Spotify pode ser sinônimo de streaming de música, mas também conta com um popular serviço para desenvolvedores chamado Backstage. Esse projeto de código aberto ajuda empresas a construir seus próprios portais internos para desenvolvedores, exibindo um catálogo de ferramentas, visualizações dos trabalhos realizados e outras métricas. Contudo, como muitos projetos open source, o Backstage é uma solução que precisa ser construída de forma personalizada.

A startup israelense Port vem conquistando clientes de peso, como GitHub, British Telecom e LG, com um concorrente proprietário do Backstage: um portal voltado para ferramentas de desenvolvimento que agora também é preparado para gerenciar agentes de inteligência artificial.

Na última quinta-feira, a Port, fundada em 2022, anunciou que arrecadou US$ 100 milhões em uma rodada Série C liderada pela General Atlantic, com a participação de Accel, Bessemer Venture Partners e Team8. Essa rodada valoriza a empresa em US$ 800 milhões, elevando seu total de investimentos para US$ 158 milhões. O financiamento vem após uma Série B de US$ 35 milhões, anunciada em maio.

Entre as diversas áreas influenciadas pela tecnologia baseada em modelos de linguagem, a programação é onde ela encontrou raízes mais profundas. Não surpreendentemente, os desenvolvedores estão na vanguarda na criação e adoção de agentes capazes de automatizar processos repetitivos – indo muito além do simples ato de pedir que a inteligência artificial escreva código.

Entretanto, o desafio para esses agentes nas empresas, segundo o cofundador e CEO Zohar Einy, é comparável ao Velho Oeste: localizá-los, compartilhá-los e garantir que seus trabalhos sigam os padrões da organização.

Os desenvolvedores querem aproveitar a inteligência artificial para resolver incidentes, questões de segurança e gerenciar o lançamento de produtos. Einy afirma que “os engenheiros necessitam de uma interface que possibilite controlar o agente, iterar com ele e aprovar tudo o que não envolve a escrita de código – ou seja, os outros 90% do trabalho”.

Quando agentes se conectam a diversas ferramentas e fontes de dados, muitas vezes dispersas e sem uma forma de colaboração que siga padrões corporativos, o resultado pode ser o caos.

A Port, portanto, oferece mais que um simples catálogo de ferramentas e agentes. Ela disponibiliza uma camada de orquestração que inclui funcionalidades para medir o desempenho dos agentes e inserir, quando necessário, uma intervenção humana nos processos de aprovação.

Um recurso chamado “context lake” define as fontes de dados, a memória de contexto e os limites para os agentes, permitindo gerenciar o que eles “precisam saber” para desempenhar suas funções de forma segura e correta.

Além de catalogar os agentes já criados pelos desenvolvedores com outras ferramentas, a Port possibilita a criação de novos agentes. A empresa também conta com alguns agentes prontos, capazes de, por exemplo, resolver tickets de suporte e gerenciar o provisionamento.

Com um capital recém-injetado, clientes de peso e investidores de primeira linha, a Port se destaca como uma startup de gestão de agentes a ser observada. Contudo, afirmar que ela enfrenta competição seria pouco, pois o segmento de gestão e orquestração de agentes está repleto de concorrentes, desde gigantes da tecnologia até startups emergentes, cada um abordando os desafios do setor por diferentes ângulos. Entre eles, destacam-se concorrentes como LangChain, UiPath, Cortex e outros.

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