A IA reduzirá a força de trabalho de colarinho branco, alerta o CEO da Amazon
O CEO da Amazon, Andy Jassy, advertiu aos colaboradores que a inteligência artificial levará à perda de empregos entre os profissionais de escritório nos próximos anos, conforme veiculado pelo Financial Times. Em um memorando interno enviado na última terça-feira, Jassy destacou a crescente integração da IA nas operações da empresa, especialmente em sua infraestrutura logística.
Segundo ele, “vamos precisar de menos pessoas para executar alguns dos trabalhos realizados hoje, e mais pessoas para desempenhar outros tipos de funções”. Ainda acrescentou: “É difícil saber exatamente como isso se refletirá com o tempo, mas, nos próximos anos, esperamos que isso reduza nosso quadro corporativo total”. Esse comunicado ressalta o foco da Amazon em utilizar a IA para aprimorar a eficiência operacional e reduzir custos – uma expectativa que tem ganhado cada vez mais apoio dos investidores, à medida que as gigantes da tecnologia ampliam seus investimentos em inteligência artificial.
Pressões de Mercado e a Competição em IA
A atuação da Amazon também tem sido afetada por pressões de mercado. As ações da empresa caíram cerca de 2,5% neste ano, em meio à pressão dos investidores por resultados concretos dos investimentos em IA. Além disso, a empresa lida com riscos externos, como as incertezas em torno das políticas comerciais, que podem impactar as operações globais.
Reestruturação e Demissões
O alerta sobre a IA surge em meio a uma significativa reestruturação interna. Em 2023, a Amazon eliminou 27 mil posições em duas rodadas de demissões, e a AWS reduziu várias centenas de cargos em 2024. No ano passado, Jassy se comprometeu a otimizar a estrutura da empresa, diminuindo a burocracia e reduzindo as camadas de gestão intermediária.
Embora muitos líderes do setor tenham evitado vincular explicitamente a inteligência artificial à eliminação de empregos, a declaração da Amazon marca uma mudança de postura, já que a maioria dos executivos tem destacado o potencial da IA para aumentar a produtividade.
Por exemplo, a Microsoft demitiu 3% de sua força de trabalho global em maio, com os cortes afetando principalmente os engenheiros de software em sua sede em Washington. Apesar disso, a empresa ressaltou que as demissões não resultaram diretamente da adoção da IA. Ainda assim, o CEO Satya Nadella reconheceu o papel crescente da inteligência artificial no desenvolvimento de códigos, afirmando que cerca de 20% a 30% do código em seus repositórios e em alguns projetos pode já ter sido escrito por software.
