Por que viajar?

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E-mail – Reflexão da semana #07. Enviado em 27 de Maio de 2019.

Olá meus amigos e amigas!

Estou escrevendo esse e-mail no avião, sobrevoando o Oceano Atlântico e voltando para o Brasil. O e-mail de hoje não vai seguir muito o padrão das últimas reflexões, pois vou trazer mais relatos do que opiniões. No entanto, quero saber suas percepções e opiniões.

Talvez você já saiba, mas eu vivo de maneira nômade, isto é, não possuo um lugar fixo de moradia e estou sempre pipocando de lá pra cá junto com minha esposa, a Amanda. Passamos os últimos 7 meses viajando por 5 países diferentes. Reino Unido, Romênia, Bulgária, Ucrânia e Itália.

Antes de iniciar a viagem, nós já vivíamos como nômades, mas era de uma maneira mais segura e dentro do Brasil. Garantíamos que tínhamos o dinheiro para passar três meses em algum lugar, fazíamos as malas e, sem muitas surpresas, passávamos uma mini-vida (como gostamos de chamar) em alguma cidade.

Ficamos assim por perto e 1 ano e meio, até que pensamos que estava na hora de dar o próximo passo: Aventurar sem necessariamente uma data para voltar e sem necessariamente ter o dinheiro para a viagem toda. Foi a mudança do pensamento de uma viagem longa para, realmente, uma vida viajando.

Em mais ou menos dois meses organizamos tudo e partimos. Para mim, a exploração do mundo tem muito a ver com a empatia. A compreensão de que por mais que somos iguais biologicamente, cada cultura compreende essa biologia de maneira diferente. Por mais que vivemos na época mais homogênea e o acesso aos costumes de outros lugares estão a um clique de distância, é muito diferente vivenciar aquilo nos locais.

Por mais que nossa cultura seja derivada da Europa, é impressionantemente claro como os jeitos de agir mudam quando também mudamos de região. A língua, os sinais, o dinheiro, os valores, as prioridades. Tudo parece ser diferente na Europa mesmo que nos movemos a distâncias equivalentes à de São Paulo para o Rio de Janeiro.

Ao mesmo tempo, a globalização e o mercado reduzem um pouco a diversidade cultural, o que acaba parecendo que estamos sempre navegando por diferentes tons de vermelho, branco e azul. Aproveitando o livro Sapiens, tem uma parte que o autor comenta que só existiu e ainda existe uma única forma de relacionamento entre praticamente todos os povos que não tem barreiras culturais, não tem preconceitos, não tem ‘tempo ruim’: o dinheiro. O McDonalds está escrito em vários alfabetos diferentes, mas o veneno é o mesmo em qualquer lugar.

Tem uma frase que já li em vários livros e parece que quanto mais eu conheço outros lugares, mais ela faz sentido. O ser humano e suas culturas só conseguem ser compreendidos através de suas contradições.

Eu nunca vi tanto culto ao capital quanto no país mais comunista que visitamos, a Ucrânia. Eu nunca vi tanto individualismo quanto no país que tem a maior diversidade de religiões convivendo uma ao lado da outra que vimos, a Bulgária. Eu nunca vi tanta gente armada e ameaçadora nas ruas quanto no país que faz parte do ‘primeiro mundo’, a Itália.

Na Inglaterra, se alguém esbarra em você, provavelmente irá ouvir muitas desculpas e perdões. Uma sociedade polida, mas que sofre por essa repressão social em convívios familiares. Já na Bulgária, ao perguntar para um nativo o que eles fazem quando alguém esbarra em você, recebi a resposta: “Não fala nada. A gente não pede desculpas.” Mas essa frase foi dita por um dos casais mais amáveis e educados que conhecemos na viagem toda.

Assistir um documentário, ler um livro ou ver um vídeo no YouTube sobre outro lugar, assim como ler esse e-mail, passa apenas relatos e observações de quem produz o conteúdo. No entanto, pra mim o grande propósito de viajar está em um detalhe:

“A beleza está nos olhos de quem vê.’

Cada um de nós tem uma história diferente. Uma cultura diferente. Valores, moral, ética diferentes. Sensibilidades diferentes. Quando viajamos e nos deparamos com outras culturas, estamos enxergando os outros através da nossa lente que é única.

Nas últimas semanas tenho perguntado para a Amanda constantemente ‘por que estamos fazendo essas viagens? Por que queremos conhecer outras culturas e povos? Por que isso nos impacta?’

De novo e de novo e de novo. E aparentemente só agora escrevendo esse texto que consegui perceber essa sutileza. Antes pensava que basta ler sobre um lugar e entender sua história que já sabemos tudo que é importante. ‘Já entendi que preciso para ser empático, tolerante, respeitoso e/ou amoroso com os outros’, era o que me pegava pensando.

Eu estudo japonês, sou faixa preta de Karate, fiz minha monografia na faculdade sobre o Japão e não consigo contar quantos documentários, vídeos e livros já devorei sobre o país e sua história. Achava que praticamente já conhecia sua cultura. Mas agora não consigo pensar mais assim.

Afinal, não só não existe uma única percepção de uma cultura, também não existe nenhuma cultura que é deterministicamente estática, tradicional ou compartilhada por todos os integrantes de uma região geográfica.

Tendemos a falar que tal grupo de pessoas é assim, outro é de tal jeito e por aí vai. Cheguei na Itália com o preconceito de que as pessoas iam ser mal educadas comigo pois era o que outros falavam. Mas será que os italianos são mal educados mesmo ou o estrangeiro que já chegou falando em Inglês sem antes dar um “Ciao” com um sorriso? Será que os italianos são mal educados mesmo ou a pessoa que conversou no dia estava de mau humor por algum problema.

Por isso, tudo que falo aqui nesse e-mail – assim como qualquer conteúdo que pegar sobre outros lugares – parte de percepções individuais. A mídia adora colocar rótulos nos lugares e nas pessoas. Cabe a nós dar um passo pra trás e lembrar que toda informação passa por um filtro humano que não só tem suas próprias lentes como também seus próprios objetivos.
Viajar é uma ótima forma de treinarmos nossa empatia porque temos a oportunidade de observar outro ser humano que age diferente de nós e pensa diferente de nós, mas sem julgar o grupo, a cultura ou a região. Se conseguir não julgar, é um grande feito. Se conseguir ainda mais não julgar aquele indivíduo, então está realmente de parabéns.

Julgar é o jeito preguiçoso da nossa cabeça de não ter que ficar questionando o tempo todo as coisas. Ao mesmo tempo, é o que nos faz dizer que todo brasileiro gosta de futebol e sabe sambar e todo político é corrupto.

Ufa!

Como disse, esse e-mail teve uma reflexão um pouco diferente das anteriores. Para você, faz sentido tudo isso? Quando você viaja para um lugar diferente, o que está buscando? Quando conhece alguém de outro país, já se pegou julgando aquela nacionalidade em cima do depoimento de um único integrante dela?

Me conta aí respondendo esse e-mail.

Um abraço,
André
Divirta-se!

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