Se você é um(a) profissional autônomo ou freelancer e está sendo bem sucedido(a) em seu trabalho, pode se que está em uma situação de dúvida.

Pegar mais trabalhos e contratar outros profissionais ou restringir o volume de trabalho.

A partir do momento que a “roda da recomendação” está funcionando, é bem provável que você receba mais oportunidades de trabalho do que consiga gerenciar.

Quando isso acontece, a primeira coisa que acaba acontecendo – pelo menos comigo – é uma breve desorganização. Empolgado com a situação, pegamos todos os projetos e chegando perto da entrega vemos que na verdade não estamos dando conta.

Ganhamos mais dinheiro, mas nos estressamos bastante para conseguir terminar os projetos. Dependendo, até atrasamos algumas entregas.

Aí na próxima leva, aprendendo com o erro, aumentamos o preço. Dobramos ou triplicamos se necessário.

Menos projetos são aceitos, gastamos menos tempo executando e continuamos ganhando melhor como no momento de boom anterior.

Depois, os bons clientes que pagaram um valor melhor começam a nos recomendar para outros do mesmo “nível”. O que acontece é novamente um aumento do número de clientes.

E nesse momento temos novamente a opção de aumentar nosso preço ou, quem sabe, contratar alguém para trabalhar junto.

Nesse ponto temos o dilema, mas antes quero comentar um pouco do por quê não é uma boa ideia expandir antes de aumentarmos o preço.

Expandir sem aumentar o preço

Normalmente, o valor cobrado por um profissional autônomo ou freelancer no início ou até meio de sua carreira é menor do que uma empresa mais estruturada cobra pelo mesmo serviço.

Durante boa parte da minha carreira como desenvolvedor web freelancer, agências me passavam trabalhos e cobravam de seus clientes um valor bem acima.

Inclusive, me lembro de fazer alguns benchmarks em 2015 quando uma agência cobrava R$ 20 mil para fazer um site que, como freelancer, eu cobrava no máximo R$ 3 mil.

Essa diferença não quer dizer que a qualidade será ruim, mas sim que são tipos diferentes de clientes que contratam.

Do ponto de vista da empresa, é necessário cobrar mais caro para pagar os funcionários e ter lucro. Do ponto de vista do cliente, é interessante ter uma empresa mais estruturada por trás para gerar confiança e também, dependendo, a ‘grife’ da empresa para poder dizer que fez o trabalho no mesmo lugar de outras empresas relevantes.

Para nós freelancers, cobrar os R$ 3 mil não é algo ruim, pois podemos ter alguns desses por mês e, como indivíduos, viver com um salário bom.

Porém, se pensamos em expandir nosso negócio com essa mentalidade, rapidamente verá a necessidade de cobrar mais caro quando se tem funcionários e uma empresa para gerir.

Mesmo pegando um volume maior de projetos, provavelmente o valor que cobra como freelancer “normal” não é suficiente para sustentar todas as taxas e salários dos profissionais sem que tenhamos que abrir mão de nossos próprios salários.

Naturalmente, dei um exemplo do valor na minha área, mas aqui você pode substituir pela sua realidade no serviço que oferece. Possivelmente, há uma empresa na sua área que cobra muito mais caro do que você oferecendo o mesmo serviço.

Depois que dobramos ou triplicamos nosso valor, o que acontece é que passamos a lidar com o tipo de cliente que está acostumado(a) a pagar mais caro pelas coisas e possui mais recursos financeiros.

E aí sim começamos a ter a capacidade de expandir com mais segurança pois já teremos uma base mais sólida de recomendações e de noção da nossa persona ideal para também campanhas de publicidade.

Expandir e virar uma empresa

Como você deve imaginar, mudar de freelancer para empresa é uma tarefa complexa, mas o primeiro desafio é um que talvez seja menos aparente.

A nossa percepção do negócio.

Como profissional autônomo, estamos acostumados a ser livres em nossas decisões.

  • Queremos dar um desconto? É fácil.
  • Quer aumentar o escopo do projeto? Tranquilo.
  • Não quero mais trabalhar com esse cliente? Tchau cliente.
  • Quer tirar férias e parar de pegar projetos durante umas semanas? Bem possível.

No entanto, essas liberdades começam a desaparecer a partir do momento que precisamos não só nos sustentar, mas sustentar uma empresa e seus funcionários.

A percepção do que podemos ou não fazer tem que mudar, senão o que acontece é o crescimento de uma empresa desorganizada e altamente dependente de seu/sua fundador(a).

Se não temos a clareza de que agora as coisas são diferentes, em vez de ser uma oportunidade de ganhar mais e impactar mais pessoas com o trabalho, se torna a pior decisão já tomada.

Nesse caso, minha sugestão é refletir bastante sobre a sua capacidade de lidar com responsabilidades.

Responsabilidade pelo negócio, pelo seu crescimento e pela sua manutenção. Responsabilidade também de carregar o sustento de outras pessoas e suas famílias.

No final das contas, por mais que seja importante falar de formas de sempre ter clientes como uma empresa, precificação e outros, o mais importante aqui é a mentalidade do empreendedorismo. É bem diferente da mentalidade do freelancer.

Se você está em paz com isso e empolgado(a) para expandir como empresa, aí provavelmente sua jornada será mais bacana.

Continuar aumentando o preço

Caso não ache uma opção tão legal contratar outras pessoas, ainda há maneiras de você progredir como profissional autônomo ou freelancer.

Basicamente, a ideia é continuar aumentando o preço e se posicionando como um(a) profissional reconhecido. Um(a) especialista que sempre está com agenda cheia, mas que, para o cliente, sempre vale a pena a espera pela qualidade da entrega e pela sua assinatura no final.

É nos tornar aquele tipo de profissional que é reconhecido pela sua marca pessoal.

Esse é um caminho que acho bastante interessante, mas confesso que não é o que mais me atrai pois não sou o tipo de profissional que tem o intuito de passar uma vida refinando e refinando um mesmo tipo de trabalho. Prefiro me transformar e mudar o tipo de trabalho que faço constantemente.

No entanto, é o tipo de caminho que realmente leva um profissional ao seu ápice e maestria.

Conclusão

Todas as opções a partir do momento que temos abundância de oportunidades são, querendo ou não, positivas. O mais difícil da jornada freelancer já passou e agora o que o que temos são os ‘problemas bons’.

A decisão de expandir ou não em si vai depender muito mais do tipo de pessoa que você é e como pretende viver sua vida. Todos os caminhos são válidos e são legais.

Faz sentido? Me conta abaixo nos comentários.

Divirta-se!