O fundador da Y Combinator diz que e-mails de fundadores escritos por IA parecem mentira
O fundador da Y Combinator, Paul Graham, não lê e-mails escritos por IA. Cada vez mais fundadores têm lhe enviado mensagens com um estilo jornalístico contundente, segundo Graham.
“Assim que você percebe que algo foi escrito por IA, é difícil não ignorá-lo”, afirma Graham. Ele conta que nunca terminou de ler um e-mail que portasse o nome de uma pessoa, mas que fosse claramente gerado por IA. “Parece uma mentira.”
Graham defende que a IA deve ser utilizada, mas da forma correta. Caso contrário, isso o faz pensar menos do autor, sugerindo que a pessoa não consegue escrever bem sem ajuda ou acredita que não conseguiria, recorrendo à máquina para tentar enganá-lo. Segundo ele, deixar que a IA escreva por você não é impressionante – qualquer adolescente é capaz disso.

Graham se depara com dois fenômenos estudados por pesquisadores: a desvalorização social e a perda de confiança.
O uso inadequado de IA mina a confiança
Um estudo realizado pela Ohio State University com 208 participantes constatou que os destinatários avaliam as mensagens geradas por IA de forma mais crítica, pois percebem que o remetente delegou a tarefa à máquina em vez de se dedicar pessoalmente à escrita.
O autor principal do estudo, Bingjie Liu, afirma que o uso de IA passa uma impressão de preguiça e falta de sinceridade, fazendo com que os destinatários se sintam menos seguros e satisfeitos em sua relação com o remetente. Liu também suspeita que as pessoas realizem, de forma inconsciente, um “teste de Turing” mental, na tentativa de identificar traços característicos da IA nas mensagens.
Essa percepção se alinha com o que Graham relata. Quando o uso de IA é detectado, a atenção deixa de se concentrar no conteúdo da mensagem e passa a questionar o quanto o remetente realmente se importa com o destinatário.
Pesquisadores da BetterUp Labs, em parceria com o Social Media Lab de Stanford, entrevistaram 1.150 funcionários dos Estados Unidos. Segundo os resultados, 40% dos entrevistados afirmaram receber regularmente conteúdos superficiais e desprovidos de substância produzidos por IA de colegas de trabalho.
As consequências sociais são evidentes: 53% dos participantes relataram se sentir irritados com esse tipo de conteúdo, quase metade avaliou os emissores desses e-mails como menos criativos, menos competentes e menos confiáveis, e 42% os consideram menos dignos de confiança. Um terço dos entrevistados chegou a afirmar que preferiria trabalhar menos com esses indivíduos no futuro.
Os pesquisadores distinguem entre os “pilotos”, que utilizam a IA com propósito e autonomia, e os “passageiros”, que se valem da tecnologia basicamente para evitar trabalho. Graham, ao que tudo indica, classifica os fundadores que enviam e-mails gerados por IA na segunda categoria.
