Resumo

Moonshot AI, apoiada por Alibaba e HongShan, está considerando uma abertura de capital em Hong Kong, poucos meses após uma rodada de investimentos em janeiro que avaliou a startup em US$ 10 bilhões. Enquanto isso, a DeepSeek, laboratório sediado em Hangzhou que revolucionou o debate sobre IA no ano passado com seus modelos V3 e R1, mantém um perfil discreto, deixando os desenvolvedores ansiosos pelo lançamento público do seu mais recente modelo, o V4.

Nova Terminologia para Tokens e a Evolução da IA na China

A China agora adotou um novo termo para “token”: ciyuan. Em uma coletiva do Conselho de Estado, Liu Liehong, administrador da Administração Nacional de Dados, explicou que os tokens passaram a ser a unidade de liquidação que conecta a oferta tecnológica à demanda comercial. Hoje, o país processa 140 trilhões de tokens diariamente, um salto significativo se comparado aos 100 bilhões do início de 2024, evidenciando a rápida expansão dos modelos de IA chineses, que já ultrapassaram os modelos dos Estados Unidos em plataformas populares de mercado de IA.

Pivotagem dos Gigantes da Tecnologia

O boom da IA tirou as grandes empresas chinesas de anos de incertezas regulatórias. A Alibaba investe em modelos de código aberto, como os da série Qwen, que têm atraído desenvolvedores ao redor do mundo e convencido até usuários ocidentais – inclusive influenciando o desenvolvimento de modelos por empresas como a Meta. Em contrapartida, a ByteDance tem mantido seus modelos de IA de forma proprietária, valorizando sua experiência em design de produto e experiência do usuário, com seu chatbot Doubao tornando-se o aplicativo de IA mais utilizado no país durante o Ano Novo Chinês, alcançando 100 milhões de usuários ativos diários.

Tencent, operadora da plataforma de mensagens WeChat, entrou no mercado com o ClawBot, uma ferramenta que permite aos usuários conectar-se diretamente com o sistema OpenClaw para executar tarefas, mas ainda briga para alcançar o mesmo êxito europeu de seus competidores. Enquanto isso, Xiaomi e Meituan – mais conhecidos, respectivamente, por smartphones e entrega de alimentos – também lançaram seus próprios modelos de IA, demonstrando que a competição se estende para além dos players tradicionais de tecnologia.

Startups Menores e a Inovação no Vale do Silício

Uma nova geração de startups chinesas de IA tem conquistado espaço tanto no mercado interno quanto no Vale do Silício. A Cursor, por exemplo, ao lançar seu serviço de codificação Composer 2, revelou que seu modelo foi construído sobre a base do modelo Kimi K2.5, da Moonshot AI. Outras startups, como Knowledge Atlas (também conhecida como Z.ai) e MiniMax, já realizaram ofertas públicas em Hong Kong, proporcionando uma rara visão dos desafios e oportunidades do setor. Mesmo diante de prejuízos significativos e investimentos robustos em pesquisa e desenvolvimento, essas empresas atraem investidores, com ações que subiram expressivamente após suas ofertas iniciais.

Avanços na IA Física

A China também avança na área da IA física, sustentada por cadeias de suprimentos capazes de fabricar tecnologias avançadas a custos reduzidos. A Unitree Robotics, uma das startups de robótica humanoide mais proeminentes do país, entrou com pedido de IPO no mercado STAR de Xangai, almejando captar cerca de US$ 610 milhões. Diferentemente de muitos concorrentes, a Unitree apresenta lucratividade, com um lucro líquido ajustado de aproximadamente 87 milhões de dólares. Outras empresas, como Agibot e UBTech, também se destacam neste setor.

No campo dos veículos autônomos, a Pony AI lançou o primeiro serviço comercial de robotaxi na Europa, em parceria com empresas globais e operadoras locais, enquanto a WeRide firmou parceria para oferecer robotaxis completamente autônomos em Dubai.

Governo, Consumidores e a Adoção da IA

Pesquisas indicam que os consumidores chineses demonstram uma confiança muito maior na IA do que seus pares ocidentais. Uma pesquisa da Edelman apontou que 87% dos entrevistados na China confiam na tecnologia, em comparação com 32% nos Estados Unidos. Esse otimismo se reflete também na indústria do entretenimento, onde plataformas de vídeo lançaram, em janeiro, cerca de 470 novas séries curtas diariamente, graças à redução significativa dos custos de produção – uma série que antes levava de 15 a 30 dias agora pode ser produzida em menos de cinco.

Além disso, grandes empresas de tecnologia têm promovido workshops para orientar os usuários na instalação e uso de agentes de IA, enquanto governos locais oferecem subsídios a empreendedores que desejam investir em negócios baseados nesses agentes.

Restrições Nacionais e Desafios Internacionais

Contudo, as empresas chinesas de IA enfrentam diversos obstáculos, especialmente quando comparadas às líderes norte-americanas. As restrições de exportação dos EUA limitam a venda dos chips de IA mais avançados para a China, forçando as empresas a dependerem de fabricantes domésticos ou de fontes originadas de mercados paralelos. Embora os chips chineses estejam melhorando, a produção e o desempenho ainda ficam aquém das capacidades da cadeia de suprimentos estadunidense.

Adicionalmente, o ecossistema de capital de risco na China é mais enxuto do que no Vale do Silício, e a incerteza regulatória, tanto local quanto internacional, tem levado investidores globais a manterem cautela diante das startups chinesas.

A Economia de Tokens e a Reestruturação Estratégica

O grande desafio que persiste – tanto para as empresas chinesas quanto para as americanas – é transformar tokens em lucros reais. Investimentos vultosos comprometidos com despesas de capital pressionam os resultados financeiros. Enquanto empresas como Alibaba e Tencent realizam investimentos bilionários em infraestrutura de IA, os gigantes dos EUA, como Alphabet e Meta, também planejam aumentar significativamente seus gastos.

Algumas empresas já estão ajustando suas estratégias: tanto a Alibaba quanto a Z.ai lançaram modelos em formatos restritos inicialmente e estão elevando os preços de seus serviços em nuvem e modelos de IA. Recentemente, a Alibaba reorganizou sua operação de IA, criando o “Alibaba Token Hub”, que unifica unidades anteriormente separadas – incluindo o Tongyi Laboratory, os modelos Qwen e a divisão empresarial Wukong – sob a supervisão direta de seu CEO. Como afirmado por Eddie Wu, a missão central agora é simples: criar, distribuir e aplicar tokens da forma mais eficiente possível.