“Falta algo”: AGI, superinteligência e uma corrida para o futuro
Sam Altman, CEO da OpenAI, descreveu a mais recente atualização do ChatGPT – alimentada pelo novo modelo GPT-5 – como “um avanço significativo no caminho para a inteligência artificial geral (AGI)”. Contudo, ele destacou que o sistema “falta algo muito importante”, como a capacidade de aprender continuamente depois do lançamento, deixando claro que, apesar de impressionantes, essas tecnologias ainda não possuem a autonomia necessária para desempenhar um trabalho em tempo integral.
Na definição da OpenAI, a AGI é entendida como um sistema altamente autônomo capaz de realizar tarefas humanas. Enquanto isso, gigantes da tecnologia dos Estados Unidos e da China, munidos de investimentos bilionários, tentam encontrar esse “algo a mais” que permita a criação de sistemas verdadeiramente inteligentes.
Mark Zuckerberg, CEO da Meta, chegou a afirmar que o desenvolvimento da superinteligência – um estado teórico no qual a capacidade cognitiva de uma máquina supera em muito a humana – já estaria “à vista”. Paralelamente, iniciativas na Google, que anunciou um modelo inédito que treina IAs em simulações convincentes do mundo real, e atualizações na Anthropic com o modelo Claude Opus 4, evidenciam que a corrida pela AGI está em plena ascensão.
Especialistas como Benedict Evans ressaltam que essa corrida acontece em meio a uma grande incerteza científica. “Não temos um modelo teórico que explique por que os modelos de IA generativa funcionam tão bem ou o que seria necessário para alcançarem a AGI”, afirma Evans, comparando a situação a construir um programa Apollo sem entender plenamente a gravidade ou a engenharia de foguetes.
Ainda assim, Aaron Rosenberg, parceiro da Radical Ventures e ex-líder de estratégia na unidade de IA da Google, acredita que uma definição mais restrita de AGI – entendida como um desempenho equivalente ao 80º percentil humano em 80% das tarefas digitais economicamente relevantes – pode ser alcançada nos próximos cinco anos. Matt Murphy, da Menlo Ventures, acrescenta que essa definição é “um alvo móvel”, e que a corrida pela inteligência artificial continuará evoluindo e elevando os padrões.
Mesmo sem atingir a AGI plena, os sistemas de IA generativa já demonstram forte potencial econômico. A receita anual recorrente da OpenAI tem crescido significativamente, com projeções que podem ultrapassar US$ 20 bilhões até o final do ano. Ao mesmo tempo, a competição internacional se intensifica. Enquanto empresas como Alphabet, Meta, Microsoft e Amazon destinam juntos quase US$ 400 bilhões para IA, fabricantes chineses também despontam com inovações como o modelo DeepSeek R1, reconhecido por seus “comportamentos de raciocínio poderosos e intrigantes”.
Grandes corporações, inclusive a Saudi Aramco – a maior empresa petrolífera do mundo – já incorporam essas tecnologias para aprimorar a eficiência de seus sistemas de TI. Para Brad Smith, presidente da Microsoft, o principal fator na corrida pela liderança em IA será a adoção global desses modelos, fazendo uma analogia com a liderança demonstrada pela Huawei no setor 5G.
Embora declarações acerca de sistemas superinteligentes possam criar expectativas desproporcionais e desviar a atenção das questões atuais – como a necessidade de que os sistemas sejam confiáveis, transparentes e livres de vieses –, o investimento em inteligência artificial segue crescendo. O caminho para atingir sistemas que igualem ou superem a inteligência humana, que há poucos anos parecia impensável, agora é reconhecido como um desafio real e em constante evolução.
