Se você está se perguntando se há algo que homens podem fazer para se preparar para o parto, a resposta é bem simples:

SIM!

Há muita coisa que podemos e devemos fazer para nos preparar para a chegada de nossos filhos e filhas.

Como comentei no início dessa série, minha ideia inicial quando descobri que ia ser pai era: “Estou pronto!” E hoje, mesmo meu filho ainda na barriga da minha esposa, já entendi que estava completamente enganado.

Em especial, algo que que eu não sabia é que a gestação e o parto eram assuntos que eu devia explorar e aprender. Afinal, ainda estamos em uma cultura que desconsidera a participação do pai ativamente.

No entanto, estou cada vez mais alinhado com a vontade de vivenciar e promover uma paternidade ativa. A participação desse processo envolve muito estudo e ação, mas os resultados são impressionantes tanto para o casal quanto para os nenéns.

Então, nesse artigo quero explicar um pouco como os homens podem participar ativamente do processo da gestação.

Estudo é o primeiro passo

Como tudo na vida, precisamos estudar para entender. Há um tempo, estava no curso com do Tiago Koch e uma frase me chamou a atenção. Foi algo assim:

“Quando buscamos fazer algo importante na vida, estudamos para aquilo. Passar o vestibular, um concurso, tirar carteira de motorista, etc. No entanto, quando se diz respeito a ter filhos, homens tendem a achar que já sabem o que fazer e não se preparam para aquilo.”

Isso me chamou muita a atenção pois é algo que vejo ao meu redor com frequência. Em especial com relação a esse primeiro estágio de desenvolvimento dos seres dentro da barriga da mãe, parece que há homens que não se entendem ainda como pais. Como se só virasse pai depois que nascer – ou então até tempos depois.

Gosto de pensar que devemos agir como pais ou do momento que decidimos ter um filho – no caso de uma gravidez planejada – ou pelo menos do momento que descobrimos que vem uma criança por aí.

Agir como pai significa, por sua vez, assumir a responsabilidade por tudo que se relaciona com a criação dessa nova vida. Concepção, gestação, parto, adaptação, crescimento, cuidados, etc.

Significa se preparar e entender ao máximo sobre cada aspecto desse processo. Isso não significa que não vamos errar ou que não podemos errar. Afinal, não só vamos errar como também na maior parte das vezes não há uma resposta que podemos classificar como certa ou errada.

Isso significa é que nós vamos fazer nosso melhor através da preparação e busca de maior consciência.

O primeiro estágio, então, é entendermos mais sobre o parto e a gestação. Entender não só do neném, mas também da mulher. O que ela está passando, como lidar e como aliviar um pouco das dificuldades que ela enfrenta.

Cada um vai entender ao longo do processo como melhor fazer isso, mas já quero deixar aqui algumas dicas de como pode começar.

Instagram e YouTube

A fonte com o menor atrito – isto é, a mais fácil – é ir diretamente nas redes sociais e de vídeo. Há centenas de pessoas (profissionais e amadores) que compartilham conteúdos legais sobre a gestação e o parto.

Minha sugestão é buscar alguns profissionais (médicos, doulas, etc) que falam sobre o assunto e também alguns produtores de conteúdo amadores que relatam mais suas vivências. Isto é, influenciadores em geral.

Algumas sugestões:

Livros e Documentários

Com um pouco mais de aproximação dos conteúdos, também vem a vontade de aprofundar. Para isso, há uma abundância de livros e documentários interessantes. Algumas referências:

Cursos

Muito provavelmente na cidade que você vive há algum curso para mulheres ou casais sobre a gestação e o parto. Normalmente as próprias maternidades promovem cursos para nos ajudar a compreender e se preparar para esse momento.

Vale a pena participar desses curso em casal, pois não só é um momento bacana para compartilharem como também é um dos melhores momentos para esclarecer dúvidas e aprender mais sobre gestação e parto.

Aqui vai uma sugestão novamente para acompanhar o Homem Paterno pois o Tiago dá cursos específicos para homens sobre o tema. Eu fui no curso em Belo Horizonte e foi muito bom.

Conversas com a mulher

É muito provável que a mulher saiba bem mais do processo que nós homens, então nada melhor do que aproveitarmos dessa sabedoria para nos informa melhor, discutir e aprender juntos.

Confesso que durante os primeiros meses da gestação eu não estava tão aberto para esses aprendizados, mas felizmente desde o início fui recebendo sugestões de conteúdos e informações da minha esposa. Com o tempo acabei descobrindo muito mais sobre esse universo e me encantando por ele.

Compreender a mulher

Uma grande parte do nosso papel de homem durante a gestação tem a ver com as mulheres. Elas que estão carregando os filhos, tendo limitações e tendo que lidar com a perda de liberdade e autonomia.

Não dá para lidar com elas da mesma maneira e compreender isso é uma parte muito difícil, mas necessária. Ela é difícil pois teremos que abrir mão também um pouco da nossa liberdade e autonomia e assumir a responsabilidade por esse período.

Seja assumir mais tarefas domésticas, acordar junto para arrumar uma posição melhor para dormir, ouvir com compaixão os medos e incertezas ou mesmo fazer massagens, estar presente aqui é algo super importante.

Se podemos ser fortes para dar um suporte e, ao mesmo tempo, nos abrir com nossos próprios medos e incertezas, elas vão se sentir mais seguras, entender que estamos fazendo parte desse processo e também compreendidas.

É fisiológico

Uma parte dessa compreensão se dá na parte física. A mulher está vivendo um boom de hormônios e mudanças em seus corpos.

