Pontos-Chave

  • Empresas de tecnologia em Las Vegas usaram a feira CES para revelar suas visões de um futuro repleto de inteligência artificial física.
  • Nvidia, AMD e Qualcomm fizeram anúncios chamativos relacionados a robôs, enquanto o DeepMind, do Google, afirmou que trabalhará com a Boston Dynamics para desenvolver novos modelos de IA para seu robô Atlas.
  • “A indústria de humanóides está se beneficiando do trabalho das fábricas de IA que estamos construindo para outras aplicações de IA”, afirmou o CEO da Nvidia, Jensen Huang.

É a semana em que Sin City se transformou em ficção científica. Robôs humanóides praticaram sombra, dançaram e simularam comandar pequenas lojas. A empresa Sharpa, com sede em Cingapura, exibiu uma mão robótica jogando tênis de mesa e distribuindo cartas no blackjack.

Em Las Vegas, as empresas de tecnologia aproveitaram o CES anual para revelar suas perspectivas de um futuro onde a inteligência artificial física deve alcançar um grande avanço. Jensen Huang, CEO da Nvidia, afirmou em coletiva de imprensa: “A indústria de humanóides está se beneficiando do trabalho das fábricas de IA que estamos construindo para outras aplicações de IA.”

A Revolução dos Robôs e a Influência da IA

A Nvidia, que no ano anterior se tornou a empresa mais valiosa do mundo, anunciou uma nova versão de seus modelos de linguagem visual, chamada Gr00t, para robôs humanóides. Essa tecnologia é capaz de transformar entradas de sensores em comandos para o controle do corpo dos robôs, além de uma versão do seu modelo Cosmos para raciocínio e planejamento robótico. Huang espera ver robôs com capacidades próximas às humanas ainda este ano, destacando parcerias com empresas como Boston Dynamics, Caterpillar e LG.

Décadas de ficção científica imaginaram esse cenário. Enquanto séries como “The Jetsons” exibiam uma empregada robô, e “Star Wars” nos apresentam a C-3PO ajudando a salvar a galáxia, os robôs humanóides reais ainda enfrentam desafios para demonstrar a inteligência e flexibilidade necessárias para serem verdadeiramente úteis.

A chegada da IA generativa, com o lançamento do ChatGPT da OpenAI em 2022, trouxe novas possibilidades. A mesma tecnologia de deep learning que sustenta o ChatGPT pode ensinar robôs a caminhar, usar as mãos ou até dobrar roupa. Muitos especialistas veem os carros autônomos como a primeira manifestação comercial significativa da inteligência artificial física.

Construindo o Cérebro dos Robôs

No CES deste ano, 40 empresas fizeram referência a robôs humanóides em suas apresentações. Segundo a Consumer Technology Association, que organiza o evento, o número de robôs industriais e de consumo tem crescido a cada edição. A AMD, por exemplo, revelou um novo robô humanóide da italiana Generative Bionics, o Gene.01, que deverá ser implantado ainda este ano em ambientes industriais como estaleiros.

A LG também estreou seu robô CLOiD, que demonstrou habilidades como dobrar toalhas e carregar máquinas de lavar. Enquanto isso, a Generative Robotics utiliza GPUs baseadas em nuvem da AMD para treinar e ajustar seus modelos, garantindo um “cérebro” cada vez mais sofisticado para as máquinas.

Além disso, a Qualcomm apresentou uma nova linha de chips para robôs, os Dragonwing, que utilizam seus modelos de linguagem visual para adquirir habilidades específicas, como o manuseio de atuadores para agarrar objetos. Essa estratégia de oferecer não apenas chips, mas um ecossistema completo de software, torna o desenvolvimento robótico mais acessível a empresas emergentes do setor.

O Cenário Atual e as Aplicações Práticas

Embora o interesse pelo potencial dos robôs humanóides seja enorme, alguns especialistas alertam que ainda estamos longe de uma implementação comercial ampla, seja em fábricas ou em residências. Ben Wood, analista-chefe da CCS Insight, ressaltou que, por mais que esses robôs tenham chamado a atenção, sua aplicação prática ainda enfrenta desafios significativos.

Alguns dos primeiros robôs para o mercado residencial podem ser mais voltados para o entretenimento do que para a produtividade. Por exemplo, a empresa norte-americana 1X lançou, em outubro de 2025, seu robô assistente multiuso chamado “Neo”, com valor aproximado de US$ 20.000, enquanto a LG apresentou seu robô rodoviário CLOiD, projetado para tarefas domésticas, como preparar o café da manhã e auxiliar em outras atividades cotidianas, embora sua velocidade de execução ainda seja limitada.

Além disso, há preocupações com a segurança e os potenciais danos que esses robôs podem causar em ambientes domésticos desestruturados, onde imprevistos, como crianças correndo ou animais de estimação, são comuns.

Pesquisas da McKinsey estimam que o mercado de robótica de uso geral pode atingir US$ 370 bilhões até 2040, com aplicações em logística de armazéns, manufatura leve, varejo, agricultura e saúde. Grandes empresas de tecnologia estão apostando nessa evolução, onde, segundo Jensen Huang, os robôs estão vivendo seu “momento ChatGPT”.

Conforme aponta Modar Alaoui, sócio-gerente da ALM Ventures, a próxima geração crescerá convivendo com essas máquinas, independentemente de nossa adesão consciente a elas.