A startup indiana QpiAI, que afirma integrar inteligência artificial e computação quântica para aplicações empresariais, levantou US$ 32 milhões em uma nova rodada de financiamento co-liderada pelo governo da Índia. O movimento faz parte dos esforços para expandir sua atuação e desenvolver computadores quânticos de escala industrial para mercados globais.

A rodada Série A, realizada com capital próprio, contou com a participação do governo indiano – por meio da Missão Quântica Nacional de US$ 750 milhões – e da Avataar Ventures, resultando em uma avaliação pós-investimento de US$ 162 milhões.

O aporte reflete a aposta da Índia em se consolidar como potência na computação quântica. Lançada em 2023, a Missão Quântica Nacional é uma iniciativa governamental que enxerga na computação quântica tanto uma oportunidade econômica quanto uma necessidade de segurança nacional. O programa tem como meta desenvolver computadores quânticos de escala intermediária – com 50 a 1.000 qubits físicos em um prazo de 8 anos –, abrangendo plataformas como supercondutores e fotônica. Além disso, ele busca avanços na comunicação quântica via satélites, distribuição quântica entre cidades, redes multinodo, magnetômetros e o design de novos materiais, como supercondutores, estruturas semicondutoras e materiais topológicos para a fabricação de dispositivos quânticos.

A QpiAI é uma das oito startups selecionadas pela Missão Quântica Nacional, com cada empresa recebendo um subsídio inicial de até US$ 3,5 milhões. Com sede em Bengaluru e presença também nos Estados Unidos e na Finlândia, a empresa afirma ter desenvolvido o primeiro computador quântico de pilha completa da Índia, denominado QpiAI-Indus, lançado em abril com 25 qubits supercondutores.

Fundada em 2019, a QpiAI integra computação quântica e inteligência artificial para oferecer soluções de otimização em setores como manufatura, indústria, transporte, finanças, farmacêutica e materiais. A startup desenvolveu softwares especializados e seu próprio hardware para apoiar aplicações quânticas reais, abrangendo áreas como a descoberta de novos materiais e medicamentos.

Segundo o fundador e CEO, Nagendra Nagaraja, a computação quântica pode reforçar a robustez da inteligência artificial. Ele destacou que, devido ao vasto espaço de design de um chip quântico, a utilização de IA é essencial para se alcançar qubits otimizados – um passo fundamental para integrar milhares deles e formar os qubits lógicos necessários à correção de erros.

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Sistema full-stack da QpiAI

O sistema full-stack da QpiAI tem como foco indústrias como ciências da vida, setor automotivo e financeiro.

A empresa planeja lançar seu computador quântico de 64 qubits em novembro, com previsão de disponibilidade para clientes a partir do segundo ou terceiro trimestre do próximo ano. Além disso, a QpiAI pretende iniciar a fabricação local de seu hardware quântico em 2026, embora atualmente 80% de suas máquinas sejam montadas internamente.

Com uma equipe de 100 colaboradores – entre eles 25 doutores formados em instituições internacionais e indianas, e cerca de 50 funcionários alocados na Índia – a QpiAI atende aproximadamente 20 clientes no país e nos Estados Unidos, incluindo o próprio governo indiano, que utiliza sua infraestrutura para testar algoritmos. A empresa também tem apresentado lucratividade nos últimos três anos, com margens brutas em torno de 60% e margens líquidas entre 20% e 30%.

Com os novos recursos, a QpiAI pretende expandir sua presença em mercados internacionais, como Cingapura e o Oriente Médio, e investir na fabricação local para escalar suas operações, com o objetivo de desenvolver um sistema com 100 qubits lógicos até 2030. Em uma rodada pré-Série A realizada no ano passado, a startup havia levantado US$ 6,5 milhões, atingindo uma avaliação de aproximadamente US$ 30 milhões.

Nagaraja afirmou que a QpiAI dispõe de um runway de três a quatro anos – mesmo sem considerar sua lucratividade – e revelou que a empresa está estudando a possibilidade de realizar uma oferta pública inicial (IPO) em 2026 ou 2027.

O apoio da Missão Quântica Nacional não se restringe à QpiAI. Outras startups indianas, que atuam no desenvolvimento de redes quânticas seguras, cabos criogênicos, sistemas de diodo laser e relógios atômicos ópticos, também contam com o suporte governamental, assim como empresas focadas em sistemas criogênicos, materiais de sensoriamento com diamante e detectores de fótons únicos para comunicação quântica.

O governo brasileiro, ao incentivar o desenvolvimento de produtos nacionais, reforça seu compromisso em posicionar a Índia como líder global em tecnologias quânticas.