
Publicado em: 28 de julho de 2025
A Administração Trump divulgou o ambicioso Plano de Ação para Inteligência Artificial dos Estados Unidos, uma estratégia abrangente que visa “vencer” a corrida pelo domínio global em inteligência artificial (IA). O Plano apresenta mais de 90 ações de política federal que serão implementadas nas próximas semanas e meses por meio de três pilares fundamentais: acelerar a inovação em IA; construir a infraestrutura americana para IA; e liderar na diplomacia e segurança internacional. Em essência, o plano prioriza a inovação em detrimento da regulação, a revitalização de setores críticos e a proteção dos interesses nacionais diante de um cenário global cada vez mais competitivo.
Pilar I: Acelerar a Inovação em IA
O primeiro pilar do Plano enfatiza a remoção de barreiras regulatórias ao desenvolvimento da inteligência artificial. As principais iniciativas incluem:
- Desregulamentação e alinhamento do financiamento federal: Orientar as agências a identificar e revogar regulações em níveis estadual e federal que prejudicam a inovação em IA, condicionando o financiamento federal à adequação do ambiente regulatório dos estados.
- Promoção da liberdade de expressão e objetividade na IA: Exigir que os padrões e aquisições federais relacionados à IA incentivem a livre expressão e eliminem viéses ideológicos, revisando, por exemplo, o framework de gerenciamento de risco em IA do Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia.
- Apoio a modelos de IA de código aberto e de pesos abertos: Melhorar o acesso a recursos computacionais para startups, acadêmicos e pesquisadores, além de fomentar parcerias público-privadas para ampliar a pesquisa e a adoção da tecnologia.
- Adoção de IA em diversos setores: Estabelecer “sandboxes” regulatórios ou Centros de Excelência e desenvolver esforços específicos para acelerar a implementação da IA em setores cruciais, como saúde, energia e agricultura, avaliando o nível de adoção nos Estados Unidos, entre concorrentes e em estabelecimentos de segurança nacional estrangeiros.
- Desenvolvimento de mão-de-obra: Implementar programas de alfabetização em IA, treinamentos e requalificação rápida dos trabalhadores, incentivando investimentos dos empregadores na educação relacionada à tecnologia.
- Fomento à manufatura de próxima geração: Investir na escalabilidade de tecnologias fundamentais para a manufatura e identificar desafios na cadeia de suprimentos para a produção americana de robótica e drones.
- Ciência e dados habilitados por IA: Financiar laboratórios automatizados e baseados em nuvem, apoiar organizações de pesquisa focadas em IA, incentivar a divulgação pública de conjuntos de dados de alta qualidade e exigir que pesquisadores federais compartilhem, sempre que possível, dados não proprietários e não sensíveis.
- Construção de conjuntos de dados científicos de classe mundial: Recomendar padrões mínimos de qualidade para dados, expandir o uso seguro e acessível de dados governamentais e explorar programas, como o sequenciamento completo do genoma, para gerar dados valiosos para futuros modelos de IA.
- Avanço da ciência da IA: Priorizar investimentos em pesquisas teóricas, computacionais e experimentais que possam revelar novos paradigmas transformadores na área.
- Avanços na interpretabilidade, controle e robustez da IA: Lançar iniciativas coordenadas para melhorar a compreensão, o controle e a robustez dos sistemas de IA, incluindo programas de desenvolvimento tecnológico e hackathons focados nessas questões.
- Avaliação rigorosa da IA: Criar um ecossistema robusto para avaliação de modelos e testes, especialmente para aplicações de alto risco.
- Adoção de IA no governo e na defesa: Formalizar a coordenação interagências, simplificar os processos de aquisição e acelerar a integração da IA no Departamento de Defesa, com ênfase no desenvolvimento de talentos e na automação operacional.
- Proteção das inovações em IA: Reforçar a colaboração entre o governo e a indústria para proteger a propriedade intelectual e os sistemas de IA, além de enfrentar desafios jurídicos ligados a mídias sintéticas e deepfakes.
- Apoio ao sistema jurídico contra mídias sintéticas: Recomendar a inclusão de padrões contra a produção de evidências falsas por meio de deepfakes nas regras de provas, visando evitar a utilização de mídias geradas por IA em tribunais.
