Meteorologia impulsionada por IA

Em outubro de 2025, um modelo de IA do Google DeepMind, desenvolvido em Londres, alertou antecipadamente o Centro Nacional de Furacões dos EUA sobre a séria ameaça representada pelo furacão Melissa. O modelo previu, com dias de antecedência, a evolução da tempestade para uma intensidade de categoria 5 e previu com precisão sua trajetória pelo Caribe, enquanto modelos mais antigos não alcançaram a mesma performance.

Esse sucesso exemplifica como os métodos de IA estão acelerando e aprimorando a previsão do tempo local, o acompanhamento de tempestades e até mesmo a modelagem climática global, com modelos cada vez mais sofisticados surgindo rapidamente. Esses modelos de IA colocam projetos de simulação, antes limitados a instalações de supercomputação, diretamente nas mãos de pesquisadores do dia a dia. “Todas essas questões científicas que antes eu tinha que delegar para outros grupos, agora posso resolver por conta própria”, destaca Elizabeth Barnes, cientista de dados ambientais da Boston University, em Massachusetts.

Além disso, outros modelos de IA adotam abordagens ainda mais ambiciosas, incorporando insights globais de características da Terra, como a atmosfera, os oceanos e as calotas polares, para analisar o clima atual e prever mudanças futuras. Por exemplo, em setembro, o engenheiro James Duncan, do Allen Institute for Artificial Intelligence em Seattle, Washington, e seus colegas descreveram o SamudrACE, que integra modelos de IA da atmosfera e dos oceanos para simular o comportamento desses sistemas por mais de um milênio.

Self-driving laboratories, advanced immunotherapies and five more technologies to watch in 2025

Energia Nuclear de Próxima Geração

O aumento expressivo dos investimentos em IA está causando um correspondente crescimento na demanda por energia elétrica. A Agência Internacional de Energia, em Paris, prevê que a demanda global dos data centers aumente 15% ao ano entre agora e 2030.

Mesmo que o ciclo de crescimento da IA venha a desacelerar, a necessidade de fortalecer as redes elétricas com fontes de energia ambientalmente amigáveis continua sendo urgente, conforme explica Jonas Kristiansen Nøland, pesquisador de sistemas energéticos da Norwegian University of Science and Technology, em Trondheim.

Essas condições oferecem uma oportunidade propícia para o ressurgimento da energia nuclear. Nøland demonstra otimismo em relação aos pequenos reatores modulares (SMRs) — instalações nucleares que geram até 500 megawatts, ou seja, menos da metade da produção de um reator de fissão convencional, mas suficiente para abastecer centenas de milhares de residências.

Small Modular Reactors, such as the Linglong One in China, offer a low-cost, fast-to-build option for nuclear energy generation

Rússia e China já operam SMRs, e pelo menos 100 projetos estão em consideração ou desenvolvimento em todo o mundo. Alguns dos sistemas mais avançados, como o projeto na instalação nuclear Darlington, no Canadá, previsto para entrar em operação em 2029, são baseados em designs similares aos de reatores de fissão convencionais. Entretanto, sistemas de próxima geração estão sendo desenvolvidos. Por exemplo, a empresa TerraPower, em Bellevue, Washington, explora reatores de sal fundido — um design mais eficiente em combustível que pode reduzir significativamente os resíduos nucleares e armazenar o calor gerado durante a operação para uso posterior como energia térmica.

Além disso, após décadas de expectativas como a “tecnologia do futuro”, a energia de fusão está se aproximando da realidade. Em 2022, o Laboratório Nacional Lawrence Livermore demonstrou a primeira produção líquida de energia a partir da fusão em sua instalação National Ignition Facility, em Livermore, Califórnia. No ano seguinte, o Joint European Torus, próximo a Oxford, Reino Unido, estabeleceu um recorde mundial ao gerar energia suficiente em apenas cinco segundos para abastecer 12.000 residências. Paralelamente, a instalação Wendelstein 7-X, na Alemanha, alcançou 43 segundos de operação contínua, demonstrando que designs alternativos aos tradicionalmente empregados em tokamaks podem oferecer maior estabilidade operacional.