Presidente da Guiana condena incursão naval venezuelana em campo de petróleo offshore operado pela ExxonMobil

Presidente da Guiana Irfaan Ali durante conferência de imprensa

GEORGETOWN, Guiana (AP) — No sábado, o presidente da Guiana denunciou a incursão de um navio naval venezuelano armado em águas disputadas, onde se encontra um imenso depósito de petróleo offshore em desenvolvimento pela ExxonMobil.

Em pronunciamento transmitido pela televisão, o presidente Irfaan Ali afirmou que a Guiana está notificando urgentemente todos os seus aliados internacionais, inclusive a administração Trump, e que convocou o embaixador da Venezuela na capital, Georgetown, para registrar uma denúncia formal.

“Esta incursão é motivo de grave preocupação”, disse Ali. “As fronteiras marítimas da Guiana são reconhecidas pelo direito internacional. Este é um desenvolvimento sério relacionado ao nosso território marítimo. Não toleraremos ameaças à nossa integridade territorial.”

A administração Trump, que nesta semana tomou medidas rápidas para endurecer as sanções ao governo do presidente venezuelano Nicolás Maduro, ecoou imediatamente as preocupações expressas por Ali. Segundo o Departamento de Estado dos EUA, “Novas provocações resultarão em consequências para o regime de Maduro.”

O presidente também informou que o navio venezuelano passou próximo de diversas grandes embarcações utilizadas para armazenar o petróleo extraído de três campos operados pela ExxonMobil e seus parceiros, Hess Corp e CNOOC (da China), no Bloco Stabroek, que contém um estimado de 11 bilhões de barris de petróleo. Segundo Ali, várias aeronaves e embarcações foram mobilizadas para apoiar o grande número de navios de perfuração, embarcações sísmicas e navios de apoio que atuam na região.

O incidente deste sábado ocorreu apenas duas semanas após homens armados, suspeitos de piratas venezuelanos que atuavam na fronteira do rio Cuyuni, trocarem tiros com uma patrulha militar guianense, resultando em ferimentos de seis soldados, sendo dois deles em estado grave.

Desde que a ExxonMobil fez sua importante descoberta de petróleo na Guiana, em 2015, a Venezuela reavivou uma disputa territorial centenária com o país e tomou medidas para anexar a remota região do Essequibo, que compreende cerca de dois terços do território guianense.

Há décadas, os dois estados vizinhos se confrontam por questões de fronteiras terrestres e marítimas, uma vez que a Venezuela alega que uma comissão de deliberação de limites, realizada na década de 1890, a prejudicou e a impediu de reivindicar a região rica em petróleo. Administrada pela Grã-Bretanha por mais de um século, a área está sob controle da Guiana desde 1966, quando o país conquistou sua independência do Reino Unido.