Existe uma procura cada vez maior por Smartwatches, fitness bands, aplicativos de fitness, redes sociais e outros aparelhos ou tecnologias que tem como objetivo nos mensurar o tempo inteiro.

Sei quantos minutos eu dormi em sono profundo, quanto tempo passei olhando Instagram e quantos passos caminhei em determinado dia.

Legal demais, né?

Eu também acho. Acho que desde que comecei a brincar com tecnologia eu sou atraído por gráficos bonitos e que demonstram meu progresso em determinado segmento.

Sou uma pessoa que adora organizar as coisas e a partir do momento que descobri que podia saber mais e mais sobre mim, fui atraído imediatamente.

Comecei simples. Instalei um sistema que contava minha hora e passei a medir quanto tempo gastava para fazer tudo em um dia. Tempo no celular, tempo em cada tipo de projeto, tempo no banheiro.

Bacana, descobri muito sobre mim e, em especial, fiquei impressionado com o tempo ‘desnecessário’ que gastava com coisas fúteis.

Entendi que mais valia a pena eu jogar no meu celular uma hora seguida no meio do meu dia do que 5 minutos a cada pausa que fazia no dia.

Depois de um tempo quis saber mais sobre minha performance física. Comprei um medidor cardíaco e passei a usá-lo em conjunto com os aplicativos, como o da Nike Plus Running, que nessa época precisava de um aparelhinho que colocava no tênis para poder mensurar seus passos.

Todo ano praticamente desde os meus 20 e poucos eu fazia exames de sangue para acompanhar meu progresso e durante um bom tempo contava minhas calorias, proteínas, gorduras, etc.

E isso foi e foi até recentemente, tendo mudanças no tipo de atividade mensurada e do que mais me empolgava em determinado momento para saber sobre mim.

No entanto, com o tempo comecei a perceber que os números em si passaram a não mais me gerar satisfação, mas sim ansiedade.

Algumas vezes dormimos menos, nos exercitamos menos, comemos coisas não tão legais. Mas isso está tudo bem, não era o problema ter que ver meu progresso de vez em quando pior.

O problema mesmo é que os números eram mais motivo de ansiedade do que realmente uma informação para incitar mudança.

Mais até importante, depois que você entende um pouco sobre como nós funcionamos não há muito mistério em querer saber cada mínimo detalhe. Sabemos muito bem o que é preciso para viver uma vida saudável e plena, só que temos ‘preguiça’ de seguir o correto e ficamos inventando moda para tentar justificar ações que não são legais.

Nos meus estudos e percepções, há 5 coisas que temos que fazer para que tudo fique bem:

  1. Dormir bastante e tranquilo
  2. Comer alimentos saudáveis
  3. Exercitar regularmente e nos movimentar constantemente
  4. Evitar situações de estresse
  5. Sentir que está contribuindo para o mundo

Ou seja,

  1. Evitar tela de noite, dormir no escuro, dormir sempre no mesmo horário
  2. Evitar alimentos processados, alimentos derivados de animais, açúcar e sal. Fazer jejum intermitente e comer menos.
  3. Não ficar horas e horas sentado, fazer exercícios que tenham pelo menos alguns momentos em que o batimento cardíaco aumenta
  4. Ligar um pouco o botão do foda-se para tanta coisa no mundo, amar mais do que julgar, evitar redes sociais e cortar relações com pessoas que nos deixam para baixo.
  5. Fazer trabalhos e ações que tragam um benefício não só para nós mas também para outras pessoas.

Fácil?

De jeito nenhum!

Tudo isso é difícil de fazer. É muito mais simples eu me enganar no curto prazo com resultados ‘positivos’ nos meus aplicativos fazendo 2 minutos de exercício de alta intensidade, dormindo 5h, fazendo dietas aleatórias e gerindo uma empresa que deseja se mover na velocidade da luz para crescer rápido.

Eu sei disso porque eu vivi isso assim como muitas outras pessoas ao meu redor.

“Tô fazendo um teste aqui de comer só carne”, disse o empresário. “Tem três meses e meus exames de sangue nunca estiveram tão bons e estou com tanta energia que só preciso dormir 4h e trabalho 20”.

Vai lá campeão, fica nessa rotina aí mais um tempo. Vai ser muito bom.

É mito atrás de mito, mas as evidências científicas só apontam para o contrário do que essa cultura hiperprodutiva capitalista deseja de nós.

Quanto mais calmos, presentes, comendo alimentos naturais e não processados, noites de sono sem interrupção, etc; mais felizes e saudáveis somos.

Fui um pouco além aqui na análise, mas o que percebi é que mensurar tudo o tempo todo estava me estressando. Teve sua importância e se você puder entender mais sobre como você funciona, vale a pena começar a se analisar através dos números.

Porém, tudo tem um momento que não faz mais sentido e agora largar essa mentalidade tão ‘exata’ está me fazendo realmente estar presente tanto para viver cada momento com mais tranquilidade quanto para sair um pouco do ‘correto’ sem precisar ficar ansioso com os resultados. Se eu faço algo errado, estou assumindo a responsabilidade e não simplesmente me enganando que ‘faz parte de um teste’.

O que você pensa sobre isso?

Me conta aqui nos comentários.

Divirta-se!