Ações de Tecnologia Sobem Após Resultados da Nvidia Impulsionarem Rally de IA
(Bloomberg) — As ações das maiores empresas de tecnologia do mundo subiram nas últimas horas de negociação, impulsionadas pela especulação de que os resultados da Nvidia Corp. poderão reavivar o rally movido pela inteligência artificial.
Após o fechamento do pregão regular, um fundo negociado que rastreia o Nasdaq 100 avançou diante do otimismo gerado pelos números da gigante dos semicondutores, vista como um termômetro para o setor de IA. A Nvidia, mesmo apresentando resultados trimestrais bons, mas sem brilho excepcional, trouxe uma perspectiva animadora para sua tão esperada linha Blackwell, acalmando os investidores.
No quarto trimestre, a empresa obteve US$ 11 bilhões de receita com a linha Blackwell, descrita como “o ramp-up de produto mais rápido de sua história”. Essa alta ocorreu em meio a um cenário de incertezas acerca do setor de IA, com investidores preocupados sobre uma possível desaceleração nos gastos dos operadores de data centers.
Segundo Derren Nathan, da Hargreaves Lansdown, “a Nvidia dissipou as preocupações sobre a produção dos seus chips Blackwell e sobre ameaças ao boom da demanda por poder de computação, superando expectativas nos resultados do quarto trimestre e apresentando uma orientação para o atual período acima do esperado.”
Na véspera dos resultados da Nvidia, o mercado teve oscilações intensas, enquanto os investidores assimilavam diversas declarações do Presidente Donald Trump sobre políticas comerciais. Após um leilão robusto de notas de sete anos que arrecadou US$ 44 bilhões, os títulos subiram, mas os índices de ações variaram: o S&P 500 praticamente sem mudança, o Nasdaq 100 avançando 0,2% e o Dow Jones Industrial Average recuando 0,4%. O rendimento dos Treasuries de 10 anos caiu quatro pontos base, situando-se em 4,25%, enquanto o dólar teve leve valorização de 0,1%.
A predominância das grandes empresas de tecnologia vinha dificultando a vida dos investidores que escolhem ações individualmente. Com a alocação em nomes de mega capitalização atingindo os menores níveis desde a crise financeira global, os fundos de investimento conseguiram desempenho positivo em um ano marcado pela queda das ações do setor tecnológico.
Esse reposicionamento revelou-se uma vantagem inesperada. Com as chamadas Magnificent Seven tendo um desempenho aquém do esperado neste ano, aproximadamente 49% dos fundos mútuos e ETFs geridos ativamente que se comparam ao S&P 500 estão superando o índice em 2025 – número bastante superior aos 38% do mesmo período do ano passado.
Além do setor de tecnologia, os ganhos das ações norte-americanas tendem a se expandir para outras áreas, conforme aponta Savita Subramanian, do Bank of America Corp. Ela destaca que há diversas oportunidades atrativas dentro do S&P 500 que vão além das gigantes tecnológicas.
Destaques Corporativos
- Salesforce Inc. revisou sua previsão de receita para o ano fiscal, ficando abaixo das estimativas e diminuindo o otimismo de que seu novo produto de inteligência artificial impulsionaria um crescimento mais acelerado nas vendas.
- Snowflake Inc. projetou um crescimento de receita melhor do que o esperado para o ano fiscal, sinalizando otimismo com a adoção dos seus produtos recém-lançados para IA, o que fez suas ações subirem no after hours.
- Super Micro Computer Inc. registrou resultados financeiros robustos que garantiram a conformidade com as regras da Nasdaq, eliminando os temores de deslistagem.
- AppLovin Corp. sofreu uma forte queda, com dois investidores de venda a descoberto divulgando relatórios que desencadearam uma recuada recorde de até 23% antes de uma estabilização, enquanto seu CEO, Adam Foroughi, afirmou que os relatórios continham “inexatidões e afirmações falsas”.
- General Motors Co. anunciou planos para intensificar seu programa de recompra de ações, com a intenção de adquirir US$ 6 bilhões em ações e aumentar o dividend yield, movimentando o caixa da empresa.
- Lowe’s Cos. projeta crescimento nas vendas para o ano corrente, sinalizando que os consumidores estão retomando os gastos após um período de cautela devido às altas taxas de juros.
- Chevron Corp. demonstrou interesse em adquirir a participação da Phillips 66 em uma joint venture de químicos, em meio a pressões do grupo ativista Elliott Investment Management LP para que o refinador se desfaça do ativo.
- TJX Cos. apresentou resultados trimestrais positivos, recuperando o desempenho após um período de vendas abaixo do esperado nas marcas TJ Maxx e Marshalls.
Movimentos do Mercado e Eventos Importantes
- Ações: O S&P 500 permaneceu quase inalterado em 16h (horário de Nova York), o Nasdaq 100 subiu 0,2% e o Dow Jones recuou 0,4%.
- Moedas: O índice Bloomberg Dollar Spot avançou 0,1%; o euro recuou 0,3%, sendo negociado a US$ 1,0487; a libra manteve-se estável em US$ 1,2676; e o iene japonês ficou em 149,03 por dólar.
- Criptomoedas: O Bitcoin caiu 5,1%, sendo negociado a US$ 84.209,1, enquanto o Ether recuou 7,3%, atingindo US$ 2.327,21.
- Títulos: O rendimento dos Treasuries de 10 anos recuou quatro pontos base para 4,25%; o título de 10 anos da Alemanha caiu dois pontos para 2,43%; e o britânico praticamente sem mudança, em 4,50%.
- Commodities: O petróleo West Texas Intermediate teve uma leve queda de 0,2%, sendo cotado a US$ 68,78 o barril, enquanto o ouro manteve-se praticamente inalterado.
Com o avanço das ações norte-americanas e o reposicionamento das carteiras, investidores estão de olho não apenas em tecnologia, mas também em setores financeiros, industriais, energia, mineração e serviços ao consumidor, além de aplicações inovadoras de IA na área da saúde.