O livro Linchpin do Seth Godin é um daqueles livros que elevam nossa energia. Seth, através de seu jeito inteligente e criativo de escrever, valoriza pessoas que desejam ser artistas. Não o tipo de artista que cria música, pintura ou dança, mas quem lida com seu trabalho de um jeito inovador buscando a melhora do mundo de alguma forma.

Nessa análise e resumo do livro, vou te contar os principais pontos do livro juntamente com algumas percepções pessoais.

Você é substituível?

Do ponto de vista de uma empresa tradicional, que contrata seus funcionários, todos os trabalhadores são iguais. Não possuem habilidades diferentes e não há razão especial em escolher um ou outro para assumir um determinado cargo.

Pode ser o Heitor, pode ser a Clara ou o Arthur, o escolhido vai apenas ser o sortudo que ganhou a vaga – que paga seu salário mínimo.

A revolução industrial trouxe a compreensão de que não há necessidade de se ter um funcionário super habilidoso para se produzir produtos complexos. Na verdade, toda linha de produção pode ser dividida em pequenos passos e procedimentos tão simples que qualquer um pode realizar com o mínimo de treinamento.

Como no livro do Adam Smith o autor expressa, dez trabalhadores com pouco treinamento e habilidades – e por isso mal pagos – dentro de uma fábrica podem produzir mil vezes mais alfinetes do que um trabalhador super treinado e habilidoso.

É por isso que muitos trabalhos em indústrias são simples, bastando o funcionário comparecer em seu trabalho e seguir instruções claras – como engrenagens numa máquina.

Se você é um trabalhador desse tipo, o problema é que você é muito fácil de ser substituído(a) e certamente não está em uma boa posição para negociar um aumento no seu salário.

Uma consideração importante é como as empresas do primeiro mundo foram e ainda estão sendo terceirizadas para a Ásia, onde as pessoas são igualmente capazes de seguir instruções simples e cobram uma fração do valor esperado nos países mais ricos. Até mesmo empregos que, em teoria, são mais à prova de terceirização estão sendo levados para fora – como secretárias, desenvolvedores, designers e outros.

Todo trabalhador que está acostumado a só chegar num trabalho e ser mandado o que fazer está com os dias contados para serem substituídos.

Trabalhos que envolvem apenas seguir instruções podem ser feitos por qualquer um e em qualquer lugar. Hoje, se o seu trabalho é só seguir instruções, você é substituível.

Linchpins são indispensáveis

Há uma enorme quantidade de pessoas para as quais trabalho significa aparecer no escritório por X horas por dia e, em troca, receber um salário. Eles enxergam seus trabalhos como ações frustrantes e tediosas, algo necessário em suas vídas.

E advinha? Essa falta de motivação não passa despercebida pela gestão e, quando os tempos ficam, difíceis essas pessoas são as primeiras a serem demitidas.

Esse exército de ‘drones’ geram uma oportunidade para aqueles que se recusam a ser imperceptíveis. Esses são chamados de Linchpins (Eixo, na tradução literal) e são indispensáveis para suas empresas.

Você não precisa ser o dono da empresa para ser um Linchpin. Imagine um barista super simpático, que sempre realiza um excelente trabalho e fideliza clientes regulares com sua excelência. Esse barista é um Linchpin, pois a cafeteria não conseguiria facilmente encontrar alguém com uma paixão tão grande pelo café e atendimento para o substituir.

Linchpins são como artistas e colocam toda sua energia, coração e espírito no seu trabalho. Eles não precisam de instruções detalhadas de gestores, pois encontram seus próprios caminhos para solucionar os problemas e fazer seus trabalhos.

Enquanto outros ficam nas periferias, Linchpins se destacam. Essas habilidades fazem os Linchpins não serem só um pouco mais valiosos para suas empresas do que trabalhadores comuns, mas sim centenas de vezes mais valiosos.

Assim, Linchpins sempre encontram trabalho e são tratados de forma justa – apenas uma empresa burra perderia um Linchpin. E quando um Linchpin procura por um novo trabalho, normalmente sua reputação a posiciona em situações que vai ser cobiçada .

Linchpins são indispensáveis, então acabam sempre ganhando os melhores trabalhos.

