Gastos maciços com IA estão em foco antes dos resultados financeiros

Investidores e analistas estão observando de perto os investimentos bilionários em infraestrutura de inteligência artificial pelas gigantes da tecnologia. Enquanto grandes empresas aumentam seus gastos para atender à crescente demanda, as expectativas em relação aos retornos desses investimentos também disparam. Aqui estão os principais pontos a serem acompanhados nesta temporada de divulgação de resultados:

  • Apple, Meta, Microsoft e Tesla devem divulgar seus resultados financeiros nesta semana, após grandes investimentos em infraestrutura de IA em 2025.
  • Os megacaps ampliaram seus planos de gastos para atender a uma demanda sem precedentes, e o mercado aguarda um novo ciclo robusto de investimentos.
  • A atenção se volta para como esses investimentos massivos poderão se transformar em lucros reais, em meio a preocupações com uma possível bolha de IA.

Microsoft

A Microsoft precisa demonstrar que consegue controlar os custos enquanto expande seus data centers para suportar a demanda por IA e fortalecer sua unidade de cloud, o Azure. Após elevar a previsão de gastos, a empresa sofreu uma queda nas ações, e a diretora financeira, Amy Hood, sinalizou que o crescimento do capex deve aumentar em 2026 em relação a 2025. Analistas esperam que os investimentos do exercício fiscal atual, encerrado em junho, atinjam aproximadamente US$ 98,8 bilhões, com um salto nos próximos dois anos.

Um dos desafios para a Microsoft é a adoção dos serviços de IA empresarial, especialmente com o complemento Microsoft 365 Copilot, visto como uma potencial fonte de crescimento para sua suíte de softwares. Em nota, analistas relataram: “Recebemos informações de um parceiro de que mais da metade das organizações licenciando apenas até 10% da base de usuários do M365, enquanto pouco menos de 25% dessas organizações licenciando o Copilot para até 25% dos usuários”.

Além disso, parcerias estratégicas, como a anunciada com a Anthropic, que incluiu um investimento de US$ 5 bilhões e um compromisso de compra de US$ 30 bilhões em capacidade computacional no Azure, evidenciam a aposta da empresa na expansão de sua infraestrutura de cloud.

Meta

A Meta continua a depender quase que exclusivamente da receita proveniente da publicidade digital, o que tem deixado alguns investidores apreensivos, especialmente em meio ao aumento dos investimentos em IA sem uma história clara de monetização. Recentes reestruturações na estratégia de IA, após o lançamento mal-sucedido do novo modelo Llama, levaram a empresa a realizar um investimento de US$ 14,3 bilhões na Scale AI em junho, trazendo o CEO Alexandr Wang e outros talentos para reforçar seus esforços nessa área.

No relatório de resultados de outubro, a Meta elevou a previsão de gastos de capital para 2025, para um intervalo entre US$ 70 e 72 bilhões. O CEO Mark Zuckerberg destacou que os investimentos em IA estão sendo feitos com a expectativa de um grande retorno no futuro, justificando a ampliação dos gastos para evitar subinvestimentos.

Analistas do FactSet projetam um crescimento próximo a 57% nos investimentos para 2026, podendo ultrapassarUS$ 110 bilhões, enquanto o Goldman Sachs prevê números ainda mais altos, chegando a US$ 125 bilhões neste ano e US$ 144 bilhões em 2027.

Apple

A Apple, que recentemente fechou um acordo de destaque com o Google para utilizar os modelos Gemini em uma grande reformulação da Siri, também enfrenta desafios em sua estratégia de IA. Na primavera, a empresa adiou a reformulação do assistente de voz, alegando que certos recursos de personalização demandariam mais tempo para serem implementados. Analistas do Bank of America veem esse acordo como um potencial impulsionador de atualizações nos próximos lançamentos do iPhone.

