Nova ferramenta de edição genética mostra promessa no tratamento de doenças com múltiplas mutações

Pesquisadores do Mass General Brigham e do Beth Israel Deaconess Medical Center desenvolveram o STITCHR, uma ferramenta inovadora de edição de genes que permite inserir genes terapêuticos em locais específicos do genoma sem causar mutações indesejadas. Diferentemente dos métodos tradicionais, que utilizam tanto RNA quanto DNA, o sistema é formulado inteiramente em RNA, simplificando significativamente a logística de entrega.

A abordagem de inserir um gene completo oferece uma solução única que supera as limitações da tecnologia CRISPR, tradicionalmente programada para corrigir mutações isoladas. Conforme explicou o coautor Omar Abudayyeh, Ph.D., “o CRISPR revolucionou a forma como encaramos a edição de genes, mas tem suas restrições. Ele não consegue atingir todas as regiões do genoma nem reparar as milhares de mutações presentes em doenças como a fibrose cística”. Dessa forma, substituir genes defeituosos por suas versões inteiras pode representar um avanço significativo na terapia genética.

O STITCHR se beneficia da ação de enzimas provenientes de retrotransposons, elementos genéticos encontrados em todas as células eucarióticas, também conhecidos como “genes saltadores” devido à sua capacidade de se mover e se inserir no genoma. Os pesquisadores perceberam que o mecanismo de copiar e colar desses elementos poderia ser reaproveitado para editar genes em locais estratégicos. Por meio de uma abordagem computacional, foram analisados milhares de retrotransposons para identificar aqueles com potencial para reprogramação, culminando na seleção de um candidato final.

O candidato selecionado foi combinado com a enzima nickase do sistema CRISPR, permitindo a inserção precisa dos genes terapêuticos e formando, assim, o sistema STITCHR. A equipe planeja aprimorar ainda mais a eficiência deste novo método e avançar em sua aplicação clínica, inspirando-se na biologia celular para expandir as capacidades de engenharia genética e desenvolver terapias inovadoras para doenças, sejam elas raras ou comuns.