Inteligência Artificial levou autoridades aos suspeitos do audacioso roubo de joalheria de US$12 milhões em Denver
Uma investigação utilizando inteligência artificial ajudou uma força-tarefa do FBI a identificar os suspeitos de um roubo em uma joalheria sediada no Cherry Creek Shopping Center, em Denver, ocorrido em julho passado. Segundo o agente especial Mark Michalek, responsável pela delegacia do FBI em Denver, “não existe crime perfeito” e, apesar do planejamento sofisticado dos criminosos, eles acabaram “deixando pistas”.
Uma das imagens divulgadas pelas autoridades mostra três dos suspeitos adentrando o shopping no dia 21 de julho. Os homens usavam luvas, coletes refletivos e máscaras; um deles inclusivamente trajava um capacete de segurança, e outro carregava uma caixa de ferramentas. As investigações apontam que os ladrões tentavam se passar por uma equipe de construção. Eles invadiram a loja de joias na região de Hyde Park, cortaram uma parede para se infiltrar no estabelecimento, utilizaram tochas e brocas para abrir cofres e subtraíram joias e relógios de alto padrão, totalizando um roubo de US$12 milhões.
Estima-se que a equipe permaneceu dentro da loja por aproximadamente oito horas sem ser detectada. Em outras imagens, divulgadas pelas autoridades, aparece uma caminhonete Ford F-150, de cor escura, utilizada pelos criminosos. Para tentar evitar rastreamento, as placas foram removidas do veículo.
No entanto, pouco tempo após o assalto, informações sobre a caminhonete foram inseridas em um banco de dados pertencente à Flock Safety, empresa responsável pela instalação de câmeras leitoras de placas no estado e em outros estados. De acordo com Holly Beilin, porta-voz da empresa, o sistema utiliza tecnologia de aprendizado de máquina – uma forma de inteligência artificial – que, ao receber dados como modelo, estilo, cor e outras características do veículo, identificou que a caminhonete havia sido vista em uma câmera na Interestadual 70, em Glenwood Springs, quando estava com placas da Califórnia.
“Funciona muito bem. O algoritmo está constantemente aprendendo e é muito preciso”, afirmou Beilin, destacando como a tecnologia vem auxiliando os investigadores a aprimorar seus métodos.
Na sequência, foram obtidos mandados de busca para acessar dados de uma torre de celular localizada no shopping. A investigação visava informações sobre os telefones que estavam ativos durante o roubo. Esse procedimento de alta tecnologia levou à identificação do celular de um dos suspeitos, Gustavo Salas-Ortega, de 33 anos, natural do Chile, que se encontrava nos Estados Unidos sem a devida autorização, segundo Michalek.
Análises adicionais demonstraram que o trajeto percorrido pelo telefone de Salas-Ortega coincidiu com o caminho da Ford F-150 na I-70. Chris Gray, analista de crimes do Departamento do Procurador de Denver, ressaltou que “o componente digital se tornou uma parte fundamental em quase todas as investigações modernas”. Segundo Gray, de 70% a 80% dessas investigações contam com uma análise digital robusta, que permite conectar os pontos e auxiliar na identificação dos suspeitos.
Salas-Ortega foi posteriormente preso em Nova Jersey e enfrenta acusações relacionadas tanto a violações de imigração quanto a crimes, incluindo furto de mais de US$1 milhão e arrombamento. As investigações indicam que ele e outros envolvidos no caso de Hyde Park fazem parte de um grupo sul-americano especializado em roubos, que já teria atuado em diversas partes do país, inclusive em um assalto a uma joalheria em Nova Jersey, ocorrido em 2024.
O uso da inteligência artificial e dos dados digitais foi determinante para conectar os suspeitos a outros roubos e arrombamentos, consolidando evidências suficientes para formular um caso processável, conforme relatado pelo agente Michalek.