A Pangram lançou a versão 3.0 do seu detector de textos com IA. Agora, a ferramenta não faz apenas uma distinção binária entre textos escritos por humanos e gerados por máquinas, mas classifica o conteúdo em quatro categorias: totalmente escrito por humanos, levemente assistido por IA, moderadamente assistido por IA e inteiramente gerado por IA. Para documentos mais longos, o sistema analisa segmentos individuais, identificando situações em que um humano cria a primeira parte do texto e a IA finaliza o restante.

Precisão impressionante de 99,98%

De acordo com a Pangram, o novo modelo alcança uma precisão de 99,98% na identificação de textos gerados por IA, com uma taxa de falsos positivos praticamente inexistente. A empresa explica que, ao analisar ensaios escritos por humanos, os resultados apresentam uma distribuição nas diferentes categorias, onde pequenas assistências da IA abrangem correções ortográficas, ajustes gramaticais ou traduções que não alteram a essência do conteúdo. Já assistências mais significativas indicam que a IA reescreveu trechos maiores ou acrescentou novos elementos, como detalhes extras, ajustes de tom e modificações estruturais. Vale ressaltar que esses dados são oriundos da própria Pangram e não foram verificados de forma independente, além de que os limites entre os níveis de apoio da IA são considerados “mais uma arte do que uma ciência”.

Os usuários que acessam a versão gratuita têm acesso a uma classificação simplificada, em que textos levemente assistidos são identificados como “Humano” e aqueles com assistência moderada recebem a etiqueta “Gerado por IA”.

Pesquisas anteriores e debates sobre a detecção de IA

Antes mesmo do lançamento da versão 3.0, um estudo independente realizado pela Universidade de Chicago confirmou o desempenho acima da média do detector Pangram. Segundo a pesquisa, o sistema apresentou taxas de falsos positivos e falsos negativos praticamente nulas em textos de tamanho médio a longo, demonstrando robustez mesmo diante de tentativas de manipulação por ferramentas que “humanizam” a escrita.

No entanto, esse avanço tecnológico levanta questionamentos sobre a eficácia e o propósito da detecção de textos gerados por IA. Especialistas alertam para uma possível “corrida armamentista” entre detectores, modelos de IA e ferramentas de evasão. Alguns críticos, como o pioneiro da inteligência artificial Andrej Karpathy, enxergam a detecção de textos gerados por IA como um fracasso intrínseco e defendem que o foco deve ser a transformação do sistema educacional, em vez de tentar impor controle sobre a produção de conteúdo.