Os acordos bilionários de infraestrutura que impulsionam o boom da IA
Executar um produto de IA exige uma potência computacional imensa. Enquanto a indústria tecnológica corre para aproveitar o potencial dos modelos de IA, uma corrida paralela acontece para construir a infraestrutura que os suportará. Investimentos em infraestrutura de IA podem chegar a trilhões de dólares até o final da década, com grande parte desses recursos sendo direcionados por empresas de IA, que também pressionam redes de energia e ampliam a capacidade de construção do setor.
O investimento de US$ 1 bilhão da Microsoft na OpenAI
Um acordo que impulsionou o atual boom da IA ocorreu em 2019, quando a Microsoft investiu US$ 1 bilhão na OpenAI – uma organização conhecida, entre outras associações, com Elon Musk. Esse acordo fez da Microsoft o provedor exclusivo de cloud para a OpenAI, o que se mostrou vantajoso à medida que as exigências dos modelos de treinamento se intensificaram. Com o passar dos anos, o investimento da Microsoft cresceu para quase US$ 14 bilhões, estratégia que se revelou valiosa com a transformação da OpenAI em uma empresa com fins lucrativos.
No entanto, a parceria evoluiu: em janeiro, a OpenAI anunciou que deixaria de utilizar exclusivamente a cloud da Microsoft, embora concedesse à empresa o direito de preferência para futuras demandas de infraestrutura, enquanto buscava outras alternativas caso o Azure não atendesse a todas as necessidades. Recentemente, a Microsoft passou a explorar outros modelos fundamentais para alimentar seus produtos de IA, ampliando sua independência.
A ascensão da Oracle
Em 30 de junho de 2025, a Oracle revelou em um arquivo da SEC ter firmado um acordo bilionário de serviços em nuvem no valor de US$ 30 bilhões com um parceiro não identificado – um valor superior à receita de nuvem registrada no ano fiscal anterior da empresa. Posteriormente, descobriu-se que o parceiro era a OpenAI, consolidando a posição da Oracle ao lado do Google como um dos provedores de hospedagem da OpenAI após a parceria com a Microsoft. Esse anúncio impulsionou as ações da Oracle.
Meses depois, em 10 de setembro, a Oracle anunciou outro acordo notável: um contrato de cinco anos no valor de US$ 300 bilhões para fornecimento de poder de computação, com início previsto para 2027. Esse contrato fez com que as ações da Oracle disparassem, chegando a tornar seu fundador, Larry Ellison, brevemente o homem mais rico do mundo. Embora a OpenAI não disponha de US$ 300 bilhões em caixa, o valor pressupõe um crescimento gigantesco para ambas as empresas e demonstra uma enorme dose de confiança no futuro do setor.
Construindo data centers hiperescaláveis do amanhã
Para empresas com infraestrutura já consolidada, como a Meta, o desafio de expandir capacidades é igualmente complexo e dispendioso. Mark Zuckerberg declarou que a Meta planeja investir US$ 600 bilhões em infraestrutura nos Estados Unidos até o final de 2028. Somente na primeira metade de 2025, a Meta gastou US$ 30 bilhões a mais do que no ano anterior, impulsionada pelas crescentes ambições de IA da empresa.
Parte desse investimento é direcionado para grandes contratos com provedores de nuvem – como o recente acordo de US$ 10 bilhões com o Google Cloud – mas uma parcela ainda maior dos recursos está sendo alocada em dois novos data centers de grande porte. Um novo complexo de 2.250 acres na Louisiana, apelidado de Hyperion, terá um investimento estimado em US$ 10 bilhões e fornecerá cerca de 5 gigawatts de poder computacional, contando inclusive com um acordo com uma usina nuclear local para suprir a demanda de energia. Outro complexo, de menor porte, em Ohio, chamado Prometheus, está previsto para entrar em operação em 2026, utilizando gás natural.
Esse tipo de expansão envolve custos ambientais reais. A xAI, empresa de Elon Musk, construiu seu próprio data center híbrido com planta de geração de energia no sul de Memphis, Tennessee. A instalação rapidamente se tornou uma das maiores emissoras de poluentes da região devido a uma série de turbinas a gás natural, que, segundo especialistas, estariam em desacordo com a Lei do Ar Limpo.
A iniciativa Stargate
Apenas dois dias após sua segunda posse, o presidente Trump anunciou uma joint venture envolvendo SoftBank, OpenAI e Oracle, com o objetivo de investir US$ 500 bilhões na construção de infraestrutura de IA nos Estados Unidos. Batizado de “Stargate”, em referência ao filme de 1994, o projeto foi cercado de grande entusiasmo, a ponto de Trump descrevê-lo como “o maior projeto de infraestrutura de IA da história”. Sam Altman chegou a comentar que “acredita que este será o projeto mais importante desta era”.
Em linhas gerais, o plano previa que o SoftBank fornecesse o financiamento, enquanto a Oracle seria responsável pela construção, contando com as contribuições da OpenAI. O presidente Trump assumiria a tarefa de eliminar quaisquer entraves regulatórios que pudessem atrasar o progresso da construção. Desde o início, no entanto, surgiram dúvidas, inclusive de concorrentes, como Elon Musk, que questionaram a disponibilidade dos recursos para viabilizar o projeto.
Embora o entusiasmo inicial tenha diminuído, o projeto avançou com a construção de oito data centers em Abilene, Texas, com a conclusão do último edifício prevista para o final de 2026.