O primeiro conceito para a Liberdade Profissional como Empreendedor no caminho da Startup é a Ideia.

Se você é novo aqui, esse é o primeiro artigo de uma série que vai te guiar no caminho do empreendedorismo, em especial na concepção e desenvolvimento de startups.

A parte da ideia é a mais fácil de toda essa jornada, mas frequentemente é onde ficamos mais travados.

Todos temos ideias, mas apenas alguns conseguem trazer essa imaginação para algo real.

Sair do plano das ideias significa enfrentar a resposta do mundo de verdade e não só aquela que temos em mente. Significa também nos comprometer com um caminho que precisará de muito esforço para avançar, então é normal querermos escolher o caminho certo e mais seguro.

No entanto, quando estamos falando de startups a palavra segurança não é uma que faz tanto sentido. O caminho seguro, previsível e tradicional não vai levar a soluções criativas ou inovadoras – algo que startups em geral buscam.

Me lembro quando trabalhava com uma empresa em amplo crescimento, já com seus 40 e poucos funcionários mas ainda nos primeiros anos de vida. Em uma reunião de planejamento para um novo projeto, o fundador disse algo como:

“Eu queria fazer algo disruptivo mas quero refinar essa ideia para que a gente acerte de primeira o caminho”.

Ou seja, queria prever o futuro pra saber algo que fosse inovador e, ao mesmo tempo, certeiro.

Isso não é algo muito possível, infelizmente. Afinal o que realmente determina o sucesso da maior parte dos negócios é como executamos a ideia e a transformamos em uma empresa.

Vamos falar aqui nesse artigo bastante sobre como podemos trabalhar e refinar nossas ideias e, assim, ter uma fundação mais confiante para partir para a execução.

A Importância da Ideia

Como diz Jared Friedman, um dos sócios da Y Combinator (grande incubadora e aceleradora de startups):

“Ninguém, nem a gente na Y Combinator, sabe quais ideias vão dar certo”

No entanto, ele menciona que há algumas tendências para aquelas que obtém mais sucesso e conseguem se desenvolver melhor.

Dependendo, você já tem uma ideia em mente mas não sabe como começar. Ou então quer empreender mais não sabe bem por qual caminho. Independentemente, acho importante passar pelos questionamentos nesse artigo.

Identificando a ideia

Aqui estou considerando como ideia aqueles pensamentos que temos quando imaginamos um futuro diferente do estado atual no qual só existe se um serviço, produto ou organização também existisse.

“Imagina como seria …”

“O jeito atual de se fazer isso é ruim, mas desse outro jeito …”

“Identifiquei esse problema, como poderia ser resolvido é…”

Ideias vem frequentemente quando estimulamos nossa criatividade. Conversando com pessoas que expandem nossos horizontes e estudando. Elas costumam aparecer também com frequência quando estamos no chuveiro ou quase dormindo, que são aqueles momentos que estamos no estado Theta, o estado da criatividade.

Se você está aqui nesse guia, provavelmente em algum momento já teve uma ideia de como fazer algo de um jeito melhor ou então imaginou um futuro diferente através de algo que poderia criar.

Essa sobre esse tipo de ideia que estamos falando aqui. Ideias que podem ser transformadas em negócios através das nossas ações.

Sua ideia não precisa ser incrível

Grande parte das empresas de tecnologia que temos como referência hoje não partiram de ideias originais ou incríveis.

Como Friedman mesmo diz, o Facebook era apenas mais uma de 20 redes sociais e o Google mais um de 20 outros motores de busca.

As ideias em si não eram o principal, mas partiram de uma boa ideia junto com uma execução brilhante.

E o que importa de verdade é como transformamos as ideias, ou seja, a execução.

Sua ideia não precisa ser qualquer uma

Ao mesmo tempo, não é porque a ideia não precisa ser incrível que não vamos pensar com cuidado sobre ela e elaborá-la bastante.

Se de um lado temos uma pessoa que fica martelando a ideia pra sempre e não consegue partir para a execução, do outro temos também outro problema que é a quem não pensa muito na ideia e já parte para a execução sem considerar bastante esse caminho.

Se vamos ficar anos da nossa vida trabalhando em algo que parte dessa ideia, é importante que pelo menos passemos uns dias ou semanas considerando.

A Ideia é a fundação

A ideia, portanto, é o ponto de partida de toda startup.

Porém, isso não significa que ela deva ser escrita em pedra. Isto é, a ideia é apenas a direção para o começo da sua jornada empreendedora. Um guia para que sua execução e trabalho tenha um propósito e uma visão de um futuro diferente – esperançosamente melhor.

Depois de um tempo, já com a experiência de mercado e testando na prática se as pessoas gostam do que está desenvolvendo a partir da ideia inicial, é possível já identificar se foi uma ideia interessante ou não.

