JERUSALÉM (AP) — A operação militar de Israel na Faixa de Gaza está se expandindo para tomar “grandes áreas”, afirmou o Ministro da Defesa nesta quarta-feira.

A ofensiva israelense no território palestino estava “se expandindo para esmagar e limpar a área” dos militantes e “tomando grandes áreas que serão adicionadas às zonas de segurança do Estado de Israel”, declarou, em comunicado escrito, o ministro Israel Katz.

O governo israelense há muito mantém uma zona tampão logo no interior de Gaza, ao longo de sua cerca de segurança, e essa área foi significativamente expandida desde o início da guerra, em 2023. Israel afirma que a zona tampão é necessária para sua segurança, enquanto os palestinos a encaram como uma apropriação de terras que reduz ainda mais o estreito território costeiro, lar de cerca de 2 milhões de pessoas.

Katz não especificou quais áreas de Gaza seriam tomadas na operação ampliada, a qual, segundo ele, inclui a “ampla evacuação” da população das zonas de conflito. Seu comunicado foi divulgado logo após Israel ordenar a evacuação total da cidade meridional de Rafah e das áreas próximas.

O Primeiro-Ministro Benjamin Netanyahu afirmou que Israel pretende manter um controle de segurança, sem prazo definido, mas não especificado, sobre a Faixa de Gaza, uma vez que alcance seu objetivo de esmagar o Hamas.

O ministro convocou os moradores de Gaza a “expulsar o Hamas e devolver todos os reféns”. O grupo militante ainda mantém 59 cativos, dos quais se acredita que 24 estejam vivos, após a maioria dos demais ter sido libertada em acordos de cessar-fogo ou por meio de outras negociações.

“Esta é a única maneira de acabar com a guerra”, afirmou Katz.

O Fórum das Famílias dos Reféns, que representa a maioria das famílias dos cativos, afirmou ter ficado “horrorizado ao acordar esta manhã com o anúncio do Ministro da Defesa sobre a expansão das operações militares em Gaza.”

O grupo declarou que o governo israelense “tem a obrigação de libertar todos os 59 reféns do cativeiro do Hamas — e de buscar por todos os meios viáveis um acordo para sua libertação”, ressaltando que, a cada dia que passa, as vidas dos entes queridos ficam em risco.

“As vidas deles estão por um fio, enquanto continuam surgindo detalhes cada vez mais perturbadores sobre as condições horríveis em que são mantidos — acorrentados, abusados e em urgente necessidade de atenção médica”, afirmou o fórum, que solicitou à administração Trump e a outros mediadores que continuem pressionando o Hamas pela libertação dos reféns.

“Nossa prioridade máxima deve ser um acordo imediato para trazer TODOS os reféns de volta para casa — os vivos para reabilitação e os falecidos para o sepultamento adequado — e acabar com esta guerra”, declarou o grupo.

Israel continuou os ataques na Faixa de Gaza, com ataques aéreos durante a noite que resultaram na morte de 17 pessoas na cidade meridional de Khan Younis, segundo informações de autoridades hospitalares.

Autoridades do Hospital Nasser informaram que os corpos de 12 pessoas, vítimas de um ataque aéreo durante a noite e levados até o hospital, incluíam cinco mulheres (uma delas grávida) e duas crianças. Já no Hospital Europeu de Gaza, oficiais relataram ter recebido os corpos de cinco vítimas de ataques aéreos distintos.

A guerra começou quando militantes liderados pelo Hamas atacaram o sul de Israel em 7 de outubro de 2023, matando cerca de 1.200 pessoas – na sua maioria civis – e capturando 251 reféns.

De acordo com o Ministério da Saúde de Gaza, a ofensiva de Israel já resultou na morte de mais de 50.000 palestinos, incluindo centenas em ataques realizados desde que um cessar-fogo terminou há cerca de duas semanas; o ministério não especificou se as vítimas eram civis ou combatentes. Israel, por sua vez, afirma ter eliminado cerca de 20.000 militantes, sem apresentar evidências.