Estudo aponta que estudantes desonestos tendem a usar mais ferramentas de IA generativa
Um novo estudo revela que o narcisismo, o maquiavelismo, o materialismo e a psicopatia estão intimamente ligados à desonestidade acadêmica e ao uso intensificado de ferramentas de IA generativa, como ChatGPT e Midjourney.
Pesquisadores da Chodang University e da Baekseok University analisaram 504 estudantes de arte para entender como traços de personalidade influenciam o desempenho acadêmico. O estudo identificou que alunos com características fortemente antissociais e manipuladoras têm maior propensão para trapacear, sofrer de ansiedade em provas e procrastinar.

O modelo conceitual dos pesquisadores demonstra como os traços de personalidade se conectam a comportamentos problemáticos, revelando o caminho que parte das características “sombrias” até chegar ao aumento do uso de IA generativa.
A IA generativa como atalho
O estudo aponta uma tendência clara: estudantes que trapaceiam tendem a recorrer às ferramentas de IA generativa. A ansiedade acadêmica e a procrastinação também estão associadas a um maior uso da IA.
“Estudantes que adotam condutas desonestas buscam ferramentas de IA para contornar trabalhos difíceis ou obter soluções rápidas, especialmente sob alta pressão acadêmica ou em condições de avaliação subjetiva”, afirmam os pesquisadores. Para alunos ansiosos, a IA funciona como um mecanismo de alívio do estresse, enquanto para os procrastinadores, ela representa uma solução de última hora.

Resultados estatísticos confirmam a robusta ligação entre os traços de personalidade e os comportamentos observados. Além disso, os pesquisadores constatam que a atitude antiética gera maior frustração e pensamentos negativos, impulsionando ainda mais o uso de IA. Um estudo realizado na Coreia do Sul, em 2024, também apontou que estudantes estressados e com baixa autoconfiança tendem a fazer uso excessivo dessas ferramentas.
Estudantes de arte enfrentam riscos únicos
Os estudantes de arte são a primeira geração a lidar com os desafios éticos impostos pela IA no campo criativo. Isso traz à tona grandes questões sobre a rotulagem de conteúdos gerados por inteligência artificial, a definição de originalidade e o limite entre a ajuda legítima e a fraude acadêmica. A intensa competição e a pressão por originalidade no sistema educacional da China intensificam ainda mais essa tentação.
Com a IA integrando o processo criativo, os alunos precisam enfrentar debates sobre a originalidade dos trabalhos auxiliados por essas ferramentas e a possibilidade de plágio. Por exemplo, um estudante de arte pode utilizar a IA para criar conceitos visuais ou imitar um estilo, confundindo os limites entre uma ajuda legítima e a desonestidade acadêmica.
O estudo também revelou que comportamentos desonestos resultam em mais frustração e padrões de pensamento prejudiciais, levando os estudantes a se sentirem decepcionados e a desenvolverem uma visão negativa.
Sistemas de alerta precoce para universidades
Os pesquisadores recomendam que faculdades e universidades implementem sistemas de alerta precoce para identificar estudantes com traços de personalidade “sombrios”. Intervenções direcionadas, como aconselhamento comportamental e treinamentos em ética, podem ser úteis nesse contexto.
Além disso, defendem a criação de diretrizes claras sobre o uso de IA em trabalhos acadêmicos, de modo que os estudantes saibam exatamente o que constitui uma prática aceitável e o que pode ser considerado desonesto. Dado que o pensamento criativo parece mitigar esses riscos, as aulas de arte devem incentivar a originalidade, a automotivação e o aprendizado prático.
O estudo, que se baseia em autorrelatos de estudantes chineses de arte de seis universidades seletivas em Sichuan, ressalta a necessidade de pesquisas a longo prazo para comprovar a relação de causa e efeito entre os traços de personalidade e o comportamento acadêmico.
O uso indevido da inteligência artificial na educação já começa a ter consequências legais. Em 2024, um tribunal federal dos Estados Unidos validou a punição a um estudante que apresentou trabalho gerado por IA sem a devida identificação, estabelecendo um novo precedente legal para instituições de ensino em todo o mundo. Um exemplo anterior ocorreu no Reino Unido em 2023, quando centenas de estudantes foram investigados pelo uso do ChatGPT para trapacear, mesmo quando a ferramenta ainda não era tão difundida ou avançada.
Uma pesquisa da Associação de Universitários de Harvard, realizada com 326 estudantes e divulgada no verão de 2024, indicou que quase 90% dos alunos já utilizam ferramentas de IA generativa; para cerca de um terço, esses sistemas já substituíram a Wikipédia ou o Google como principal fonte de informação.
Pesquisas apontam que ferramentas de IA, como o ChatGPT, podem agravar dificuldades de aprendizagem se utilizadas de forma inadequada, especialmente por alunos que já enfrentam desafios, embora seu uso apropriado também possa oferecer benefícios significativos.
