Por que um ex-desenvolvedor da Alexa acredita que o RH deve tratar a IA como um tigre bebê
Durante um evento recente, líderes e especialistas discutiram o impacto da inteligência artificial no ambiente de trabalho. Entre os participantes, o CEO da Workhuman, Eric Mosley, iniciou sua apresentação com uma piada sobre a onipresença do tema da IA, ressaltando a necessidade de adaptar as organizações para um futuro cada vez mais tecnológico.
O psicólogo organizacional Adam Grant destacou que, assim como na transformação digital, atualmente as empresas se esforçam para incorporar a IA, mas sem um roteiro claro. Grant reforçou a importância de disponibilizar diversas ferramentas aos colaboradores, incentivando o aprendizado, a experimentação e o compartilhamento de experiências para melhor utilização da tecnologia.
Durante a gravação do podcast HR Besties, a Chief Human Experience Officer da Workhuman, KeyAnna Schmiedl, compartilhou um exemplo prático de integração de IA que surgiu a partir de um hackathon interno. Em um call center, os colaboradores enfrentavam altos níveis de estresse ao atender clientes, agravados pelo processo tradicional de consulta a informações. Em resposta, engenheiros e designers criaram uma ferramenta de IA que gera um resumo do cliente assim que o número de telefone é reconhecido, permitindo que os atendentes mantenham sua empatia e foco na comunicação humana.
A visão otimista de Noelle Russell
Logo após uma das sessões do evento, Noelle Russell, que integrou a equipe original da Amazon responsável pelo desenvolvimento da Alexa e fundou o AI Leadership Institute, destacou seus principais pontos sobre a integração da IA no ambiente de trabalho. Russell, uma otimista em relação à tecnologia, ressaltou que a IA oferece ferramentas para “recuperar o atraso”, permitindo que as empresas foquem em demandas que, até então, eram negligenciadas por serem complexas ou custosas.
Ela apontou que a utilização de tecnologias inteligentes, como o seu projeto de “descoberta inteligente de falhas”, pode ajudar os empregadores a compreender melhor os colaboradores por meio de seus hábitos, treinamentos e interesses. Dessa forma, é possível identificar oportunidades para reforçar o valor dos trabalhadores e, em alguns casos, evitar demissões.
Russell também apresentou uma visão surpreendente na qual, no futuro, pessoas poderão gerenciar não apenas outras pessoas, mas também “agentes” de máquinas que trabalham de maneira colaborativa, semelhante a um enxame. Em algumas empresas, esses agentes já possuem endereços de e-mail, participam de reuniões e desempenham funções similar às de funcionários humanos.
Fazendo uma analogia provocativa, ela comparou a IA a um tigre bebê: “Eles são fofos e aparentemente inofensivos, mas ninguém faz as perguntas certas. Não questionamos: ‘Ei, tigre bebê, olhe para essas patas. Quão grande você vai crescer? Que dentes afiados você tem desde o nascimento?'. É aí que entra o RH, ao questionar: ‘Qual o potencial de ajudinha, de dano ou até de desonestidade que essa tecnologia pode apresentar?'. Afinal, tigres bebês se transformam em grandes tigres e grandes tigres podem ser perigosos.”
