O que aconteceu
A OpenAI interrompeu novas assinaturas e upgrades para o ChatGPT Pro de US$ 200 por mês, citando uma demanda “sem precedentes” pelo modelo Astra, lançado em 3 de setembro (TechCrunch, 10 de setembro de 2026).
A pausa vale só para o tier mais caro. A OpenAI mantém à venda um plano Pro de US$ 100, com limites de uso menores, além do Plus, do Go e da API (Fortune, 11 de setembro de 2026; The Next Web). Quem já assinava o Pro de US$ 200 antes da pausa continua com acesso normal, mas, se cancelar ou fizer downgrade enquanto a restrição durar, não consegue voltar a assinar o tier de US$ 200 até a OpenAI reabrir as inscrições.
O head de produto de Codex e ChatGPT na OpenAI, Thibault Sottiaux, escreveu no X que o plano de US$ 200 é o que mais pressiona a infraestrutura da empresa, e descreveu a decisão como “o menor passo possível que ainda permite continuar dando o acesso mais amplo possível”. Ele também disse: “a demanda pelo Astra é realmente sem precedentes. Estamos puxando todas as alavancas possíveis para sustentar a demanda, mas nunca vi nada parecido até agora, e já passamos por crescimento bem acelerado antes” (TechCrunch; Fortune).
Por que o Astra pesa tanto no sistema
Segundo a própria OpenAI, o motivo é o “computer use”, recurso do Astra que permite ao modelo interagir diretamente com um desktop (preencher formulários, navegar em sites, executar tarefas) em velocidade descrita pela empresa como sobre-humana. Esse tipo de operação consome a cota de uso dos assinantes bem mais rápido do que o modelo anterior, o GPT-5.6 Sol: a taxa de consumo do Astra em tarefas de Work/Codex é cerca de 2,5 vezes maior (TechCrunch).
Como o plano Pro de US$ 200 tem os limites de uso mais generosos da OpenAI, é provavelmente por isso que esse consumo acelerado bate primeiro no teto de capacidade dos servidores da empresa. Isso ajuda a explicar por que a pausa recaiu especificamente sobre esse tier, e não sobre o Plus ou o Go, que já operam com cotas mais restritas.
O que isso significa
Pausar vendas do plano mais lucrativo por assinante da OpenAI não é uma decisão trivial. É sinal de que a empresa prefere proteger a experiência de quem já paga a arriscar degradar o serviço para todo mundo só para somar assinantes novos, e isso explica por que Sottiaux enquadrou a medida como o “menor passo possível”, e não como um recuo maior na disponibilidade do Astra.
O caso também expõe um limite prático da corrida por agentes cada vez mais autônomos: quanto mais um modelo consegue operar um computador sozinho, maior o custo computacional por interação, e esse custo pode superar a capacidade de infraestrutura disponível mesmo para uma empresa do porte da OpenAI. Não é a primeira vez que o Astra esbarra em limites que vão além do desempenho puro. A própria OpenAI já havia classificado o modelo no nível “crítico” de capacidade cibernética do seu Preparedness Framework, o mais alto já atribuído a um modelo da empresa, e por isso lançou partes dele com acesso mais restrito a um grupo de testadores selecionados (OpenAI; CNBC, 1º de setembro de 2026). Agora, à capacidade que exige mais controle de acesso soma-se uma capacidade que exige mais servidores.
Para quem já assina o Pro de US$ 200, na prática nada muda. Para quem estava pensando em assinar agora, as opções são esperar a reabertura, migrar para o Pro de US$ 100 com limites menores, ou usar o Astra pelo Plus, Go ou pela API, que seguem sem pausa.
Fontes
- OpenAI puts Pro subscriptions on hold due to Astra demand, TechCrunch, 10 de setembro de 2026
- OpenAI has paused its $200 ChatGPT sign-ups as ‘unprecedented’ demand for new model Astra strains its system, Fortune, 11 de setembro de 2026
- OpenAI pauses $200 ChatGPT Pro sign-ups as Astra demand strains its systems, The Next Web
- Path to Astra: critical capabilities and frontier safeguards, OpenAI
- OpenAI says Astra AI model is its first that crosses ‘Critical’ cybersecurity capability, CNBC, 1º de setembro de 2026