Wall Street em Operações Mistas em Meio à Queda dos Gastos do Consumidor em Janeiro
Em sexta-feira, os principais índices de Wall Street apresentaram resultados mistos em meio a uma sessão marcada por alta volatilidade. Investidores evitaram grandes apostas depois que os dados mostraram uma queda nos gastos dos consumidores em janeiro, o que aumentou as preocupações de que a maior economia do mundo possa estar desacelerando.
Um relatório do Departamento de Comércio indicou que a inflação subiu conforme o esperado no mês anterior. Contudo, os gastos do consumidor – que representam mais de dois terços da economia – recuaram 0,2% após um aumento revisado de 0,8% em dezembro.
Peter Cardillo, economista-chefe de mercado na Spartan Capital Securities, afirmou: “Os gastos ficaram abaixo do que esperávamos… A maior parte disso pode ser atribuída ao esfriamento da economia, o que coloca o Federal Reserve diante de um dilema: ainda há inflação e uma economia em queda. Juntando esses fatores, temos o que se chama de estagflação.”
O relatório é importante para investidores que buscam entender o próximo movimento de política do banco central, especialmente após os formuladores terem reiterado uma postura agressiva em relação às taxas de juros. As preocupações aumentam diante da possibilidade de que as políticas da administração Trump, sobretudo as restrições comerciais, possam elevar a inflação doméstica.
Dados compilados pela LSEG indicam que os traders preveem que o Fed deverá cortar os custos de empréstimo duas vezes até dezembro, mantendo as expectativas anteriores ao relatório. Ainda hoje, os investidores aguardam os comentários do presidente do Federal Reserve de Chicago, Austan Goolsbee.
Às 10h06 ET, o Dow Jones Industrial Average (.DJI) subiu 204,26 pontos (0,47%), fechando em 43.443,76; o S&P 500 (.SPX) ganhou 6,10 pontos (0,10%), terminando em 5.867,67; enquanto o Nasdaq Composite (.IXIC) caiu 47,51 pontos (0,26%), encerrando em 18.490,55.
Setores que tendem a performar melhor em épocas de incertezas econômicas, como bens de consumo básico e utilidades, registraram alta de cerca de 1% cada. Em contrapartida, as ações do setor de tecnologia apresentaram ganhos limitados.
O índice de volatilidade CBOE (.VIX), conhecido como o indicador de medo de Wall Street, atingiu uma alta de um mês, chegando a 21,26 pontos.
Relatórios recentes têm apontado para uma economia em desaceleração e para preocupações de que empresas de tecnologia, como Nvidia (NVDA.O) e Microsoft (MSFT.O), possam estar investindo demais em infraestrutura para inteligência artificial, colocando os índices de Wall Street a caminho de declínios mensais.
O S&P 500 registrou quedas em cinco das últimas seis sessões e está prestes a ter seu maior recuo mensal desde abril de 2024. O Nasdaq, fortemente concentrado em tecnologia, caiu cerca de 9% em relação à sua alta histórica e caminha para sua queda mensal mais acentuada desde setembro de 2023.
Destaques no mercado incluem a queda de 1,9% das ações da Nvidia, após uma desvalorização de 8,5% na sessão anterior, resultado de uma previsão de margem bruta trimestral abaixo das expectativas, mesmo diante de um cenário de receitas otimista. A Dell (DELL.N) recuou 5,7% após a previsão de uma redução na taxa de margem bruta ajustada para o ano fiscal de 2026, enquanto a HP Inc (HPQ.N) caiu 6,6% após suas previsões de lucro trimestral não atingirem as expectativas.
A ameaça anunciada por Trump de impor uma tarifa adicional de 10% sobre importações da China afetou ações de empresas chinesas listadas nos EUA, como Alibaba e Xpeng, que caíram, respectivamente, 3,2% e 6,5%. Ainda, a NetApp (NTAP.O) despencou 11,3% depois que a empresa de armazenamento de dados revisou para baixo sua previsão de resultados anuais, e a Walgreens (WBA.O) caiu 4,8% após um relatório indicar que a firma de private equity Sycamore Partners estaria próxima de adquirir a rede de farmácias.
No pregão, no NYSE, os papéis em alta superaram os em baixa na proporção de 1,46 para 1, enquanto na Nasdaq os declinantes foram 1,24 vezes mais numerosos do que os avanços. No S&P 500, foram registrados 27 novos máximos de 52 semanas e 10 novas mínimas, enquanto no Nasdaq Composite constaram 21 novos máximos e 228 novas mínimas.