O cérebro reptiliano está te atrapalhando

Se tornar um Linchpin significa ser corajoso(a) o suficiente para se destacar na multidão. Mas por que isso é tão difícil? Por que muitos de nós se retrai?

O cérebro humano evoluiu em estágios e uma de suas partes mais antigas é chamada de cérebro reptiliano. Ele é responsável pelas emoções mais primitivas como medo, fome e raiva e for imprescindível para nossa sobrevivência. Por exemplo, ao nos dizer para correr de um tigre dente de sabre.

Por esse papel ter sido tão importante para a sobrevivência de nossos ancestrais, o cérebro reptiliano ainda exerce uma influência grande em nosso pensamento mais racional.

Hoje, no entanto, essa influência pode ser detrimental. Quando devemos nos levantar e dar um discurso, por exemplo, o cérebro reptiliano fica furioso e grita pelo medo: “Não se coloque no palco onde pessoas podem rir de você, gritar com você ou te atacar!”.

De forma similar, se você quiser se destacar como um Linchpin, seu cérebro tentará te boicotar com dúvidas e medo. Seu cérebro quer que você seja medíocre, pois é o jeito que ele sobreviveu até o momento; se escondendo de predadores.

Inclusive, é provável que seu cérebro reptiliano gere uma variedade de desculpas e justificativas do por quê você não pode ser um Linchpin, como:

  • Você não tem tantas boas ideias
  • Você não sabe o que fazer
  • Seu chefe nunca te deixaria
  • Deixa isso pra depois, vá ‘procrastinar’ agora

Basicamente, ele fará de tudo para garantir que você não altere o status quo e se torne algo novo e doido.

O cérebro reptiliano gera medo para te impedir de se tornar um Linchpin.

Trabalho emocional

Nem todos os artistas são pintores, escultores ou compositores. Qualquer um que transforme os outros dando um presente emocional é um artista.

Um representante do atendimento ao consumidor que usa seu sorriso e charme para transformar um cliente furioso em um fan da empresa é tão artista quanto Picasso.

De forma similar, o fundador da loja online Zappos, Tony Hsieh, é um artista do serviço ao consumidor.

Você pode ser um(a) artista em seu trabalho também, mas não se você apenas comparecer nele e resistentemente fazer o mínimo até voltar pra casa no fim do dia.

Fazer arte demanda o que é chamado de Trabalho Emocional: o investimento de suas próprias emoções no seu trabalho para proporcionar criatividade e generosidade. O que também significa tomar atitudes autonomamente sem instruções claras a seguir.

Isso não é fácil e é por isso que muitos evitam.

Por exemplo, você já viu uma aeromoça ler as instruções de segurança como se fosse a última coisa que ela gostaria de fazer e com a sensação de que ninguém está a ouvindo? Isso acontece por que essa pessoa não considera seu trabalho como uma oportunidade para realizar arte. Seria muito mais estimulante e demandante para ela inventar um jeito novo e mais interessante de ler essas instruções. Mas se ela conseguir isso, esse trabalho se torna uma plataforma para ela criar arte, algo que ela pode generosamente dar aos outros para ser apreciado.

Como uma artista, ela provavelmente acharia seu trabalho mais interessante e o empregador a valorizaria mais também.

Coloque um trabalho emocional no seu emprego e o transforme em uma plataforma para sua arte.

Artistas de verdade entregam

Quantas pinturas do Picasso você consegue nomear? Duas? Três? Ele pintou mais de 1000 quadros. Essa é a natureza dos artistas. Eles produzem.

Artistas não se importam com ideias ruins que se transformam em falhas, pois sabem que desde que continuem produzindo persistentemente boas ideas aparecerão.

Um custo inevitável para o sucesso é que algumas falhas serão produzidas no caminho. No último momento antes de completar algo, a maior parte das pessoas se questiona. Será que está pronto mesmo? Será que é bom o suficiente para mostrar para o mundo? Esse é o momento que verdadeiros artistas – verdadeiros Linchpins – se afirmam e publicam de qualquer jeito.

Produtos precisam ser lançados ou ninguém os comprarão. Estórias precisam ser publicadas ou não serão lidas. Até as melhores ideias são inúteis se não tiverem uma audiência.