E se não se provar como uma boa ideia, não significa que acabou sua jornada, mas sim que é importante alterá-la, refiná-la ou mudar totalmente de caminho.

A beleza de uma Startup é que ela é tão enxuta que pode mudar de caminho com certa facilidade e isso significa sempre questionar se a ideia original está ainda fazendo sentido.

Como conceber e refinar uma ideia

Uma maneira que gosto de pensar sobre as ideias é através do método científico.

No caso de uma pesquisa científica, temos uma ideia, formulamos uma hipótese, determinamos os objetivos da pesquisa e analisamos os resultados.

O caminho inicial de uma startup se assemelha bastante a esse processo, inclusive é base para o ciclo da Startup Enxuta, um dos livros mais influentes sobre startups.

Uma ideia não deixa de ser uma hipótese. Ela é uma possibilidade de algo acontecer a partir de algumas suposições.

Sendo assim, podemos pensar também que ela pode ser tratada analiticamente para que possamos a refinar e seguir num caminho que alia tanto a intuição do que será interessante no futuro quanto o lado mais racional.

Comece pelo problema e não pela solução

Assim como falamos no artigo anterior dessa série, em geral o propósito de uma startup é solucionar um problema.

Isto é, observamos algo que pode ser melhorado ou apto a ser inovado e criamos a solução. No entanto, algo comum em quem está buscando ativamente por ideias é chegar até uma ideia que parte já da solução sem pensar no problema.

Por exemplo, pensamos “quero criar a Uber dos vendedores de rua”. Você chama no app e o carro da pamonha vai até sua casa. No entanto, pensar só que seria interessante sem validar que isso é de fato um problema pode ser frustrante no momento que você descobre que, de fato, não tem ninguém com esse problema de ‘não conseguir comprar algo dos vendedores de rua ambulantes’.

Dito isso, quando partimos do problema – seja um que nós mesmos estamos enfrentando – ou que temos relatos e boa noção que outras pessoas vivenciam, aí temos mais chance de criar algo que alguém deseja.

E aí que está a chave de tudo isso:

Nossas ideias devem estar atreladas à resolução de um problema como sua solução, assim quem tem esse problema mais provavelmente pagará para tê-lo resolvido.

Algo que você mesmo gostaria

Partindo dessa premissa e resolução de problemas, é interessante partir de um problema que você mesmo enfrenta.

Há uns anos eu estava com um problema de gestão no meu negócio que eu não conseguia um software holístico que me atendesse em todas as áreas do meu negócio com um preço razoável.

descobri o Notion e em menos de 24h brincando com ele eu já contratei o plano pago e migrei minha vida e negócio para a ferramenta.

Todos nós temos vários pequenos (ou grandes) problemas que podemos usar como ponto de partida para ter ideias de como os solucionar.

Avanço de tecnologia

Algo também que influencia bastante nas nossas ideias é o avanço de tecnologia.

A partir do momento que existe uma nova ferramenta, por exemplo o smartwatch, problemas também podem surgir e abrir caminho para empreendedores como nós solucionar.

Digamos que o novo smartwatch da Apple é legal e tudo mais, mas a parte de trás dele incomoda no uso prolongado. Aí você pode pensar numa capinha para a parte de trás que melhora essa situação com um material X.

Exemplo bobo, mas ao ficarmos atentos a esse tipo de situação também ficamos mais antenados para encontrar problemas. E por consequência também termos ideias para os solucionar.

Geolocalização

Frequentemente ideias não precisam ser exatamente originais, mas simplesmente reproduções de algo que funcionou em outro local.

Por exemplo, a Uber começou a funcionar bem nos Estados Unidos, aí uma empresa aqui no Brasil, como a EasyTaxi, poderia ter só reproduzido o modelo aqui (e mudado o nome).

Ficar atento a novas startups que estão funcionando bem em outros lugares do mundo pode ser interessante para criarmos algo similar em nossa região – naturalmente pensando nas adaptações necessárias de acordo com leis ou cultura.

Talvez você tenha uma ideia mas a rejeitou

Se você tem já uma ou mais ideias guardadas mas acabou as descartando, há grandes chances de que foi por um desses motivos:

  • Difícil de começar
  • Área sem graça
  • Muito ambiciosa
  • Muita competição

Todos esses itens são importantes de fato, mas nenhum deles deve ser um limitador realmente para você ir atrás da execução.

Se uma ideia é difícil, pode ser um indicador de que muitas outras pessoas possam ter desistido até de começar como você. O que é um indicador de que pode ser uma oportunidade.

Essa mesma lógica pode ser aplicada à área sem graça e com relação à ambição da startup.

No entanto, a questão da competição é o contrário. Eu mesmo já fiquei desempolgado por querer executar uma ideia e achar que não tinha espaço pra mim no mercado que já tinha muitas empresas disputando.

