O último ano foi difícil para todo mundo, mas também escancarou situações difíceis tanto da estrutura social quanto de cada um de nós internamente.

É em momentos difíceis que realmente compreendemos quais pessoas estão trabalhando para o bem comum e quais são aquelas que estão mais preocupadas com seus próprios negócios.

Casais se separaram, amigos desfeitos, empregos perdidos e, infelizmente, pessoas perdidas. E no final das contas só restou cada um de nós com tempo para refletir, talvez pela primeira vez em muito tempo.

Alguns usaram esse tempo para se enfrentar. Desconstruir medos, reconhecer falhas, perdir perdão e entender fragilidades. Outros se ocuparam com trabalho, procrastinação e/ou mídias sociais.

Não há certo ou errado nesse caso, afinal cada um tem uma maneira de lidar com a situação. Inclusive, por boa parte do tempo estive no segundo grupo, me ocupando a cabeça para passar rápido.

No entanto, recentemente tive um pouco mais de vontade de dar esse mergulho interno e quero compartilhar o que penso que significa esse próximo ano, em especial para nós que estamos buscando ou tilhando uma vida de liberdade profissional.

Dois (ou vários) caminhos

Que o início de um ano representa para muitas pessoas o recomeço não é novidade. Agora, efetivamente usar essa oportunidade para nos reconstruir é algo raro.

Há um tempo eu escrevi um artigo aqui no blog sobre como não precisamos esperar momentos específicos no ano para nos transformar. Ano novo, início de mês, aniversário, etc. Simplesmente podemos decidir tomar um caminho diferente numa tarde de Quarta-feira.

Inclusive minha vontade de mudança mais forte veio há algumas semanas e não perdi tempo em começar a agir de maneiras diferentes. No entanto, sempre gosto de aproveitar a mudança de ano para planejar minhas ações de maneira mais estruturada de acordo com o tipo de pessoa que desejo me tornar.

Eu tenho uma visão do tipo de pessoa que gostaria de ser e observo em mim várias ações que não condizem com essa minha visão. Por isso de tempos em tempos é bom dar essa ‘olhada no espelho’ com humildade e gosto de fazer isso perto da virada do ano.

No entanto, não é só a empolgação do planejamento que nos transformamos e a primeira pergunta que vale a pena ser feita é:

Você está disposto(a) a fazer essa mudança?

Essa pergunta não é nada simples. Dizer que está disposto(a) a emagrecer, por exemplo, significa visualizar todas as situações de festas, fins de semana, restaurantes ou momentos deprê que terá que fazer a escolha de abrir mão do conforto, do mais fácil ou do mais gostoso por esse objetivo.

Mudar de profissão e, por exemplo, seguir um caminho de liberdade profissional signfica visualizar os momentos de incerteza se conseguirá ganhar o dinheiro necessário, os momentos de enfrentamento de se expor ao público para fazer uma publicidade, dos dias que acordará sem vontade de trabalhar e terá de fato a opção de não trabalhar. Você trabalhará?

Ao fazer essas visualizações, temos que estar sinceramente crédulos em nossa capacidade de realizar e de nos transformar.

Várias vezes na minha vida eu me propus resoluções de fim de ano que apenas me deram frustrações pois ‘na hora do vamos ver’ eu não agi da maneira que imaginei. E isso aconteceu porque eu, no fundo, não estava disposto a fazer os sacrifícios necessários. Caso eu tivesse feito a visualização antes, poderia ter me poupado um pouco da frustração.

Não tem nada de errado em dizer que não está disposto. Eu lutei por 10 anos contra um vício alimentar e por pelo menos uns 6 desses eu me frustrei em mudar. Foi somente quando eu entendi que tinha que estar previamente disposto a mudar que realmente consegui vencê-lo.

Então, nesse momento de pensar em projetos, objetivos ou resoluções de fim de ano, te convido a passar um filtro naquilo que colocou em sua lista.

Você pode seguir o caminho da mudança ou pode decidir deixar para outro momento.

Ou quem sabe há uma outra maneira também. Dependendo, você pode ir por um dos caminhos do meio. Colocar uma meta menor para algo que não está disposto pode te colocar numa situação boa também.

Por exemplo, se você gostaria de ler um livro por mês mas acha que não vai dar conta e não está diposta a fazer esse tipo de esforço, quem sabe um livro a cada três meses não é uma meta boa também?

Muitas vezes ficamos também presos no “ideal” e esquecemos que a metade do ideal é melhor do que não fazer nada.

Oportunidade para mudar

Independentemente do seu objetivo pessoal ou profissional para esse próximo ano, há coisas que não temos controle e que influenciam diretamente nossas vidas.

A pandemia, por exemplo, não foi embora. A constante diminuição de postos de trabalho não vai embora (talvez nunca). As oportunidades de hoje vão embora e darão lugar para novas. E por aí vai.

E algo que é único desse momento atual, pelo menos na minha visão, é que há uma aceitação cultural, econômica e social para a mudança.

Mudança é um conceito vago, não é? Então deixa explicar um pouco.

Do ponto de vista econômico, o mundo todo está sofrendo de uma maneira ou outra e nem você nem eu somos sócios de uma das empresas que está vendendo vacinas.

Ao mesmo tempo, o maneira de se trabalhar foi migrada do espaço físico pro online e em muitas indústrias isso vai representar uma mudança permanente a partir do momento que as empresas viram que a produtividade não foi afetada (quando não melhorada) e empregados descobriram que podem fazer mais coisa no dia sem as duas ou mais horas de transporte.

Junto de tudo isso, a pandemia nos convidou a refletir sobre nosso impacto no mundo um pouco mais fortemente. O que comemos, como cuidamos de nós e dos outros ou mesmo do meio ambiente.

Se somar tudo isso com o poder que cada indivíduo tem para criar sua própria marca pessoal online, temos a oportunidade perfeita para essa nova leva de profissionais autônomos.

Aqui no blog digo que devemos buscar liberdade profissional e agora é um dos melhores momentos possíveis para ir em direção a esse estilo de vida e de trabalho.

Devo confessar que os anos de desenvolvimento da minha marca pessoal estão pagando dividendos já há um bom tempo, mas especialmente nos últimos meses de 2020 foi algo que nunca tinha tido a experiência.

Há uma procura cada vez maior por profissionais que não fazem o ‘padrão’, mas que lidam de maneira holistica, empática e responsável. Que não tem medo de dizer não para um cliente, de sugerir uma mudança fora de sua área de atuação ou de entregar algo um pouco diferente do esperado que na sua concepção é melhor.

Contribuição

Para finalizar, quero enfatizar minha maneira de encarar essa transformação.

Pra mim, toda transformação que busco em mim tem também um lado externo de contribuição. Eu quero me tornar uma pessoa melhor para poder ajudar de maneira mais plena e certeira outras pessoas.

Quero guiar minha jornada profissional para que possa acelerar o futuro que considero mais amoroso e benéfico para o planeta.

Esse sentimento de contribuição é muito mais poderoso do que o individualista que estamos ‘acostumados’ por nossa cultura capitalista e abre portas para sermos bem sucedidos financeiramente coletivamente.

O que achou de tudo isso? Faz sentido? Me conta abaixo nos comentários.

Divirta-se!