OpenAI anunciou na quinta-feira que alcançou um acordo não vinculativo com a Microsoft, seu maior investidor, para uma parceria revisada que permitirá à startup converter sua divisão com fins lucrativos em uma public benefit corporation (PBC).

A transição, caso seja aprovada pelos órgãos reguladores estaduais, pode possibilitar à OpenAI captar capital adicional de investidores e, eventualmente, tornar-se uma empresa pública.

Em comunicado do conselho da OpenAI, Bret Taylor afirmou que, sob o acordo com a Microsoft, a entidade sem fins lucrativos da empresa continuará a existir e manterá o controle sobre as operações da startup. Segundo Taylor, essa entidade sem fins lucrativos passará a deter uma participação na PBC da empresa avaliada em mais de US$ 100 bilhões. Outros termos do acordo não foram divulgados.

As empresas afirmaram que “a Microsoft e a OpenAI assinaram um memorando de entendimento não vinculativo (MOU) para a próxima fase de nossa parceria”. Embora os MOUs não possuam força legal, eles têm o objetivo de documentar as expectativas e intenções de cada parte. O comunicado também destacou que “estamos trabalhando ativamente para finalizar os termos contratuais em um acordo definitivo”.

Esse desenvolvimento marca o fim de meses de negociações entre a OpenAI e a Microsoft sobre os planos de transição da empresa, criadora do ChatGPT. Diferentemente da maioria das startups, a OpenAI é controlada por um conselho sem fins lucrativos – uma estrutura que permitiu, inclusive, a demissão do CEO Sam Altman em 2023, com sua reintegração dias depois e a renúncia de vários membros do conselho. A estrutura de governança permanece a mesma atualmente.

De acordo com o acordo atual, a Microsoft deverá ter acesso preferencial à tecnologia da OpenAI e ser a principal fornecedora de serviços de nuvem da startup. Contudo, o ChatGPT se tornou um negócio muito maior do que quando a Microsoft investiu na empresa, em 2019, e, segundo relatos, a OpenAI busca reduzir o controle do provedor de nuvem como parte dessas negociações.

No último ano, a OpenAI firmou uma série de acordos que visam diminuir sua dependência da Microsoft. Recentemente, a empresa assinou um contrato para investir US$ 300 bilhões com a Oracle em um período de cinco anos a partir de 2027, conforme informado pelo Wall Street Journal, e também se associou ao conglomerado japonês SoftBank no projeto do data center Stargate.

Taylor ressaltou que a OpenAI e a Microsoft “continuarão a trabalhar com os procuradores-gerais da Califórnia e de Delaware” no plano de transição, o que implica que o acordo ainda precisa ser aprovado pelos órgãos reguladores para entrar em vigor. Representantes desses gabinetes não responderam imediatamente aos pedidos de comentários.

Relatos indicam que as tensões entre OpenAI e Microsoft atingiram um ponto crítico nos últimos meses. O Wall Street Journal informou que a Microsoft pretendia controlar a tecnologia da Windsurf, uma startup de codificação de IA que a OpenAI planejava adquirir no início deste ano, enquanto a OpenAI lutava para manter a propriedade intelectual da empresa de forma independente. O acordo acabou não se concretizando, levando os fundadores da Windsurf a serem contratados pelo Google, enquanto o restante da equipe foi absorvido por outra startup.

No processo movido por Elon Musk contra a OpenAI – que acusa, entre outros, Sam Altman e Greg Brockman de abandonarem a missão sem fins lucrativos da empresa – a transição para um modelo com fins lucrativos também se tornou um ponto de tensão. Advogados representando Musk no processo tentaram obter informações sobre as negociações entre a Microsoft e a OpenAI a respeito dessa transição.

Musk chegou inclusive a apresentar uma oferta de aquisição não solicitada de US$ 97 bilhões para a OpenAI no início deste ano, proposta que foi prontamente rejeitada pelo conselho da startup. Especialistas jurídicos, na época, sugeriram que Musk poderia ter aumentado o valor da participação sem fins lucrativos da empresa. Vale destacar que, conforme o acordo, a participação da entidade sem fins lucrativos na OpenAI PBC é superior à oferta apresentada por Musk.

Organizações sem fins lucrativos, como Encode e The Midas Project, criticaram a transição da OpenAI para um modelo com fins lucrativos, argumentando que esta ameaça a missão de desenvolver uma AGI que beneficie a humanidade. Em resposta, a OpenAI enviou intimações para alguns desses grupos, afirmando que eles seriam financiados por concorrentes, como Musk e o CEO da Meta, Mark Zuckerberg. Tanto Encode quanto The Midas Project negam tais afirmações.