Embora a Apple esteja avançando em sua estratégia de IA, ela tem adotado um ritmo mais lento em comparação com concorrentes como OpenAI e Google. Desde o lançamento do Apple Intelligence em 2024, a companhia não fez anúncios significativos na área e os recentes desafios, como a desativação temporária de notificações baseadas em IA para notícias, demonstram as dificuldades enfrentadas.

Investidores acompanharão atentamente sinais de mudanças na estratégia de IA da Apple, além de possíveis aumentos nos gastos de capital e o impacto do novo ciclo de lançamentos do iPhone 17, que já recebeu críticas muito positivas.

Amazon

A Amazon elevou sua previsão de gastos para 2026, de US$ 118 para US$ 125 bilhões, em resposta à crescente demanda por seus serviços de IA. As expectativas dos analistas apontam um crescimento de aproximadamente 17% para US$ 146 bilhões no próximo ano.

Como líder no fornecimento de tecnologia para infraestrutura de cloud, a Amazon também enfrenta pressão para explicar sua estratégia de IA e demonstrar sua competitividade frente a empresas como OpenAI, Google e Anthropic. Em novembro, a Amazon Web Services firmou um acordo bilionário com a OpenAI, e o mês seguinte trouxe notícias sobre possíveis investimentos de até US$ 10 bilhões na empresa de ChatGPT.

Enquanto o AWS continua dominando o mercado de infraestrutura de cloud, a concorrência com o Azure tem sido cada vez mais acirrada, com o CEO Andy Jassy destacando que o segmento está ganhando impulso, sobretudo com o aumento dos workloads de IA.

Alphabet

Para a Alphabet, o ano passado foi marcado por um grande volume de investimentos, o que acabou rendendo o melhor desempenho das ações desde 2009, à medida que o mercado reconstruiu a confiança em sua estratégia de IA. Em outubro, a empresa revisou para cima sua previsão de gastos para 2025, agora estimando entre US$ 91 e 93 bilhões, impulsionada pela forte demanda por seus produtos e serviços de cloud.

Analistas esperam que os investimentos atinjam mais de US$ 115 bilhões em 2026. Ao longo do ano, a Alphabet assinou acordos relevantes com tanto a OpenAI quanto a Anthropic. Em outubro, por exemplo, um acordo multibilionário firmado entre a Anthropic e o Google Cloud garantiu mais de um gigawatt de capacidade computacional para IA nos próximos meses.

Além disso, a Alphabet fechou recentemente um acordo com a Apple para utilizar seu modelo Gemini em uma ampla atualização da Siri, fortalecendo ainda mais a posição da empresa na retomada do segmento de IA, mesmo mantendo altos investimentos no seu setor tradicional de buscas.

Tesla

A história da Tesla se diferencia das demais grandes empresas de tecnologia. Enquanto o CEO Elon Musk sempre apresentou uma visão futurista de “abundância sustentável” com robôs substituindo funções humanas, os investidores também estão de olho nos resultados do segmento automotivo e de energia da empresa.

Em 2025, as entregas de veículos automotivos da Tesla caíram 8,6%, passando de 1,79 milhão em 2024 para 1,64 milhão, enquanto sua unidade de energia — que comercializa sistemas de armazenamento de energia para residências, empresas e projetos em larga escala — registrou crescimento. Esses resultados são acompanhados com atenção pelo mercado, que também observa os investimentos futuros planejados, especialmente no desenvolvimento de novas tecnologias de chips que serão fundamentais para veículos e robótica.

Além disso, os investidores buscam respostas sobre o potencial de crescimento e lucratividade de iniciativas mais recentes, como o serviço de ride-hailing Robotaxi e os robôs humanoides Optimus, que ainda não foram disponibilizados para venda.

No último trimestre, apesar de Elon Musk ter destacado os avanços dos projetos Robotaxi e Optimus, a Tesla teve que responder a questionamentos sobre os fundamentos do segmento automotivo, enquanto as expectativas são positivas para o avanço dos investimentos em novas tecnologias.