar esse e-mail com um novo agradecimento a todos que responderam ao último! Incrível receber tanta mensagem bacana e histórias sensacionais. Gratidão imensa pelo carinho 🙂

No e-mail de hoje quero compartilhar uma reflexão que ando tendo no relacionamento com clientes, com amigos, com a família e, talvez principalmente, comigo mesmo.

Qual é o seu padrão da primeira resposta?

Qual a sua primeira reação ao encontrar alguém diferente? Ou então como pensa quando se vê em uma situação que discorda da ação de uma outra pessoa? Em especial, como reage quando é confrontado(a) com alguma situação que te tira do estado sereno da mente?

Com desespero, com crítica, com compaixão, com pessimismo, com otimismo, com a intenção de querer o bem do outro, com a vontade de ensinar algo, de perguntar, com um autoquestionamento?

Imagine as seguintes situações.

  • Você está dormindo e é acordado por uma chamada no seu celular de um número desconhecido.
  • Você chegou em casa, procurou na sua bolsa a chave mas não a encontrou no lugar ‘de sempre’.
  • Você está em uma festa e alguém que conhece lidou com o filho de uma maneira que você não concorda ou acha legal.
  • Em uma conversa no trabalho você é chamado para falar sobre um assunto do qual não faz ideia.
  • Você acaba de saber que o presidente eleito não foi o que gostaria.

Esses são apenas alguns exemplos das dezenas ou centenas de vezes por dia que temos a oportunidade de observar como é nosso padrão da primeira resposta com as situações da vida.

Gosto de pensar que toda situação começa com uma percepção e resposta inconsciente, condicionada ou automática da nossa mente com realidade. Logo em seguida nossa razão/consciência entende o que estamos fazendo e temos a oportunidade de ou aceitar ou questionar aquela primeira forma de pensar naquele momento.

Essa reação, ou padrão de resposta, é esse momento inconsciênte que ainda não passou pelo filtro da nossa razão.

Mas por que isso é importante?

Esse jeito de agir anterior à consciência e proveniente dos filtros sociais, culturais e emocionais nos mostra muito sobre nossa confiança, nossos desejos e nossos desafios.

Por sua vez, entender dos nossos desejos e também compreender o que motiva as ações das pessoas nos faz ser mais pacientes e compreensivos com a gente e com os outros.

Vamos aproveitar as situações que coloquei acima. Se você é acordado no meio da noite por um telefonema, qual será o primeiro pensamento (junto com o provável susto)?

“Algo deu errado”
“Trote”
“Que saco, fui acordado”
“Nem quero saber, vou desligar”
“Quem será e por que ta ligando agora?”
“Será que já é cedo e eu dormi demais e por isso alguém está me ligando?”
“Aconteceu alguma coisa com alguém da minha família”

Além disso, qual o sentimento que acompanha esse pensamento?

Alerta, descaso, curiosidade, dúvida, raiva, medo ou desespero?

Talvez um primeiro pensamento de “Que saco” junto com um sentimento de tranquilidade mostre que você está em paz com a vida porém autocentrado demais. Já um de “Algo deu errado” junto com o sentimento de desespero mostra que há em você uma inquietação indicando insegurança em alguma outra área da vida.

Tudo especulação. No entanto, aqui não lidamos com verdades e sim formas de refletir sobre a vida, não é mesmo? Então continuamos.

Puxando rapidamente um outro exemplo. Você está em uma festa e vê algum conhecido lidando com o filho de um jeito que você não concorda. Vamos dizer que esse pai está brigando na frente de todo mundo com o menino e você acha que o correto é fazer esse tipo de coisa de forma mais privada.

Qual o seu primeiro pensamento?

“Ele está fazendo errado”
“Que absurdo”
“Tadinha da criança”
“Estou desconfortável com isso”
“Vou intervir”
“Vou fingir que não to vendo”
“Depois vou perguntar se posso dar uma dica de como lidar”

Qual o sentimento que acompanha?

Inquietação, raiva, injustiça, pena, amor, tristeza?

Seguindo a mesma forma de analisar, imaginamos um primeiro pensamento de “Vou intervir” com o sentimento de injustiça. Eu diria que esse tipo de primeira reação pode ter muito a ver com um sentimento de inferioridade/opressão em alguma área de vida que leva à necessidade de intervir e sentir que sabe mais sobre aquela situação do que o pai. Quem sabe é até um reflexo de um trauma que não gostava quando criança que não gostava que fazia isso.

Esse tipo de reação acontece muito com aquele tipo de pessoa que tem a “síndrome do expert”. Ao considerar que sabe qual é o melhor caminho e o “jeito certo” de fazer algo, externalizamos isso para os outros como se fosse quase fazendo um favor ao compartilhar o conhecimento.

Novamente, tudo especulação.

Hoje vou propor um exercício.

Primeiro desafio:Tente aproveitar as inúmeras oportunidades no seu dia para observar como você primeiro considera uma determinada situação. Use o momento em que a razão toma conta depois da primeira reação para se questionar e não simplesmente aceitar suas ações ou pensamentos.

Sentiu algo estranho, ruim ou feliz? Por que?
Partiu para “ensinar” algo para outra pessoa com sua opinião? Por que essa pessoa deve te ouvir? Por que sua opinião importa? Por que sua forma de fazer é melhor?

O primeiro passo para entender as outras pessoas é nos entender.

O segundo desafio, portanto, é observar os padrões de resposta dos outros. Em vez de partir para um julgamento das ações sobre o que outras pessoas estão fazendo, tente elaborar a linha de raciocínio daquele padrão de resposta alheio. Por que a pessoa fez isso? O que será que faz a ação “automática” dela ser assim?

Como estou falando de “qualquer tipo de ação”, o que não falta é oportunidade no dia a dia para testarmos isso. É o colega de trabalho que precisou contar uma piada machista, é a mãe que pediu para você pegar algo que estava ao lado dela por preguiça ou mesmo uma discussão com um amigo.

Depois que fizer o desafio, me conta como foi! Quero saber se esse tipo de exercício fez sentido para você como fez para mim. É só responder esse e-mail mesmo 🙂

Um abraço,
André

Divirta-se!