Não precisamos ser os melhores do mundo

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E-mail – Reflexão da semana #01. Enviado em 30 de Janeiro de 2019.

Olá!

Inaugurando mais uma série de e-mails hoje com estilo. Todas as quartas enviarei uma reflexão sobre como lidamos com nosso trabalho, nosso estilo de vida e nossa autonomia.

Nesse primeiro e-mail quero compartilhar com você uma pressão cultural, familiar ou, quem sabem, até imposta por nós mesmos. A pressão de sermos os melhores.

“Se não é pra ser o melhor, nem começa!”
“Medíocre significa estar na média e você não quer ser medíocre!”
“Você só terá um futuro se tiver entre os melhores!”

Já ouvi esse tipo de frase em muito mais contextos do que gostaria. Professores falando para a turma que não devemos aspirar ser medianos, palestrantes nos encorajando a ser os melhores do nosso nicho. Pais de colegas que acreditavam que só os melhores da turma são dignos de respeito.

Contudo, atualmente enfrentamos algo que, de alguma forma, é muito pior do que tudo isso.

Como muito bem explicado no livro A Sutil Arte de Ligar o Fo***, as mídias sociais nos mostram apenas o pior e o melhor do mundo. O tempo inteiro somos bombardeados com a excelência daqueles que dedicam uma vida inteira para uma profissão e, ao mesmo tempo, com a violência e problemas daqueles que estão socialmente mais afastados e raivosos com o mundo. Porém, mesmo sendo importante, o ‘pior do mundo’ é papo para outro momento.

Quando estamos expostos a esse tipo de situação online começamos a nos comparar com os ‘melhores do mundo’.

“Olha o desenho desse cara!”
“Olha a dança dessa mulher!”
“Olha a empresa desse menino de 12 anos!”
“Olha a viagem que esse amigo ta fazendo pelo mundo!”
“Olha como essas pessoas estão sempre felizes!”

Todos os dias é algo novo e incrível para nos comparar e, de repente, começamos a nos cobrar para estarmos entre os melhores. Viver a vida dos 1%.

Ontem mesmo abri o YouTube e me aparece uma recomendação: “A rotina matinal dos 1%”. Entendo que a intenção pode até ser boa. Afinal, vamos copiar o que ‘pessoas de sucesso’ fazem para, quem sabe, atingirmos o mesmo sucesso.

O problema é que já sabemos que não é bem assim que as coisas funcionam. Se você quer seguir o caminho de alguém de sucesso, vai ver o que essa pessoa fazia quando ela não tinha nenhum sucesso.

Aprendi isso quando estava criando minha primeira empresa há uns anos e faz todo sentido. Quer viver como o 1%? Imagino que a rotina matinal envolve uns 2 mil reais de suplementos por mês, tempo livre e uma academia de luxo. Provavelmente não vai ser copiando isso que vai te tirar do seu “estágio na pirâmide social”.

Agora, compreender a rotina matinal dessa mesma pessoa quando ela começou sua jornada pode ser um bom ponto de partida.

É importante dizer que nem entrei no mérito de que grande parte do que consumimos online são mentiras. Pessoas tirando fotos felizes mesmo quando estão tristes. Compartilhando dias normais como sucessos e outras coisas assim. Não julgo. Já fiz muito isso e acho que ainda faço.

Mas e aí? Como isso tudo se conecta?

Eu defendo muito a ideia de que somos responsáveis por tudo na nossa vida. Seja você também adepto a esse pesamento ou se prefere culpar o mundo e os outros, é inegável que sermos os melhores do mundo é uma grande responsabilidade.

Na verdade, sermos os melhroes é algo impossível.

“Mas o fulano conquistou a medalha de ouro!”
“Mas a ciclana foi citada no blog como a melhor do Brasil!”
“Mas o empresário lá vendeu sua empresa por 1 bilhão!”

Legal! Na verdade muito legal! É bacana ver o sucesso das pessoas e desejo a todos nós esse tipo de sucesso. Contudo, nenhum é necessariamente o melhor. Ou continuará com esse título por muito tempo.

Para começar, ser o/a melhor em algo parte de uma comparação e um julgamento. Comparação com base em algum critério com outras pessoas e o julgamento de alguém que criou os critérios e selecionou quem ia competir.

Segundo, só há a ideia dos ‘melhores’ quando também há a ideia de existir outros 99% que não são ‘os melhores’. E se todo mundo for ‘os melhores’, então não existem ‘os melhores’. Colocar uma geração inteira com a expectativa de estar entre ‘os melhores’ significa colocar 99% dessa geração decepcionada.

Para finalizar, só está no topo quem faz sacrifícios. Se o seu objetivo é realmente ser considerado por alguma entidade como o(a) melhor em algo, legal demais! Vá atrás do seu sonho! Porém, estar no topo significa fazer sacrifícios que muitas vezes não são tão óbvios para quem coloca a pressão da excelência em nós – mesmo que seja nós mesmos que colocamos.

Seja como atleta, empresário, coach, engenheiro, médico ou até mesmo jogador de video game, estar no topo de algum ranking significa abdicar de todo o resto e dedicar àquele ofício ou sonho.

Reforço, está tudo bem querer isso. Mas está tudo bem querer estar na média também. Está tudo bem querer ser razoável em 10 coisas diferentes em vez de ser o melhor em algo. Está tudo bem querer ser mais ou menos em 100 coisas diferentes também.

Cada um de nós encontra um caminho na vida que faz sentido e, para mim, assumir com confiança e tranquilidade nossas escolhas é a definição de autonomia.

Um abraço,
André

Divirta-se!

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