Vivemos numa bolha

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E-mail – Reflexão da semana #02. Enviado em 06 de Fevereiro de 2019.

Oi pessoa bacana!

Não assisto televisão.
Não leio jornal.
Não rolo timeline do Facebook.

O resultado é que frequentemente recebo o julgamento alheio de que “vivo numa bolha“.

Como comecei a me distanciar das mídias mais tradicionais há um bom tempo, vamos dizer que já estou caleijado para lidar com essa análise alheia. Porém, há poucos dias me deparei com uma quase indignação de não saber o que está “acontecendo no mundo” e me fez refletir um pouco mais profundamente sobre o assunto.

Essa é a reflexão que quero compartilhar com você hoje. Contudo, antes de chegar ao ponto, preciso explicar o porquê de ter me afastado.

Não sei dizer ao certo quantos anos eu tinha, mas estava no meio da minha graduação em Relações Internacionais quando me caiu a ficha que nada daquilo que estava consumindo na televisão me fazia bem.
Não sei se você conhece muito sobre o que um graduando de RI estuda, mas podemos resumir no seguinte:

  • Guerra
  • Filosofia
  • Economia
  • Questionamento
  • Relatividade
  • Questionamento
  • Nada é real
  • Tem várias versões do que é real/verdade
  • Tem coisa que tem efeito real, mas na verdade é fake news. Então por isso é real.

(pelo menos foi isso que estudei…)

Todo esse ambiente de questionamentos – junto com,  vamos dizer, uma tendência nata para argumentação – contribuiu para me convencer que tudo que vinha da TV era ou falso, irrelevante ou mais me tirava a felicidade do que informava.

Então parei de ver TV.

Ainda abria uns sites de notícias aqui e ali. Acessava Facebook e lia tudo quanto é manchete achando que era verdade ou que aquilo, de alguma forma, me informaria sobre o mundo.

Infelizmente demorei para perceber, mas hoje entendo que as mentiras, as irrelevâncias e, principalmente, os efeitos negativos eram os mesmos ou até piores online.

Me afastei.

Ao longo de todo esse período e ainda hoje, fui questionado sobre minha ignorância sobre os assuntos do mundo, do país ou da sociedade.

E, agora chegando na minha reflexão, penso:

Afinal, o que é o mundo? Que país é esse que deveria me importar mais do que os outros? Que sociedade é essa que devo prestar atenção?

Uma forma de me defender dos julgamentos alheios sobre o não conhecimento dos ‘acontecimentos do mundo’ era questionar as outras pessoas daquilo que eu ‘acompanhava’. Eu dizia:

“E o que você sabe sobre as novas tecnologias de computadores?”
“Mas quero ver você me dizer sobre a história de Napoleão.”
“Ta acompanhando as mudanças das tendências de design?”

Basicamente, eu não confiava na minha própria escolha de largar as mídias tradicionais racionalmente. Tinha só um sentimento, uma intuição e talvez incentivo de pessoas que legitimava de que aquilo não era bom. Com isso, queria arrumar de todo jeito alguma forma de desviar a argumentação para um ponto que me sentiria mais em controle. Mesmo que em um controle fabricado com base na surpresa e momentânea confusão do outro.

Está tudo bem. Tudo é um processo e não tenho isso como peso.

Mas hoje já acho que entendo um pouco mais para reafirmar minhas escolhas.

O que eu acho valioso sobre minha argumentação quase agressiva é que todo mundo vive em uma bolha. A bolha da sua comunidade, a bolha do seu país, a bolha da sua profissão, a bolha dos seus hobbies e por aí vai.

Cada bolha é composta de seus desenvolvimentos, notícias e problemas, mas não necessariamente estamos inclusos obrigatoriamente na maior parte delas.

Eu nasci no Brasil. Significa que devo acompanhar toda ação do governo, todo assalto nas dezenas de cidades, toda catástrofe?

Acho que não.

Sou um profissional da área de tecnologia. Significa que devo acompanhar toda novidade da área?

Também acho que não. Mas nesse caso eu quero e escolho acompanhar.

“Então você escolhe ficar alienado?”

Basicamente, sim.

Olha bem. Eu entendo que há coisas nas bolhas que estou inserido que vão me afetar assim como meus familiares e amigos. Afetam todos os seres humanos e animais dentro daquela bolha.

Mas o ponto é: O que eu posso fazer com 98% das informações que são compartilhadas por essas mídias sobre, por exemplo, a bolha do Brasil? Nada que realmente tem efeito.

2% sim podem ser informações preciosas que eu posso ajudar minha sociedade de alguma forma. Porém, o desgaste emocional, tristeza, aflição, falta de confiança, fake news, informações má intencionadas, etc que compõe 98% não só me tiram a esperança de poder atuar nos 2% como me minam como indivíduo.

Então, eu prefiro me alienar e acelerar a construção ao meu redor do futuro que imagino. Colocar já no presente o sentimento de que no mundo só tem amor e agir com as pessoas dessa maneira.

Entre espalhar um descontentamento com o governo ou uma palavra de esperança, eu vou escolher a segunda toda vez.

Então minha reflexão para você hoje tem a ver, novamente, com a autonomia de escolha. A decisão de qual bolha você quer estar inserido é sua. Está tudo bem não querer acompanhar as desgraças do mundo. Está tudo bem querer também, mas não é alguém preso ao sistema que vai te dizer o que tens que fazer.

Um abraço,
André

Divirta-se!

PS: Naturalmente, eu recebo notícias e acabo sabendo das coisas “mais importantes” que se passam no Brasil – puxando o exemplo do e-mail. Seja por conversas com outras pessoas ou outros meios, é difícil ficar 100% alheio.

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