Por que a Cartken redirecionou seu foco da última milha para robôs industriais

A startup de robótica autônoma Cartken, conhecida por seus robôs de quatro rodas que entregam comida em campi universitários e pelas ruas movimentadas de Tóquio, encontrou uma nova área de atuação: a indústria.

O cofundador e CEO da Cartken, Christian Bersch, explicou que aplicar os robôs de entrega em ambientes industriais sempre esteve em sua mente enquanto desenvolviam a startup. Quando empresas começaram a entrar em contato para utilizar os robôs em fábricas e laboratórios, a Cartken decidiu analisar essa possibilidade com mais atenção.

“O que descobrimos é que há uma grande demanda em casos de uso industriais e presenciais”, afirmou Bersch, que cofundou a startup juntamente com outros ex-engenheiros do Google responsáveis pelo projeto Bookbot. “Às vezes, há até um valor mais direto para as empresas que otimizam seus fluxos de material ou de produção.”

Em 2023, a startup conquistou seu primeiro grande cliente industrial, a fabricante alemã ZF Lifetec. Inicialmente, a empresa utilizava os robôs de entrega existentes, chamados Cartken Courier, que podem transportar 44 libras (20 kg) e se assemelham a uma caixa térmica sobre rodas.

“Nosso robô de entrega de comida começou a mover amostras de produção e, rapidamente, se tornou nosso robô mais utilizado”, relatou Bersch. “Foi aí que percebemos que existiam casos de uso reais e uma necessidade de mercado concreta, e então passamos a direcionar cada vez mais nossos esforços para esse segmento.”

Na época, a Cartken ainda avançava em seu negócio de entregas na calçada, contando com parcerias já estabelecidas com serviços como Uber Eats e GrubHub para operações de última milha em campi universitários dos Estados Unidos e no Japão.

O sucesso inicial com a ZF motivou os fundadores — que incluem Jake Stelman, Jonas Witt e Anjali Naik — a expandir seu modelo de negócios. A transição dos robôs da Cartken, de entregas de comida para ambientes industriais, não representou um grande desafio, segundo Bersch. A inteligência artificial por trás dos robôs foi treinada com anos de dados de entregas de alimentos, e os dispositivos foram projetados para transitar por diferentes tipos de terreno e condições climáticas.

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Isso significa que os robôs podem transitar entre ambientes internos e externos. Além disso, graças aos dados coletados durante as entregas em Tóquio, eles são capazes de reagir e manobrar ao redor de obstáculos.

Hauler in a warehouse

A Cartken, que já levantou mais de US$ 20 milhões de investidores como 468 Capital, Incubate Fund, Vela Partners, entre outros, iniciou a ampliação de sua frota para refletir sua mudança de foco para o setor industrial. A empresa lançou o Cartken Hauler no início deste ano – uma versão maior do Cartken Courier, que pode transportar até 660 libras (300 kg). Além disso, lançou o Cartken Runner, projetado para entregas internas, e está desenvolvendo um equipamento semelhante a uma empilhadeira robótica.

“Temos uma estrutura de navegação que pode ser parametrizada para diferentes tamanhos de robôs. Toda a inteligência artificial, o aprendizado de máquina e o treinamento desenvolvidos foram facilmente transferidos para os demais robôs”, destacou Bersch.

Recentemente, a Cartken anunciou o aprofundamento de sua parceria de quatro anos com a montadora japonesa Mitsubishi, que inicialmente ajudou a empresa a obter as certificações necessárias para operar seus robôs de entrega nas ruas de Tóquio.

A empresa Melco Mobility Solutions, pertencente ao grupo Mitsubishi, anunciou a compra de quase 100 robôs Cartken Hauler para aplicação em instalações industriais no Japão.

“Estamos observando uma grande adesão em diversos setores industriais e em ambientes corporativos, desde empresas automotivas até farmacêuticas e químicas”, afirmou Bersch. “Essas empresas geralmente contam com pessoas que movimentam materiais entre prédios, seja manualmente, utilizando carrinhos ou pequenas empilhadeiras – e é exatamente esse o nosso foco.”

A Cartken seguirá atuando no segmento de entregas de alimentos e na operação de última milha para consumidores, mas não planeja expandir essa área, ressaltou Bersch, acrescentando que continuam realizando diversos testes para novas funcionalidades nas rotas já estabelecidas.