Melanie Mitchell acusa colunista do NYT Thomas Friedman de “pensamento mágico” sobre IA

A cientista cognitiva Melanie Mitchell se posiciona contra as recentes colunas do New York Times do escritor Thomas Friedman, criticando a forma como ele retrata a inteligência artificial avançada.

Em seus textos, Friedman defende uma colaboração estreita entre os Estados Unidos e a China na regulação da IA e alerta para a aproximação de uma “superinteligência”. Grande parte de sua argumentação baseia-se em comentários de seu amigo, Craig Mundie, ex-executivo da Microsoft, e em reportagens veiculadas pela mídia. Mitchell ressalta que tais afirmações carecem de embasamento científico; aos seus olhos, exemplos como a IA “ensinando a si própria” novos idiomas ou chatbots seguindo agendas próprias podem ser explicados pelo treinamento com dados e já foram desmentidos.

Para Mitchell, a visão de Friedman se assemelha a um “pensamento mágico”. Ela argumenta que, ao atribuir poderes misteriosos à IA – que na verdade derivam dos dados humanos e de mecanismos relativamente simples –, há o risco de esses mitos influenciarem a compreensão pública sobre a tecnologia. Em vez de cenários especulativos, Mitchell defende que se priorize um realismo fundamentado em fatos e uma regulação conduzida por humanos.