Pilar II: Construir a Infraestrutura Americana de IA
Este pilar reconhece a importância de atender às demandas de infraestrutura impostas pela expansão da IA. As medidas previstas incluem:
- Simplificação dos processos de licenciamento: Reformar as regulações ambientais e de licenciamento para acelerar o desenvolvimento de data centers, instalações de semicondutores e infraestrutura energética de apoio.
- Modernização da rede elétrica: Otimizar e estabilizar a rede nacional para atender às demandas de indústrias impulsionadas por IA, com ênfase em confiabilidade e gerenciamento avançado da rede.
- Revitalização da manufatura de semicondutores: Remover barreiras regulatórias desnecessárias e simplificar programas de pesquisa e concessões para integrar ferramentas avançadas de IA na produção de semicondutores.
- Criação de data centers seguros: Desenvolver novos padrões técnicos para data centers de alta segurança voltados à IA e incentivar a adoção de ambientes computacionais classificados pelas agências governamentais.
- Treinamento da força de trabalho para a infraestrutura de IA: Lançar iniciativas nacionais para identificar e capacitar trabalhadores para funções críticas relacionadas à infraestrutura de IA, ampliando programas de aprendizagem e atualizando currículos educacionais conforme as necessidades do setor.
- Cibersegurança e resiliência: Estabelecer um Centro de Compartilhamento e Análise de Informações sobre IA, orientar o setor privado sobre a detecção e resposta a vulnerabilidades específicas da tecnologia e promover tecnologias de IA seguras desde a concepção.
- Resposta a incidentes: Integrar considerações sobre IA em planos de resposta a incidentes e incentivar as melhores práticas para a segurança e resiliência dos sistemas de IA.
Pilar III: Liderar na Diplomacia e Segurança Internacional de IA
Para obter sucesso na competição global, os Estados Unidos precisarão promover a adoção de seus sistemas de IA, hardware e padrões tanto nacional quanto internacionalmente. As principais iniciativas deste pilar são:
- Exportação da tecnologia de IA americana: Facilitar a exportação do conjunto completo de tecnologias em IA dos EUA para aliados e parceiros, utilizando a diplomacia econômica para promover os padrões americanos.
- Combate à influência adversária: Defender abordagens internacionais de governança da IA que incentivem a inovação, reflitam os valores americanos e contraponham influências autoritárias.
- Reforço dos controles de exportação de computação avançada: Explorar o uso de recursos de verificação de localização em tecnologias avançadas de IA para prevenir que chips críticos cheguem a países de preocupação, além de estabelecer esforços de fiscalização global.
- Fechamento de lacunas nos controles de exportação na manufatura de semicondutores: Desenvolver novos controles para subsistemas de manufatura de semicondutores com a devida aplicação e fiscalização.
- Alinhamento global: Promover a convergência internacional em medidas de proteção tecnológica, utilizando tarifas secundárias e regras sobre produtos diretos estrangeiros para desencorajar o fornecimento de tecnologias adversárias.
- Avaliação dos riscos à segurança nacional: Colaborar com desenvolvedores de IA na avaliação de modelos de fronteira em relação a riscos de segurança, identificando vulnerabilidades e influências externas negativas, e recrutar os principais pesquisadores de IA para trabalhar em agências federais.
- Biossegurança: Implantar processos rigorosos de triagem e verificação de clientes em atividades de síntese de ácidos nucleicos financiadas com recursos federais, além de desenvolver mecanismos de compartilhamento de dados para prevenir o uso indevido da IA em aplicações biológicas.
Conclusão
O Plano de Ação para IA estabelece uma agenda ambiciosa para assegurar a liderança dos Estados Unidos no desenvolvimento e na segurança da inteligência artificial. Ao combinar medidas de desregulamentação, investimentos estratégicos, desenvolvimento da força de trabalho e modernização da infraestrutura, a Administração Trump visa posicionar o país para inovar de forma mais rápida e profunda que seus concorrentes. A execução deste plano exigirá ações coordenadas entre agências federais, governos estaduais, a indústria e parceiros internacionais, em um cenário onde as grandes potências, como a China, também buscam a supremacia em IA.