  • Perda de equilíbrio
  • Perda de memória
  • Dores – cabeça, barriga, costas, pernas, peitos, etc
  • Dificuldade para abaixar e levantar
  • Cansaço
  • Sono

Tudo isso – e ainda várias outras coisas – está presente nesse momento na vida da mulher. É preciso compreender isso e saber que muitas vezes vamos ter que agir em vários âmbitos que ela atuava para compensar por essas dificuldades.

É psicológico

A parte física nós conseguimos observar, então é mais fácil de ter empatia e cuidado. Porém, há muita mudança na parte psicológica também da mulher e, muitas vezes, pode até mais complicado de lidar.

Com a perda grande de autonomia e liberdade, podem vir frustrações. Com a aproximação do parto, podem vir incertezas e medos. Com a mudança de hormônios, podem vir as mudanças de humor e sentimentos.

E o reflexo disso tudo pode tomar uma infinidade de formas. Me lembro algo que no momento eu não entendi tanto, mas agora penso que poderia ter agido diferente.

Com a mudança no corpo, a mulher vai perdendo suas roupas e haverá a necessidade de comprar muitos itens de vestimenta. Mas mais do que isso, só o fato de perder o itens é uma questão delicada pois bate em uma série de questões. Auto-estima, finanças e apego são exemplos.

Eu não tenho a resposta de como lidar, mas algo que venho percebendo é que o mais importante é confiar na mulher. Isto é, não é questionar ou menosprezar nem as dificuldades físicas nem as psicológicas.

O que fazer no parto

Uma parte interessante, que no meu atual momento está na teoria e ainda não na prática, é o que fazer na hora do parto.

Com certeza vou aprofundar aqui depois que o vivenciar, mas algo que já tenho compreendido pelas experiências de outros e estudos é que estamos no parto contribuindo para que tudo saia da melhor forma e, em especial, para sermos os ‘guardiões’ do que foi colocado no plano de parto.

Temos que entender sobre os procedimentos, sobre as etapas do parto e sobre as possíveis violências obstétricas que podem acontecer.

Além disso, devemos estar ao lado da mulher para dar todo o apoio e suprir suas necessidades. Isso envolve, naturalmente, estar presente e atento sem distrações ou divisão de atenção para outras coisas ou pessoas.

Inclusive, algo que adorei um texto do Dr Hemmerson Magioni sobre a noção de dor no parto. Em especial sobre o olhar que temos das mulheres que estão naquele processo.

Quando vemos alguém no final de uma maratona – todo(a) cansado(a) e cheio(a) de dor – não olhamos com dó ou com qualquer tipo de sentimento ruim. No entanto é exatamente assim que muitas vezes se olha para as mulheres que estão no parto, em especial em partos naturais.

Aquela mulher ali também está em uma maratona que, assim como a corrida, envolve dor, incômodos e cansaço. No entanto, assim como a corrida também, envolve superação, prazer, conquista e doses altas de hormônios prazerosos.

O olhar do homem para sua mulher naquele momento pode ser de admiração pela sua força.

Atenção com as violências obstétricas

Algo que é importante reforçar é que precisamos entender muito bem aquilo que pode e aquilo que não pode fazer com as mulheres. Talvez mais importante, quando cada coisa pode ou não pode ser feita.

Um parto deve ser sempre humanizado. Ser humanizado significa dar o protagonismo daquele momento para a mulher e a informar de tudo que está sendo feito ou pode ser feito com ela caso seja necessário.

Corte no períneo, perfurar a bolsa, raspagem dos pelos, lavagem intestinal, pressão psicológica e muitos outros são violências obstétricas caso não tenham uma razão verdadeira para fazerem parte daquele parto específico.

Entender quando casa coisas pode e não pode é parte de nosso papel para protegermos as mulheres.

Há médicos de tudo quanto é jeito e já sabemos que no Brasil temos altas taxas de cesária e violência por simples conveniência de alguns profissionais. Então temos que estudar e trazer argumentos para que tudo ocorra da melhor forma possível.

Puerpério

O puerpério é o momento que começa depois do parto e dura até quando durar, digamos assim.

A perda do neném na proteção da barriga da mãe, a queda brusca dos hormônios, a nova responsabilidade, as mudanças físicas novamente e outros somam em mais um momento que pode ser complicado para a mulher.

E aí, juntamos tudo isso com a falta de sono, esgotamento físico, aumento de tarefas e aumento de gastos.

Não significa que será complicado, mas há sim alterações que precisamos também compreender e nos preparar para ajudar.

Depressão, rejeição, ansiedade, pânico e outros sintomas podem aparecer. Há um número grande de divórcios nesse momento da vida de um casal exatamente porque não é fácil.

Então, quanto mais nos preparamos, compreendemos com empatia, estamos presentes para apoiar e assumimos as responsabilidades, mais tranquilo esse momento provavelmente será.

O homem no parto e na gestação

Estamos aqui o tempo todo falando em assumir uma responsabilidade. Ter a iniciativa de correr atrás da resolução dos problemas e de estar presente para a mulher e nossos filhos.

Como homens, temos um papel super importante na gestação e no parto, mas, naturalmente, não é para confundirmos com a grandeza do papel que a mulher tem.

O protagonismo é delas e sozinhas elas dariam conta. No entanto, estamos ali para fazer dessa experiência uma que tenha mais harmonia, tranquilidade, conforto e segurança.

Agora quero saber de você. O que achou desse texto? Me conte sua perspectiva nos comentários.

Divirta-se!