Meta compra startup de IA Manus AI

A Meta anunciou a aquisição da startup Manus AI, sediada em Cingapura e especializada em agentes autônomos de inteligência artificial. O agente autônomo será integrado aos produtos da Meta, com potencial para alcançar bilhões de usuários.

A Manus AI desenvolveu um sistema de agente de IA de uso geral, construído sobre modelos existentes, capaz de realizar tarefas complexas como pesquisa de mercado, programação e análise de dados de forma autônoma.

Segundo a Meta, o serviço Manus continuará operando e estará disponível para aquisição, enquanto a tecnologia será integrada aos seus próprios produtos, incluindo a Meta AI. A equipe da Manus concentrará seus esforços no desenvolvimento de agentes de IA para as ofertas voltadas tanto para consumidores quanto para empresas. Xiao Hong, CEO da Manus, assumirá o cargo de vice-presidente na Meta.

A Meta não divulgou números específicos sobre o desempenho da Manus AI ou o valor da aquisição, mas, segundo a Bloomberg, o negócio estaria avaliado em mais de dois bilhões de dólares. Na época da aquisição, a Manus gerava aproximadamente 125 milhões de dólares em receita recorrente anual.

Desde seu lançamento no início deste ano, o agente já processou mais de 147 trilhões de tokens e ativou mais de 80 milhões de computadores virtuais. Tecnicamente, a Manus foi lançada em março utilizando uma arquitetura multiagente – integrando o Claude Sonnet, da Anthropic, e diversas ferramentas de código aberto, como o Browser Use.

Manus se posiciona como a camada de execução da IA

Em seu comunicado, a Manus posicionou a aquisição como uma validação de seu trabalho com agentes de IA de uso geral, descrevendo-se como uma “camada de execução” que converte capacidades avançadas de inteligência artificial em sistemas escaláveis para aplicações do mundo real.

Xiao Hong afirmou que o funcionamento e as tomadas de decisão da Manus permanecerão os mesmos. O serviço de assinatura seguirá disponível via aplicativo e website, com a empresa operando a partir de Cingapura. O objetivo de longo prazo é levar essa solução a milhões de negócios e bilhões de pessoas nas plataformas da Meta.

A startup lançou recentemente a versão 1.5, que, segundo relatos, reduz o tempo de processamento de algumas tarefas de 15 para 4 minutos, ao mesmo tempo em que melhora a qualidade dos resultados em 15%. O sistema é capaz de criar aplicações web completas, incluindo o backend e o banco de dados. Recentemente, a Microsoft integrou a Manus ao Windows Explorer, permitindo que usuários criem sites automaticamente a partir de arquivos locais, mesmo com produtos similares já disponíveis de outros fornecedores.

Histórico e expansão da Manus

A Manus teve início em 2022, quando Xiao Hong fundou a Butterfly Effect e lançou uma extensão de navegador chamada Monica. Essa assistente de IA operava com diversos modelos de linguagem, como o ChatGPT e o Claude, e desde o princípio teve foco no mercado internacional. Em 2024, Monica já contava com mais de dez milhões de usuários e apresentava lucro, tendo recebido investimentos da ZhenFund e da Tencent.

A equipe fundadora é composta por Xiao Hong, o cientista-chefe Ji Yichao e o parceiro de produto Zhang Tao. Ji Yichao, que abandonou os estudos, destacou-se aos 17 anos ao criar o Mammoth Browser e, posteriormente, o motor de busca Magi. A Manus foi anunciada em 5 de março de 2025 e lançou oficialmente sua plataforma no dia seguinte.

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Após o lançamento, a Butterfly Effect captou mais 75 milhões de dólares em abril de 2025, em uma rodada liderada pela Benchmark, avaliando a empresa em cerca de 500 milhões de dólares. Posteriormente, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos revisou o investimento devido a possíveis violações das restrições impostas em 2023 a investimentos em empresas chinesas de IA.

Em maio de 2025, os três fundadores e outros executivos transferiram suas operações da China para Cingapura, onde foi estabelecida a nova sede. Em julho do mesmo ano, a Butterfly Effect descontinuou toda a sua equipe na China para mitigar riscos geopolíticos, encerrando a atuação de dezenas de funcionários na região. Desde então, a empresa abriu escritórios em San Mateo e Tóquio, e vem ampliando contratações em Cingapura, nos Estados Unidos e no Japão.

A aquisição no contexto competitivo da Meta

A negociação ocorre em um momento crítico para a Meta. Enquanto sua família de modelos Llama vem perdendo espaço, concorrentes como OpenAI, Anthropic e Google têm dominado as manchetes com seus modelos. Investidores estão cada vez mais céticos quanto à capacidade dos investimentos massivos da Meta em IA se converterem em receitas significativas a curto prazo. Com um modelo de assinatura já funcional, a Manus pode proporcionar retornos mais rápidos.

No mercado crescente de agentes de IA – considerado por muitos como a próxima grande evolução além dos chatbots – a Meta, com a aquisição da Manus, optou por adquirir um sistema de agente comprovado e uma equipe experiente, ao invés de desenvolver uma solução do zero. Resta saber como essa tecnologia será integrada ao ecossistema de serviços, que inclui Facebook, Instagram e WhatsApp.

Além disso, o negócio traz um produto desenvolvido com base em modelos concorrentes. Paralelamente à aquisição da Manus, a Meta está trabalhando em novos modelos de IA para textos, imagens e vídeos, identificados pelos codinomes “Mango” e “Avocado”, com previsão de lançamento para a primeira metade de 2026. Há indícios de que a Meta também está utilizando modelos externos, como o Gemma, do Google, e o Qwen, da Alibaba. Essa estratégia reflete a crescente pressão competitiva no campo da inteligência artificial generativa e as avaliações internas mistas referentes a modelos anteriores, como o Llama 4.

O desenvolvimento desses novos modelos está sendo coordenado pela recém-criada unidade “Meta Superintelligence Labs”, liderada por Alexandr Wang. Relatos indicam que o modelo “Avocado” será lançado como uma solução fechada, marcando uma mudança significativa em relação à antiga estratégia de código aberto.