Esse pensamento é errado, pois o fato de ter vários competidores significa na verdade que há um bom mercado. Então o que precisamos fazer é pensar em como vamos fazer algo nesse mercado que é melhor ou mais bem preparado para o futuro do que as opções já existentes.

Ficar de olho e mente aberta é importante

Assim como comentei acima, a partir do momento que estamos ligados em nossos próprios problemas e no que pessoas ao nosso redor estão enfrentando, as ideias começam a vir infinitamente.

Toda hora me bate uma ideia. Mas, ao mesmo tempo, não são todas que eu até tomo o trabalho de anotar. Tem muita ideia que simplesmente é ruim e isso está ótimo.

O grande barato vem quando, depois de ter várias ideias, uma delas se destaca e pensamos mais nelas.

Anotamos, conversamos com outras pessoas, refletimos e aí sim pode ser que seja uma ideia para partir pra execução.

Parta de sua experiência ou área de atuação

Similar à dica de pensar em algo que você gostaria de usar, uma outra forma de também usar nossa experiência é partir de algo que você ou seu time faz bem e que te daria uma vantagem injusta no mercado.

Eu, por exemplo, tenho mais de 10 anos de experiência no mercado de desenvolvimento de sites, então tenho uma visão bem profunda de problemas e necessidades desse mercado.

Ao você pensar naquilo que atua profissionalmente ou até mesmo como hobby, pode ter usar esse conhecimento e experiência como uma vantagem em relação a concorrentes que podem não ter esse tipo de histórico.

Anote suas ideias

Para finalizar, quero só reforçar algo que é bem importante. Sempre que você tiver uma ideia que pode ser algo interessante, anote.

Pode ser que no momento você não esteja pronto para uma ideia, mas daqui uns anos aquela ideia lá de trás será perfeita para o seu momento e o momento do mercado.

Eu tenho dezenas de ideias anotadas e de tempos em tempos dou uma olhada por lá para ver se tem algo que chama minha atenção.

Estudos de caso e exemplos

Eu fui sócio de uma startup do ramo imobiliário. Tudo começou quando dois caras estavam atrás de sócios técnicos para ajudá-los a transformar uma ideia em algo concreto.

Eles passaram meses refinando e conversando com pessoas tanto do mercado imobiliário quanto de tecnologia e já chegaram para mim e mais um outro amigo também desenvolvedor com a proposta.

Um deles tinha uma vasta experiência trabalhando dentro do mercado imobiliário, então isso dava a ele essa vantagem competitiva.

A ideia inicial era cortar o corretor de imóveis e estimular a negociação direta através da plataforma.

Desenvolvemos a ideia até uma primeira versão para ser lançada. Tivemos interesse de investidores até que no momento que um resolveu investir, também resolvemos mudar um pouco a ideia e não mais cortar o corretor, mas sim transformar e profissionalizar a maneira como esse corretor trabalha.

A ideia de melhorar o mercado de imóveis ainda estava presente, mas ela foi se adaptando de acordo com os retornos com base no contato da ideia com o mercado.

Se estamos abertos para sempre questionar nossas ideias, elas nos dão o norte para a execução ao mesmo tempo que também podem se refinar ou mudar quando entendemos que algo não está indo bem.

Exercício

Um exercício bacana que o Jared Friedman passa é o de dar um score para sua ideia.

Reflita sobre cada um dos 4 pontos abaixo e dê uma nota de 0 a 10 para cada um:

  1. O quão grande é sua ideia? E o quão grande ela poderia se tornar? – Uma ideia é olhar para outras empresas similares e entender o quão grande elas são. Ou então em vislumbrar um mercado em crescimento que eventualmente pode se tornar gigante.
  2. Qual é a capacidade dos fundadores de realizá-la (market fit)? – Os fundadores tem experiência no mercado?
  3. O quão certeiro está que está resolvendo um problema claro? – Idealmente, você sofre com esse problema.
  4. Há um diferencial ou insight inovador na sua ideia? – Ela vai fazer diferença no mercado ou nas pessoas impactadas?

O que você busca é uma nota geral alta, mas somente refletir sobre esses pontos já é um grande exercício pois vai trazer mais clareza se essa sua ideia tem o necessário para se desenvolver em algo importante. Também, vai te ajudar a pensar se você tem a capacidade necessária para executá-la.

Conclusão

As ideias são o primeiro passo dessa nossa jornada em direção ao empreendedorismo e, finalmente, à Liberdade Profissional.

Espero que com as reflexões e exercícios acima você consiga elaborar uma ideia bacana para ser desenvolvida em algo mais concreto.

Segundo passo: Pesquisa de Mercado

A partir do momento que já temos uma ideia, está na hora de entender melhor sua viabilidade através de uma pesquisa de mercado.

Clique aqui para ir para seu primeiro passo, Pesquisa de Mercado.

Se você tiver dúvidas, sugestões, críticas ou apenas quer compartilhar seu momento, ficarei muito feliz com seu comentário abaixo.

Divirta-se!