Com o lançamento de novos modelos de IA cada vez melhores na programação, os desenvolvedores estão recorrendo cada vez mais à inteligência artificial para gerar código. Um dos exemplos mais recentes é o grupo atual da Y Combinator, a renomada aceleradora de startups do Vale do Silício. Um quarto das startups do grupo W25 tem 95% de seus códigos gerados por IA, conforme afirmou o sócio-gerente da YC, Jared Friedman, durante uma conversa postada no YouTube.
Friedman explicou que essa porcentagem de 95% não inclui códigos produzidos para importar bibliotecas, levando em conta somente o código digitado por humanos em comparação com o gerado pela IA.
“Não é como se tivéssemos financiado um grupo de fundadores sem conhecimento técnico. Cada um deles é altamente capacitado, totalmente capaz de construir seus produtos do zero. Há um ano, eles teriam construído o produto do zero — mas agora 95% dele é produzido por uma IA”, afirmou.
Em um vídeo intitulado “Vibe Coding is the Future”, Friedman, juntamente com o CEO da YC, Garry Tan, o sócio-gerente Harj Taggar e a sócia geral Diana Hu, discutiram a tendência de usar linguagem natural e intuição para criar código.
No mês passado, o ex-chefe de IA da Tesla e ex-pesquisador da OpenAI, Andrej Karpathy, descreveu o termo “vibe coding” para caracterizar uma forma de programar utilizando grandes modelos de linguagem (LLMs) sem se ater excessivamente aos detalhes do código.
Contudo, o código gerado por IA ainda está longe de ser perfeito. Estudos e relatórios observaram que alguns códigos produzidos pela inteligência artificial podem inserir falhas de segurança em aplicações, causar interrupções ou cometer erros, forçando os desenvolvedores a ajustá-lo ou depurá-lo intensivamente.
Durante a discussão, Hu destacou que, mesmo que os criadores de produtos dependam fortemente da IA, é fundamental dominar a leitura de código e a identificação de bugs. “É preciso ter o discernimento e treinamento necessários para saber quando um LLM está gerando informações inadequadas ou eficientes. Para realizar um bom ‘vibe coding’, você ainda precisa ter o paladar e o conhecimento que permitem distinguir o que é bom do que é ruim”, afirmou.
Tan também ressaltou a importância dos fundadores possuírem uma formação clássica em programação para garantir a sustentabilidade dos produtos a longo prazo. “Imagine uma startup com 95% do código gerado por IA lançando seu produto no mercado, e, em um ou dois anos, tendo 100 milhões de usuários. Será que o sistema vai aguentar? As primeiras versões dos modelos de raciocínio não são competentes em depuração. É necessário compreender profundamente o que está acontecendo por trás do produto”, sugeriu.
Investidores e desenvolvedores estão entusiasmados com a programação impulsionada por IA. Startups como Bolt.new têm captado centenas de milhões de dólares em investimentos nos últimos 12 meses.
“Isso não é uma moda passageira. Não vai desaparecer. Essa já é a forma dominante de programar. E, se você não se adaptar, pode acabar ficando para trás”, concluiu Tan.