Inteligência Artificial na Defesa: Cooperação Aliada é Essencial
A inteligência artificial pode ajudar as Forças Armadas dos Estados Unidos a acelerar o processo de identificar e neutralizar ameaças de mísseis. No entanto, um exercício conjunto recente da Força Aérea mostrou que a cooperação por meio de alianças e parcerias militares é crucial para alcançar esse objetivo – mesmo diante dos desafios impostos por ataques verbais do ex-presidente Donald Trump.
Em dezembro, o exercício denominado ShOC-N (Shadow Operations Center-Nellis) reuniu a Força Aérea dos EUA e forças do Canadá, Austrália e Reino Unido para testar como o uso integrado de inteligência artificial e novos dados de sensores pode agilizar operações de defesa antimísseis. Essas operações incluem a identificação de lançadores móveis de mísseis e de centros de comando e controle inimigos.
Segundo o Tenente-Coronel Wesley Schultz, do 805º Esquadrão de Treinamento de Combate da Força Aérea dos EUA, reduzir barreiras à interoperabilidade e ao compartilhamento de informações entre os aliados é fundamental para o sucesso nessas operações. “A inteligência unificada e a consciência situacional de gerenciamento de batalha são críticas para o êxito em ambientes tão dinâmicos”, destacou Schultz.
Outros exercícios semelhantes estão planejados para o final deste ano, com o Canadá desempenhando um papel chave. Os representantes militares ressaltam o valor das relações de cooperação para o desenvolvimento de técnicas rápidas e inteligentes, habilitadas por IA, que fortaleçam a defesa da América do Norte.
Em meio a esses esforços, surgiram iniciativas para criar um espaço colaborativo de co-desenvolvimento de software – um “sandbox” – que permita a mais parceiros e operadores contribuírem na construção de sistemas de comando e controle mais eficientes. Essa abordagem é vital, pois o ritmo das operações está acelerando e os adversários estão aprimorando suas táticas, movendo centros de comando e armas para dificultar a detecção.
A utilização de inteligência artificial distribuída é fundamental para localizar alvos móveis e acelerar a tomada de decisões em tempo real. A Força Aérea dos EUA, por exemplo, conta com sistemas como o Palantir’s Maven Smart Systems e softwares de IA do Maverick, que permitem o controle tático e a integração de dados, como a exibição simultânea de informações de diferentes frentes em um único panorama operacional.
Apesar dos avanços tecnológicos, a colaboração humana continua imprescindível. Muitos processos e decisões ainda dependem dos operadores, que enfrentam uma saturação de tarefas – o que reforça a necessidade de simplificar os fluxos de informação e filtrar apenas os dados realmente essenciais para a missão.
Além disso, a cooperação entre aliados traz benefícios adicionais, como a ampliação da base de dados para treinar ferramentas autônomas, além de proporcionar expertise operacional única vinda do conhecimento específico de cada nação. Contribuições de satélites, drones e aeronaves, por exemplo, estão entre as discussões para aumentar a captação e o compartilhamento de informações relevantes.
Vale destacar que, mesmo com os ganhos operacionais proporcionados pela integração de tecnologias avançadas, a tensão política – agravada pelas ameaças e comentários polêmicos do ex-presidente Trump – continua a representar um desafio à consolidação dessas parcerias militares. Enquanto líderes militares enfatizam os benefícios dessa colaboração, especialistas em inteligência, especialmente no Canadá, acompanham esses desdobramentos com muita seriedade.