O show de televisão Saturday Night Live, por exemplo, vai ao ar todo Sábado quer as enquetes e quadros estão devidamente ensaiados ou não. Essa habilidade de enviar o trabalho é tão rara que faz os Linchpins serem indispensáveis, pois possuem a disciplina de garantir que os projetos que executam sejam bem definidos, feitos e entregues como prometido.

Eles removem tudo que é pseudo-produtivo e focam nas coisas que os(as) ajudam a entregar o trabalho.

Entregar o trabalho é difícil porque o primitivo cérebro reptiliano em todos nós não quer que mostremos nosso trabalho para o mundo, pois ele pode ser criticado ou ridicularizado.

Esse fenômeno é chamado de Resistência e é o que cria a procrastinação e a dúvida da nossa própria capacidade. A melhor maneira de lidar com a resistência é a reconhecer. Realmente você vai falhar com frequência e será criticado mais cedo ou mais tarde, mas ainda pode escolher ouvir apenas aquelas críticas construtivas e ignorar as destrutivas.

Não importa o que faça, não pare de produzir e colocar seu trabalho no mundo. Artistas de verdade entregam.

Para ter sucesso você precisa dar presentes

Por muito tempo a economia foi baseada em trocas equiparáveis, preferencialmente regidas por um contrato:

“Você pode ouvir a minha música se você me pagar 20 dólares”.

Presentes genuínos – no sentido de dar algo a outra pessoa sem expectativas de ganhar algo em retorno – eram praticamente inexistentes.

Na verdade, se você tentasse dar um presente genuíno a uma pessoa estranha, por exemplo oferecendo uma carona num taxi compartilhado para alguém que está indo na mesma direção que você, provavelmente seria recusado, pois a pessoa ficaria tensa ou ansiosa de como reciproceder o favor.

No entanto, presentes sem reciprocidade estão se tornando uma tática vencedora, especialmente na internet.

Considere o fotógrafo digital Thomas Hawk. Ele compartilha suas fotos na internet de graça. Um cínico diria “Todo esse trabalho e nenhum retorno”, mas na verdade dar todas essas imagens gratuitamente o fez famoso. Pessoas falam sobre ele, o seguem e, no final das contas, o provê com muitos trabalhos remunerados.

Presentes, dados com uma boa intenção e não como táticas de manipulação, são comentados e os que os criaram são recompensados.

Os Linchpins que se dedicam ao seus trabalhos para dar ao mundo esses presentes se tornam conhecidos, celebrados e desejados como funcionários.

Artistas de verdade dão suas artes sem demandar ou esperar reciprocidade. É simplesmente de sua natureza criar esses presentes. Na verdade, exatamente porque suas artes são tão únicas, seria impossível de serem compensados financeiramente. Como alguém poderia compensar adequadamente um garçom que se devota para realizar um excelente atendimento e que fideliza incontáveis clientes todos os dias?

Ironicamente, apesar de artistas demandarem por compensação, artistas de verdade desse tipo são tão raros que as pessoas normalmente pagam o que for necessário para os manter em suas instituições. Do contrário, outra empresa ou organização pagará.

Para ser bem sucedido(a) hoje, você precisa dar presentes genuínos às pessoas.

Resumo final

A mensagem central desse livro é que hoje você não consegue mais ser bem sucedido(a) sendo medíocre ou comum em seu mercado.

Não importa o quão aterrorizante seja, você precisa escolher se destacar e se tornar um Linchpin indispensável. Linchpins são como artistas. Eles enxergam o mundo como uma plataforma para sua arte e colocam trabalho emocional todos os dias.

Suas artes são únicas, um inestimável presente para os outros.

Algo que me intrigou bastante ao ler esse livro – além da brilhante escrita do Seth Godin – é que eu realmente desejo ser um Linchpin naquilo que faço.

Sempre brinco que não gosto de trabalhar por dinheiro e aqueles trabalhos que mais me trazem satisfação são aqueles que faço de graça, como um presente para os outros. Esse blog, de certa maneira, é uma representação do que tomo como aprendizado desse livro.

Me conta abaixo o que você achou desse resumo e análise do livro Linchpin de Seth Godin.

Divirta-se!