Congresista investiga tentativa da fintech Ramp de conquistar contrato federal de US$25 milhões

O representante Gerald Connolly, membro do Comitê de Supervisão da Câmara dos Estados Unidos, iniciou uma investigação sobre se a startup de gerenciamento de despesas, Ramp, estaria recebendo tratamento preferencial em sua tentativa de conquistar um contrato governamental de US$25 milhões. Em uma carta encaminhada ao Administrador Interino da General Services Administration (GSA), Stephen Ehikian, Connolly solicitou informações e documentos relativos aos planos relatados da agência para conceder o contrato de um programa piloto à Ramp.

Entre as principais preocupações de Connolly está o fato de que a Ramp supostamente não possui experiência prévia em contratos federais, além de ter como investidores aliados e apoiadores do ex-presidente Donald Trump. Entre esses investidores estão o Founders Fund de Peter Thiel, Keith Rabois da Khosla Ventures, a Thrive Capital — fundada por Josh Kushner, irmão do genro de Trump, Jared —, Joe Lonsdale, da 8VC, e Jeb Bush, ex-governador da Flórida e irmão do ex-presidente republicano George W. Bush. De acordo com a carta, Keith Rabois teria levantado mais de US$1 milhão para a campanha de Donald Trump em 2024.

Connolly solicitou à GSA uma série de informações, incluindo uma lista detalhada de todas as reuniões entre representantes da agência e da Ramp, bem como todas as comunicações entre os funcionários da GSA, contratados ou subcontratados e representantes da startup.

Um ponto adicional da investigação envolve o programa interno de cartão de despesas do governo, denominado SmartPay, que movimenta cerca de US$700 bilhões. Atualmente, o Citibank e o US Bank, dois dos maiores fornecedores de cartões de crédito do país, são os bancos oficiais do contrato SmartPay. Em abril, a diretora de comunicação da Ramp, Lindsay McKinley, afirmou que a startup estava competindo em um processo de licitação padrão para um programa piloto do SmartPay, baseado na força de sua solução.

Segundo relatos, a Ramp descobriu por meio de um post público em uma rede social — compartilhado pelo Departamento de Eficiência Governamental — que o governo dos EUA possuía aproximadamente 4,6 milhões de cartões/contas ativos, responsáveis por cerca de 90 milhões de transações únicas, totalizando gastos próximos a US$40 bilhões no exercício fiscal de 2024. Poucos dias depois, um ex-cliente da Ramp teria feito a apresentação da empresa à GSA.

No entanto, Connolly alega que a Ramp iniciou contatos com entidades do setor de pagamentos, buscando números de identificação bancária especiais necessários para processar pagamentos governamentais, antes mesmo que um pedido público de informações relativo ao contrato fosse divulgado. Além disso, um funcionário da GSA teria comentado que a startup era a “favorita” para conquistar o negócio.

Até o momento, a Ramp não se pronunciou sobre a investigação conduzida por Connolly. Em março, a startup dobrou sua avaliação para US$13 bilhões após uma venda secundária de US$150 milhões em ações. Desde sua criação, em 2019, a Ramp já arrecadou mais de US$1 bilhão em financiamentos de capital e garantiu US$700 milhões em fundos de dívida comprometidos.