5 Perguntas para Steve Hasker

Qual é uma grande ideia subestimada?

Direito autoral. Há um argumento em círculos de tecnologia que sugere que os Estados Unidos estão em uma corrida de IA com a China – onde se diz que a China não respeita os direitos autorais – e que, para os EUA prevalecerem, deveriam adotar uma definição ampla de uso justo. Contudo, essa lógica ignora um ponto fundamental: o estímulo que incentiva pessoas criativas a produzirem conteúdos de excelência, seja no jornalismo, na literatura ou na pesquisa. Se essa for uma corrida contra a China, o grande diferencial dos EUA será justamente o conteúdo de alta qualidade usado para treinar os grandes modelos de linguagem.

Qual é uma tecnologia que você acha supervalorizada?

Ferramentas de IA de uso geral podem estar supervalorizadas. Um estudo do MIT apontou a necessidade de diferenciar mais as aplicações para consumidores de ferramentas de IA de nível profissional. Estes últimos são treinados com conjuntos de dados extraordinariamente grandes e precisos, contando com o suporte de especialistas que entendem exatamente a intenção do usuário. “Nível profissional” implica uma exigência de máxima precisão, bem como proteções rigorosas de privacidade e dados.

O que o governo poderia estar fazendo em relação à tecnologia e não está?

De acordo com o relatório “Future of Professionals” de 2025, quase metade das organizações pesquisadas já investiu em ferramentas de IA, mas 36% dos funcionários do governo americano afirmam que seus departamentos estão avançando de forma demasiado lenta. A recomendação é que o governo adote uma estratégia de IA alinhada aos objetivos corretos e incentive a adoção dessas ferramentas. Com isso, é esperado um aumento tanto na eficiência quanto na eficácia dos órgãos envolvidos.

Qual livro mais moldou sua concepção de futuro?

“Essence of Decision: Explaining the Cuban Missile Crisis”, de Graham Allison. Esse livro oferece uma análise brilhante sobre como decisões são tomadas – sejam elas boas ou ruins – e destaca como as pessoas podem se aprisionar em suas próprias perspectivas e organizações, desenvolvendo uma visão limitada. Essa tendência é observada em diferentes setores, onde cada grupo tende a acreditar que sua própria visão é a mais adequada para interpretar as inovações tecnológicas disruptivas.

O que mais te surpreendeu neste ano?

Nas primeiras versões dos modelos de linguagem, acreditava-se que eles não conseguiam fazer cálculos matemáticos e eram excelentes apenas com a palavra escrita. Agora, com o avanço das capacidades agentivas da IA, é possível que agentes alimentem um motor de cálculo de impostos e elaborem uma versão inicial de uma declaração fiscal.

O Vaticano não terá um Papa de IA

O Papa Leo XIV rejeitou uma proposta para criar uma versão de inteligência artificial de si mesmo. Uma biografia em preparação revelou que alguém havia solicitado sua permissão para desenvolver um avatar de IA, permitindo que qualquer pessoa tivesse uma audiência pessoal com o papa. “Se há alguém que não deveria ser representado por um avatar, eu diria que o papa está no topo dessa lista”, afirmou. Embora não seja contrário à tecnologia em si, Leo alertou que a IA pode ameaçar tanto o trabalho humano quanto o ecossistema de informações, citando um caso em que um vídeo deepfake dele caindo uma escada circulava nas redes.

A GOP começa a se dividir sobre a FCC e Jimmy Kimmel

Alguns senadores republicanos de destaque começaram a expressar preocupação com a recente campanha de pressão da Comissão Federal de Comunicações (FCC) sobre as redes de TV. Após o presidente da FCC ter pressionado a ABC para suspender Jimmy Kimmel por comentários sobre Charlie Kirk, ficou implícito que outras produções poderiam ser igualmente analisadas. Em um podcast, o dirigente afirmou: “Podemos fazer isso da maneira fácil ou difícil”, chegando a sugerir que programas como “The View” poderiam ser submetidos à regra de tempo igual, que obriga os canais a oferecerem espaço equivalente para candidatos políticos concorrentes.

Senadores, como Ted Cruz, manifestaram que tais ações são “extremamente perigosas”, enquanto outros adotaram uma postura mais cautelosa, reconhecendo que, embora os comentários de Kimmel tenham ultrapassado certos limites, seria bastante incomum que o chefe de uma agência governamental se posicionasse de forma tão contundente para influenciar o que é dito publicamente.

O Futuro em 5 Links

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