E-mail – Reflexão da semana #06. Enviado em 28 de Março de 2019.

ПРИВЕТ (Priviet)!

‘Oi’ em Russo. Escrevo no momento de Odessa na Ucrânia e é assim que acabo cumprimentando as pessoas no dia a dia.

Quando conhecemos alguém, percebo que o que vem depois do ‘oi’ acaba sendo bem parecido. “Como vai?”, “Ta frio ne?”

Porém, tem uma perguntinha que acaba sempre aparecendo na conversa logo nos primeiros minutos independente do lugar que estou:

“O que você faz?”

E em geral, acabamos respondendo mais ou menos assim:

“Eu sou…”

Nossa língua nos diz muito sobre como pensamos determinadas situações. Respondemos à pergunta que usa o verbo “fazer” com uma frase com o verbo “ser”.

É claro que quando paramos para pensar, não realmente achamos que o que fazemos na vida é tudo que somos. Mas…será que não pensamos assim mesmo?

“What do you want to be when you grow up?” (inglês)
“O que você quer ser quando crescer?” (português)
“大きくなったら何になりたい?” (japonês)
“هذه مزحة لمعرفة عدد الأشخاص الذين قاموا بالبحث. إذا وجدت هذه الرسالة ، أرسل لي رسالة عبر البريد الإلكتروني” (árabe)

Em várias línguas acabamos usando de expressõs como essas ao perguntar crianças o que elas querem ser quando crescer. Expressões que implicam ser alguma coisa ou se tornar alguma coisa e esperam que a resposta seja uma profissão.

Eu não sei se sou estranho demais, mas pra mim esse tipo de lógica não é bacana.

Eu não quero ser definido pela minha profissão.

Aliás, não só acho que sou definido por múltiplas atividades como nem sei até quando minha profissão atual continuará a existir.

Em breve vou lançar no YouTube um vídeo explorando mais a fundo essa questão da velocidade de transformação de postos de trabalho. Então aproveita pra se inscrever lá para não perder.

Por hora, minha reflexão dessa semana cai sobre a definição de quem somos por meio do nosso trabalho.

Só me dei conta recentemente que eu faço isso o tempo inteiro. Conheço alguém e logo pergunto: “O que você faz?”

Falta de criatividade ne? Me lembro do meu amigo e ex-colega de trabalho Gabriel Ponzi sugerindo formas mais interessantes de levar uma conversa adiante.

“Qual é o seu maior desafio no momento?” – é uma boa pergunta que estou voltando a colocar no meu arsenal de primeiras interações com outros humanos não ainda amigos.

Se a gente não se policia, acabamos repetindo os mesmos padrões mesmo depois de os questionar. Vamos no hábito, no seguro, no socialmente mais aceito.

Então o desafio para essa senama é buscar não só observar nossas ações nesse sentido, mas sim agir da maneira que valorize nossas identidades e também as identidades das pessoas que conhecemos.

Em vez de perguntar o que uma pessoa faz, que tal buscar entender os interesses, paixões, desafios, medos ou hábitos dos outros.

Em vez de responder a perguntas desse tipo com nossas profissões, que tal abrirmos a cabeça e o coração para dizer o que realmente somos e fazemos além apenas do trabalho.

Naturalmente, trabalho ou a profissão são partes fundamentais da nossa vida. Esperançosamente você trabalha com algo que está alinhado com as mudanças que você deseja para o mundo. Nesse caso, imagino que queira muito falar sobre o que trabalha como também definição de si.

Mas se não é seu caso, tudo bem também.

Alguns de nós podem escolher de forma simples o caminho a seguir profissionalmente. Já outras pessoas não possuem tanta liberdade e qualquer mudança nesse sentido envolve riscos enormes que não valem a pena ser corridos.

Eu entendo isso. Ao mesmo tempo, vale sempre a reflexão e o questionamento para irmos a fundo no que nos define.

Um abraço,
André

Divirta-se!