Mozilla responde à polêmica sobre novos termos, afirmando que não utiliza dados dos usuários para IA
A Mozilla respondeu à reação dos usuários em relação aos novos Termos de Uso do navegador Firefox, que foram criticados por utilizarem uma linguagem excessivamente ampla, aparentando conceder à empresa direitos sobre os dados inseridos ou enviados pelos usuários. Segundo a empresa, os novos termos não representam uma mudança na forma como a Mozilla utiliza os dados, mas sim uma formalização do relacionamento com os usuários, esclarecendo os termos aos quais estes consentem ao utilizar o Firefox.
Na última quarta-feira, foram apresentados os novos Termos de Uso e uma atualização na Política de Privacidade do Firefox, com o intuito de oferecer mais transparência quanto aos direitos e permissões dos usuários, além de detalhar melhor as práticas de dados adotadas pela empresa.
Conforme destacado em seu comunicado, “tentamos tornar estes termos fáceis de ler e entender — não deve haver surpresas na forma como operamos ou como nosso produto funciona”. Entretanto, a redação acabou causando confusão, forçando a Mozilla a atualizar seu comunicado para esclarecer que os termos não conferem à empresa a propriedade dos dados dos usuários nem o direito de utilizá-los além do que é especificado na Política de Privacidade.
Usuários que leram os novos termos se indignaram ao constatar a linguagem vaga e aparentemente abrangente utilizada, que afirmava, em destaque: “Quando você envia ou insere informações através do Firefox, você nos concede uma licença não-exclusiva, livre de royalties e mundial para utilizar essas informações” para auxiliar na navegação, experiência e interação com o conteúdo online, conforme indicado pelo uso do navegador.
O comentário incisivo de Brendan Eich, cofundador e CEO de outra desenvolvedora de navegadores, sugeriu que tais termos poderiam estar relacionados a uma mudança de estratégia, permitindo à Mozilla monetizar por meio do fornecimento de dados para Inteligência Artificial e outras finalidades.
Ao ser questionada sobre se os termos indicavam que os dados dos usuários seriam fornecidos a empresas de IA ou anunciantes, a Mozilla explicou que a Política de Privacidade continua em vigor mesmo com a utilização dos recursos de IA e que os dados de conteúdo não são enviados à empresa ou a terceiros. Além disso, as informações compartilhadas com anunciantes são desidentificadas.
Segundo um porta-voz da Mozilla, “essas mudanças não são motivadas pelo desejo de usar os dados das pessoas para IA ou vendê-los a anunciantes. Conforme consta nos Termos de Uso, solicitamos a permissão do usuário para utilizar seus dados para operar o Firefox ‘como você indica com o uso do navegador'. Isso significa que nossa capacidade de utilizar os dados permanece limitada ao que divulgamos na Política de Privacidade.”
A Política de Privacidade informa que o Firefox pode coletar dados técnicos e de interação referentes à utilização de chatbots de IA. Caso os usuários optem por utilizar chatbots de terceiros com o navegador, a respectiva empresa processará os dados conforme suas próprias políticas, enquanto outros recursos de IA funcionam localmente nos dispositivos dos usuários, sem enviar dados de conteúdo à Mozilla ou para outros destinos.
A Mozilla também esclareceu o funcionamento da veiculação de publicidade no Firefox, explicando que a venda de anúncios faz parte do financiamento do desenvolvimento do navegador. Nesse sentido, a empresa enfatiza seu compromisso em criar produtos publicitários que preservem a privacidade e melhorem as práticas da indústria. Nos casos em que anúncios são exibidos em superfícies do Firefox, como na página de nova aba, os dados são coletados e compartilhados conforme descrito na Política de Privacidade, sendo enviados aos parceiros de forma desidentificada ou agregada.
Os usuários podem optar por não ter seus dados processados para fins publicitários desativando uma configuração relacionada à coleta de dados técnicos e de interação tanto na versão para desktop quanto na mobile.
A Mozilla também destacou que o termo “não-exclusiva” foi empregado para indicar que a empresa não pretende ter uma licença exclusiva sobre os dados dos usuários, permitindo que estes possam utilizá-los de outras formas. A expressão “livre de royalties” ressalta que, por ser um navegador gratuito, nem a Mozilla nem os usuários devem pagar qualquer tipo de remuneração pela manipulação dos dados, e “mundial” reforça que o Firefox está disponível globalmente, oferecendo acesso à internet em qualquer lugar.
Apesar das garantias de que as novas políticas não alteram a forma como os dados são utilizados, a ampla redação dos termos tende a levantar questionamentos entre os usuários, o que pode levar parte deles a buscar alternativas de navegadores. Atualmente, o Firefox detém apenas uma participação de 2,54% do mercado mundial de navegadores, ficando atrás de concorrentes como Chrome, Safari e Edge.